Vizinhos assaltaram casa de viúva que estava ausente e bens foram recuperados numa rusga da Polícia de Segurança Pública

Depois de se ausentar da sua moradia durante algum tempo, sendo esta a melhor alternativa encontrada para curar o desgosto de ter perdido o marido há menos de um mês devido à doença terminal de que este padecia, uma viúva regressou a casa apenas para se dar conta de outro cenário desolador.
Para além de ser visível que o janelão do rés-do-chão se encontrava partido, tinham sido furtados da sua casa diversos objectos, tais como uma televisão, um colchão, relógios, uma cafeteira, várias pilhas, um abre-latas, uma mala de senhora, géis de banho, maquilhagem, perfumes, jóias em prata e bijutaria, cestas, um balde de lixo e, entre outros, várias garrafas de bebidas espirituosas que terão entretanto sido consumidas, uma vez que não foram recuperadas pela polícia.
Este foi um dos casos cujo julgamento iniciou ontem no Tribunal de Ponta Delgada, contando com três arguidos suspeitos de levar a cabo este furto qualificado numa moradia vizinha àquela em que viviam, colocando no banco dos réus um jovem, a sua namorada e também a namorada do dono da moradia que partilhavam, e que de momento se encontra preso pela prática de outros crimes.
Os bens em causa viriam a ser descobertos e apreendidos pela polícia poucas horas depois do furto, num dos quartos da moradia partilhada pelos dois casais que não seria utilizado por ninguém naquele momento.
O dono da moradia em questão, que na altura dos factos se encontrava em liberdade devido à aplicação de uma pena suspensa, serviu de testemunha no processo, tendo no entanto adiantando que não tem memória de nada. 
Isto é, apesar de afirmar que ele próprio e os três arguidos estariam todos em casa na ocasião do furto, não se recorda de barulhos estranhos nem de ver os inúmeros objectos furtados a dar entrada na sua propriedade, adiantando apenas que não terá participado em nada o que, por outro lado, levantou suspeitas da parte do colectivo de juízes.
No seu testemunho em tribunal, a dona da casa de onde foram furtados os objectos, alguns que pertenciam ao seu falecido marido, salientou que não acredita que o furto tenha sido levado a cabo apenas por uma pessoa, e não acredita que tenha sido realizado apenas por homens tendo em conta “a minuciosidade” de alguns dos objectos furtados que só teriam interesse para mulheres, tal como sapatos ou produtos de beleza.
Dois anos depois do sucedido, uma vez que os factos remontam a Setembro de 2017, a ofendida salienta ainda que – mesmo tendo recuperado todos os seus pertences à excepção das bebidas espirituosas – continua a não se sentir em segurança na sua própria casa, uma vez que “não houve um sítio da casa que não tenha sido remexido”, considerando este um acto extremo de invasão de privacidade.
Tudo terá começado quando numa noite de Setembro, em 2017, uma das vizinhas ouviu os seus cães ladrarem muito, originando assim a oportunidade de relatar em tribunal o avistamento de dois vultos a abandonarem o telhado da vizinha – aquela que foi vítima do furto –, embora não tenha sido capaz de distinguir quem eram, se seriam homens ou mulheres ou se levavam consigo qualquer tipo de bens.
No quarto em questão, onde foram alojados os bens e de onde foram recuperados mais tarde, a polícia terá notado a existência de um buraco numa das paredes, tapado convenientemente por uma porta, buraco este que faria a ligação entre aquela casa e os telhados vizinhos.

Arguido mostra arrependimento 
em tribunal no caso de roubo

Entretanto, já este ano, no dia 8 de Fevereiro de 2019, o principal suspeito de levar a cabo o furto na moradia da vizinha viúva, encontra-se também a ser julgado pelo crime de roubo juntamente com um primo seu, entretanto constituído arguido neste processo, sendo que os dois se encontram agora em prisão preventiva pela prática de vários crimes.
Neste processo em que foram ouvidos ontem, foi relatado que nesse dia, por volta das 13h00, terão avistado uma senhora de meia-idade nas proximidades de um dos portões da Universidade dos Açores que carregava um saco ao ombro direito, despertando em seguida o instinto de se apoderarem do saco e do seu conteúdo.
Assim sendo, a Assistente Operacional da Universidade dos Açores que regressava da sua ida ao mercado adiantou no seu testemunho em tribunal ter sentido um “forte puxão no braço direito” ao qual terá tentado resistir inicialmente antes que pudesse sequer perceber o que se passava.
Acabou por cair ao chão com a força dos puxões que um dos arguidos fizera, permitindo assim que estes se afastassem do local com o saco que continha – para além de outros bens – uma carteira com 230 euros correspondentes à reforma da mãe da vítima, e ainda dois cartões de crédito que se faziam acompanhar por um papel com os respectivos códigos de cada cartão.
Ali, depois de cair, a vítima notou que se aproximava um segundo rapaz a quem terá pedido ajuda por pensar que “se trataria de uma pessoa de bem ou de um aluno”, no entanto este tratava-se do segundo arguido que correu atrás daquele que levava o saco sem prestar auxílio à mulher caída no chão.
Assim que se conseguiu levantar, a vítima conseguiu pedir auxílio às colegas de trabalho, sendo assim encaminhada para o hospital onde lhe diagnosticaram um braço deslocado, tendo ainda adiantado em tribunal que, desde a data dos factos, já realizou mais de 60 sessões de fisioterapia, dez sessões com um osteopata e terá agora medicação para tomar até ao fim da sua vida com um custo relativamente elevado.
Segundo a acusação, informação que foi depois confirmada pelos suspeitos e pelas imagens das câmaras de vigilância de estabelecimentos ali perto, como o Colégio do Castanheiro, os dois primos correram por São Gonçalo, chegando depois ao Parque Atlântico, onde não hesitaram em apropriar-se dos cartões como se fossem seus.
Ali, debaixo das câmaras do centro comercial, levantaram a quantia de 160 euros de um dos cartões, uma vez que em relação ao outro cartão a quantia máxima já teria sido levantada entretanto pela vítima do roubo.
No que diz respeito a este roubo, contam os arguidos, o golpe não terá sido planeado por nenhum dos dois, embora se encontrassem juntos com o objectivo de arranjar dinheiro para sustentar o vício da droga.
Embora não fosse premeditado, a intenção do roubo foi imediatamente percebida pelos dois assim que foi tomada a iniciativa, levando a que um dos dois arguidos afirmasse em tribunal que “a sua fraqueza” foi ter fugido com o primo depois do roubo, contando ainda que a sua única recompensa por participar neste acto se resumiu à quantia de 20 euros entre os 390 euros furtados graças ao acesso à conta bancária da vítima.
Por outro lado, este caso fica ainda marcado pelo arrependimento do arguido que tomou a iniciativa em retirar o saco à mulher que regressava ao seu local de trabalho, tendo este salientado que “se na altura soubesse o que é a cadeia nunca teria feito isto”, afirmando ainda que por ser toxicodependente na altura dos factos “não estava em si” quando tomou a iniciativa do roubo.
 

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