Alegando atraso na implementação de medidas de reestruturação

Presidente da SATA renuncia ao cargo e Secretária dos Transportes afirma que demissão não pode afectar o grupo empresarial

António Luís Gusmão Teixeira apresentou ontem a renúncia ao cargo de Presidente do Conselho de Administração do Grupo SATA.
Para além de razões de ordem pessoal, por entre as principais razões que motivaram a sua decisão, encontram-se o atraso verificado na implementação de medidas de reestruturação, que considerou urgentes e necessárias, bem como a impossibilidade de reduzir, até ao final do ano 2019, os prejuízos do Grupo SATA, para metade do valor registado em 2018. 
Não obstante alguma melhoria dos resultados operacionais alcançados na SATA Azores Airlines no corrente ano, bem como a reestruturação operacional efectuada nas transportadoras do Grupo SATA, considerou “não terem sido alcançados os objectivos a que se propôs”. 
A substituição e nomeação de um novo Presidente do Conselho de Administração do Grupo SATA é da esfera de competências e da responsabilidade do Governo dos Açores, Accionista Único das empresas do Grupo SATA.

Reacção de Ana Cunha: Renúncia
“não pode afectar o compromisso
de manter um grupo SATA que dê
resposta em servir os Açores

Em reacção à demissão de António Teixeira, a Secretária Regional dos Transportes, Ana Cunha, afirmou que, com esta renúncia, “a grande questão, neste momento, - e é isso que tem de ficar claro - é que esta saída não pode afectar nem pode pôr em causa o compromisso do Governo dos Açores em trabalhar para ter um grupo SATA que mantenha a sua capacidade de resposta em servir os Açores e os açorianos”. 
“E também resulta claro que este objectivo precisa do envolvimento de todos aqueles que podem contribuir para este objectivo, seja administração, seja os colaboradores da empresa, seja a sociedade em geral”, disse a governante em declarações à Antena 1 Açores.
Questionada sobre os motivos que levaram à renúncia de António Teixeira, a Secretária dos Transportes afirmou que as “razões da renúncia, como bem entenderá, caberá ao renunciante explicar” 
Reafirmou que  há um plano de negócios para o grupo SATA que foi apresentado pela administração “e que se encontra em discussão com o Governo Regional dos Açores. Está em fase de apreciação. 
 Ana Cunha afirmou que, apesar da renúncia de António Teixeira, este plano de negócios “é um processo que está em curso e que se manterá quando se consumar a substituição de António Teixeira.
 Revelou que se manterá “a mesma tarefa que tinha este conselho de administração e é uma tarefa ao qual estamos comprometidos e  para o qual estamos a trabalhar todos os dias”.
Quando questionada sobre o objectivo deste conselho de administração do grupo SATA de  reduzir o prejuízo para metade em 2019, Ana Cunha respondeu que “conforme resultou da própria apresentação pública dos resultados pelo conselho de administração, não corresponderam àquilo que foi o objectivo. Já na altura foi assumido pelo senhor Presidente que o objectivo a que se tinha proposta para o final do ano estava comprometido. Não será uma novidade. Isto já se sabia e foi agora assumido”, realçou a governante.

As contas apresentadas
Por António Teixeira

Pelas contas anunciadas em Setembro por António Luís Gusmão Teixeira, A SATA Internacional – Azores Airlines apresentou, no primeiro semestre deste ano, um resultado operacional negativo de 25,4 milhões de euros e a SATA Air Açores um resultado negativo de cerca de 2,3 milhões de euros, anunciou ontem o Presidente do Conselho de Administração do grupo.
Num encontro com jornalistas, António Teixeira entendeu que os resultados obtidos “ficaram aquém do esperado, porém os motivos que originaram a variação de valores foram, por um lado, externos e circunstanciais e, por outro lado, consequência da fase de estabilização operacional em que se encontram ambas as companhias aéreas”.
O ex-Presidente do Conselho de Administração do grupo SATA deixou claro aos jornalistas que a recuperação financeira do grupo SATA “está dependente, no essencial (…), da concretização do plano de recapitalização das empresas, que permitirá alcançar o equilíbrio operacional e financeiro; e da capacidade e da coragem de manter a cadência de implementação de um conjunto de medidas (que, nalguns casos já se encontram em curso) e que visam alcançar a maior eficiência a frota e dos serviços prestados; redução de gastos operacionais e comerciais; adequação da estrutura de financiamento; e diminuição de gastos de estrutura”.
Na opinião de António Teixeira, “sem a concretização, em simultâneo e a breve trecho, de ambos os pressupostos (recapitalização e implementação cabal das medidas propostas), o Grupo SATA terá sérias dificuldades em apresentar resultados positivos e, consequentemente, condicionará a qualidade de prestar um serviço de transporte aéreo mais eficiente e competitivo”.
António Teixeira recordou o momento em que assumiu funções no grupo SATA; Uma dívida a fornecedores de quase 68 milhões de euros e financiamentos bancários na ordem dos 160 milhões de euros no final do terceiro trimestre de 2018 e um resultado negativo de 53 milhões de euros no final desse ano.

A evolução do resultado
da Azores Airlines

Como explica, o resultado negativo estimado da SATA Internacional – Azores Airlines para o primeiro semestre era de 20,4 milhões de euros negativos. Em seu entender, “embora tenha sido melhorado o resultado operacional do 1º trimestre de 2019 em 1,8 milhões de euros, o mesmo não aconteceu face ao resultado operacional estimado que acabou por agravar-se em 5 milhões de euros, saldando-se, portanto, nos 25,4 milhões de euros negativos.
Segundo os resultados apresentados pelo ex-presidente do Conselho de Administração, o resultado da SATA Internacional – Azores Airlines em Junho apresentava “uma melhoria” de um milhão de euros face ao verificado no período homólogo de 2018, registando-se uma melhoria dos resultados operacionais em cerca de 18 milhões de euros
Por sua vez, os resultados obtidos pela SATA Air Açores apresentavam em Junho uma degradação de 2,8 milhões de euros, face ao verificado no período homólogo de 2018, registando-se uma degradação dos resultados operacionais inferior a 2,3 milhões de euros. No conjunto, os resultados obtidos apresentavam “um desvio de 40% em relação ao que era previsto”.
O desvio foi explicado por António Teixeira por vários factores, um dos quais a entrada tardia do Airbus A321 LR Neo que, “apesar da compensação atribuída à companhia, a imobilização prolongada (por motivos de manutenção de base) da aeronave A320, o que levou à necessidade de novo reforço adicional da frota da transportadora.
Estas ocorrências, em simultâneo, “a par da necessidade de efectuar manutenções não planeadas foram responsáveis pelo desvio de 6 milhões de euros. Por inerência, da necessidade adicional da contratação de ACMI agravaram-se os custos estimados para o combustível, em 2,5 milhões de euros, nesse mesmo período”.
Contudo, continuou a explicar António Teixeira, a introdução das unidades Airbus A321 Neo “permitiu registar uma poupança de 1,6 milhões de euros na parcela de combustível, quando comparado com a utilização da frota A 320 e A330, o que deixa antever melhorias futuras, relativas à parcela de combustível”.
Como realçou o Presidente do Conselho e Administração do Grupo
SATA, apesar das receitas da prestação de serviços terem “melhorado
11,7% face a 2018, apresentando um total de 64,7 milhões de euros (mais 5,2 milhões de euros do que em 2018), este aumento não foi acompanhado pela redução dos custos que se estimaram, embora tenham sido suficientes para colmatar o acréscimo e gastos operacionais em mais 3,4 milhões de euros, face ao ano anterior”.
Contudo, adianta António Teixeira, a evolução das vendas “permitem perceber o seu potencial de crescimento e assinalar o desempenho comercial positivo”.
 
A explicação dos resultados
da SATA Air Açores

Já relativamente às contas da SATA Air Açores, contribuíram para o resultado negativo de 2,3 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano o aumento de gastos em cerca de 4,2 milhões de euros face ao ano anterior, decorrentes do aumento da operação aérea e custos inerentes; o aumento de gastos em comissões e combustíveis; o aumento de 2,8 milhões de euros devido às “manutenções pesadas” efectuadas em três aviões Q400 que atingiram os nove anos de idade; o aumento de 1,5 milhões e euros em gastos com pessoal. Devido, essencialmente, à aplicação de acordos sindicais celebrados em Julho de 2018; e ao aumento do efectivo de handling para reforço da operação, bem como o aumento do pessoal navegante (3 tripulantes e dois pilotos) face ao mesmo período de 2018.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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