“As dificuldades existem e estão identificadas por prioridades no que diz respeito a equipamentos e instalações”, diz Director Nacional da PSP

Na tomada de posse do novo Comandante Regional da Polícia de Segurança Pública dos Açores, o Superintendente José Poças Correia, nas suas palavras de despedida, agradeceu o facto de ter sido depositado em si o desempenho nobre e espera ter correspondido às expectativas que para tal foram criadas por quanto “fiz por merecer essa confiança e cumprido com forte empenho a missão”. Frisou ter sido um privilegiado por ter cumprido a sua última missão operacional num território que lhe “é bastante querido não só pela sua inigualável beleza natural, mas também pela fascinante riqueza e diversidade cultural do povo açoriano que é deveras singular autêntico. O novo ciclo que hoje começa com a designação do novo Comandante Regional”, referindo-se a Luís Viana. José Poças Correia foi ainda condecorado com a Medalha de Prata de Serviços Distintos.
Luís Viana, o novo Comandante Regional, referiu no seu discurso honra, emoção e gratidão: honra, pela missão que lhe foi confiada; emoção porque após 3 décadas de serviço à causa pública e à Polícia se vê perante uma herança firme na carreira profissional; e com gratidão pois quer continuar a excelência do trabalho do seu antecessor. Aproveitou “para desejar boas felicidades pessoais na nova fase da vida” de José Poças Correia que ali cessou funções. Acrescentou ainda o legado que este deixou, a honestidade e a transparência exemplares com que comandou o Comando Regional, “não hesitando sempre que esteve perante posições difíceis nos momentos em que estavam em causa os interesses da segurança pública. Tentarei dar a devida condignidade ao seu trabalho. Vivemos num mundo marcado pela incerteza e pela complexidade. Tenho a perfeita consciência da responsabilidade do trabalho, do escrutínio público a que estarei sujeito constantemente. Esta equipa executará as políticas, as estratégias e os procedimentos comerciais. Permita-me sublinhar o reconhecimento às mulheres e aos homens desta Polícia que apesar das dificuldades, todos os dias, a todas as horas do dia, em todas as ilhas, têm dado o seu melhor em prol da segurança pública. Há mais de 150 anos que as instituições açorianas e os seus cidadãos podem contar com a sua polícia, a Polícia de Segurança Pública, como uma polícia cívica, integral e próxima”, concluiu Luís Viana.
O novo Comandante Regional, o Superintendente Luís Viana, tem 53 anos de idade e é natural de Lisboa. Licenciado em Ciências Policiais pelo Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, desempenhou diversos cargos e funções ao longo da sua carreira profissional. Salientam-se as seguintes: Oficial de Ligação do Ministério da Administração Interna junto da Embaixada de Portugal em Cabo Verde, de 2015 a 2018; Director do Departamento de Logística da PSP, de 2012 a 2015; Inspector na Inspecção da OSO, em 2011; Comandante Distrital da PSP da Guarda, de 2006 a 201 e Chefe de Divisão de Planeamento de Comunicações da PSP, durante 13 anos. “Desempenhou ainda funções de assessoria e de formador de quadros superior em diversos PALOPS.”
Na Cerimónia de Tomada de Posse do novo Comandante Regional da Polícia de Segurança Pública dos Açores, estiveram várias entidades oficiais presentes, nomeadamente as Câmaras Municipais de Ponta Delgada, Ribeira Grande e Lagoa, Universidade dos Açores, Junta de Freguesia de São Sebastião, Comando da Zona Marítima dos Açores, Comando da Zona Militar dos Açores, Comandantes, Directores e Coordenadores das Forças de Serviço de Seguranças.

Balanço do Comando Regional 
da PSP nos últimos 5 anos

José Poças Correia fez um balaço dos êxitos e das principais dificuldades que [a Polícia] teve para enfrentar, “para cumprir a missão que é deveras exigente e que põe à prova todos os dias”. Acresce-se o facto da sua diversidade e complexidade devido aos bens materiais e humanos que por vezes são escassos, “sendo fruto da actual conjuntura em que o país se encontra e que nos obriga a ser exigentes, flexíveis e muitas vezes criativas para encontrar as melhores soluções e rentabilizar ao máximo esses recursos”. Continuou referindo apesar de estar ciente que ainda muito ficou por fazer, ficou com a sensação de dever cumprido. “O empenho, ao longo dos últimos 5 anos, em que tivemos oportunidade de pôr à prova a nossa tenacidade e o nosso espírito de missão, perante as dificuldades que surgiram e que tivemos de ultrapassar e a escassez de recursos por várias vezes traduz-se numa sobrecarga operacional de todos os quantos prestam serviço… Apesar de todas as dificuldades, conseguimos manter o comando regional da Polícia de Segurança Pública dos Açores na vanguarda da proactividade policial, a nível nacional, bem patentes nos baixos níveis de criminalidade que se verificam nesta região autónoma, mas embora o acentuado número de turistas nacionais e estrangeiros que têm vindo visitar os Açores desde o ano 2015 por força de operação das companhias aéreas de baixo custo que se tem verificado desde então.” A criminalidade, em geral, começou por subir ligeiramente nos dois primeiros anos, tendo iniciado uma tendência de descida desde 2018 e que se prevê continuar até ao final deste ano.
Quanto à violência doméstica, “tem sido um verdadeiro flagelo nesta região. Registamos aumentos do ano 2015 para 2017 e desde 2018 que verificamos uma ligeira descida que julgamos que se possa manter consistente ao longo dos próximos anos. Relativamente à sinistralidade automóvel, registamos aumentos na ordem dos 7% desde 2015/2018, verificando-se agora uma ligeira descida apesar do aumento substancial do número de automóveis de aluguer. O número de vítimas mortais que têm sido na ordem dos 3 a 4 por ano, prevê-se que no ano corrente esse número aumente devido a alguns acidentes fatais que aconteceram no final do passado mês de Outubro. Os resultados, nestes 5 anos, coincidindo com a conjuntura económica do país pouco favorável mas que ainda assim “nos estimulou a ser cada vez mais eficientes e mais proactivos na procura de melhores soluções”.

Falta de efectivos e equipamentos

Luís Farinha, Director Nacional da Polícia de Segurança Pública, que marcou presença na cerimónia, referiu que “a Polícia de Segurança Pública cumpriu 152 anos ao serviço da história de Portugal, dos portugueses” e que a mesmo define-se pela modernidade e inovação. Tendo em conta a cerimónia que estava a decorrer, explicou que a Polícia de Segurança Pública é uma instituição hierarquizada com níveis de responsabilidade e de competência claramente visíveis. Felicitou o novo comandante e destacou o trabalho de excelência desenvolvido pelo anterior comandante, José Poças Correia, em que o seu trabalho foi publicamente reconhecido naquela cerimónia: “servir o cidadão todos os dias e a todas horas, garantir a segurança e a tranquilidade dos que habitam, trabalham ou visitam esta magnífica Região Autónoma.”
Relativamente a alguns dos pontos para serem resolvidos para o quadriénio 2017/2020, Luís Farinha salientou o reforço dos recursos humanos, o aperfeiçoamento de serviços e a intensificação da cooperação organizacional e institucional. Em relação ao Comando Regional dos Açores, “as dificuldades existem e estão identificadas por prioridades no que diz respeito a equipamentos e instalações”. Estas irão ser melhoradas e em trabalho conjunto com o Governo Regional, “a Polícia tem procurado resolver as dificuldades”. A esquadra da Ribeira Grande, um processo com cerca de 10 anos, Luís Farinha diz que “é um processo que está a ser acompanhado e espera que a curto prazo possa ser resolvido”. José Poças Correia também enfatizou algumas dificuldades como o facto de nem sempre “termos as melhores condições de instalações e de atendimento ao público a par das especificidades próprias de uma região insular que nem sempre nos permitem assegurar a melhor gestão da rentabilização dos recursos existentes, muitas das vezes por dificuldades como por exemplo ao nível das deslocações inter-ilhas e também ao nível operacional”. 
Sobre os efectivos, não fez nenhuma projecção ao número de reforços, mas sublinhou que “o Comando Regional dos Açores é que tem tido maior reforço de efectivos nos últimos anos e indicativamente, em termos proporcionais, assim continuará” devido à insularidade, o que exige que haja um número de efectivos adequados para darem resposta às 9 ilhas.
Rita Frias
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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