“Sem emprego não resta outra alternativa aos jovens senão sair da freguesia”

O nosso entrevistado começou a exercer o cargo em 2009, o que quer dizer que praticamente já tem 10 anos de exercício do cargo. Precisamente, sobre este percurso que tem vindo a realizar, releva que “tem sido um exercício onde tem encontrado algumas dificuldades”. Contudo, “tem-se feito alguma coisa, em prol da freguesia”, nomeadamente “a reabilitação de alguns caminhos”, mas não só, porque no segundo mandato “conseguiu-se a construção do Polidesportivo da Achada”.

Recuperar e PROSA para empregar

Na sede da Junta de Freguesia da Achada funciona uma loja da Rede Integrada de Apoio ao Cidadão (RIAC), um posto de Correios – CTT, uma valência do mediador Carlos Arruda Seguros, sendo que num outro anexo funciona as consultas do médico Roberto Sousa e de um dermatologista.
Nesta nossa agradável conversa, Paulo Franco validou que na freguesia, à semelhança como acontece com as outras freguesias do Concelho, “continua a haver muito desemprego. Temos feito muitas candidaturas ao longo dos anos, no âmbito dos programas de Inserção Socioprofissional, entre eles, o Recuperar e o PROSA, para tentar combater esse índice, que é elevado”.   
Retomando o assunto da construção do Polidesportivo, o autarca disse que foi uma obra conseguida no seu mandato, “que tanto lutou para conseguir esse objectivo” com fundos do Governo Regional dos Açores que rondaram os 400 mil Euros.
A reabilitação da Rua das Pedras foi também uma obra do actual executivo, que por alturas da construção da SCUT estava sem saída.
A Junta de Freguesia da Achada “tem feito o que pode”, com o seu orçamento que ronda os 56 mil Euros anuais.

Habitação degradada

“Na freguesia também existem muitas habitações em mau estado e também temos vindo a fazer candidaturas junto do Governo para recuperar essas moradias”.
E porque o desemprego é uma realidade, “vê-se também muitas dificuldades nos jovens em arranjar casas, então não resta outra alternativa senão sair da freguesia e vão morar para os grandes centros urbanos, como Ponta Delgada, onde há maiores probabilidades de arranjarem emprego, porque também não existem muitas empresas aqui no Concelho de Nordeste”.
A freguesia também não foge à realidade dos alojamentos locais, existindo já quatro unidades do género na Achada, estando uma outra em fase de licenciamento. “Algumas dessas moradias foram compradas por pessoas de fora da freguesia, mas outras moradias também foram reabilitadas por moradores que legalizaram-nas para esse fim”.

Dois mini mercados e dois cafés

A freguesia da Achada não tem nenhum restaurante, mas tem dois cafés e dois mini mercados, realidade que Paulo Franco considera suficiente, “porque a freguesia também não é muito grande e não tem muita população”. Segundo os censos de 2011, a Freguesia da Achada chegou a ter 436 habitantes.
Em termos de projectos para a freguesia, a Junta quer “construir uma garagem de apoio ao edifício da sede”, pretendendo-se de igual modo “edificar um palheiro junto à Foz da Ribeira do Guilherme onde as pessoas possam passar momento agradáveis com churrasqueiras, ou seja, será erguida uma zona de lazer”.
Na calha “está também o aumento do cemitério, que está a ficar pequeno para a freguesia”.
De realçar também a presença de um posto farmacêutico na freguesia e uma caixa multibanco, sem esquecer a Casa do Povo, que foi reabilitada. A obra de beneficiação atingiu o valor de pouco mais de 42 mil Euros, através de um projecto comparticipado por inteiro pelo PRORURAL e pelo Governo Regional dos Açores.
Paulo Franco releva ainda a empresa de Construções Achadense, Lda., pelo papel que tem tido não só na construção civil, mas também no ramo do comércio a retalho de material de bricolage, equipamentos sanitários, ladrilhos e materiais similares, empregando muitas pessoas.  
A freguesia não tem nenhum restaurante, mas se aparecesse alguém que apostasse nesse sector de negócio seria bem-vindo, até porque a Achada está acostumada a receber muitos turistas.
A Achada já chegou a ter uma cooperativa, no presente encerrada, mas a freguesia continua a ter como principal meio de subsistência a agricultura, onde a batata tem fama.

Escola de condução e lavoura

Fora da esfera do executivo, Paulo Franco é proprietário da Escola de Condução Nordestense, com sede na Vila de Nordeste, onde também é instrutor de condução. Tem também uma lavoura com cerca de 50 cabeças de gado.
É casado e pai de uma filha enfermeira, e não raras vezes, sempre que pode, vai à praia ou ao calhau, mas essencialmente gosta de conviver com as pessoas e sentir o pulsar do dia-a-dia da população.
Sem poder mais recandidatar-se ao lugar que ocupa, após três mandatos consecutivos, Paulo Franco vê num dos elementos da sua equipa capacidades para assumir o cargo, mas não sabe se esse elemento quererá tomar a dianteira.
 

Print

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima