Desenvolvimento das regiões insulares “é uma questão de Direitos Humanos”

  O antigo Presidente do Governo Regional dos Açores e da Assembleia da República, Mota Amaral, defendeu anteontem que o desenvolvimento das regiões europeias, como os arquipélagos dos Açores e da Madeira, é uma questão de Direitos Humanos.
“Defendo que as regiões têm direito ao desenvolvimento e que o desenvolvimento das regiões e a justiça nas relações entre as regiões e o resto da Europa afinal é uma questão de direitos humanos. Quando estamos a reclamar desenvolvimento para nós estamos a reclamar justiça para nós”, disse Mota Amaral na sessão de apresentação da sua obra “Os Açores, Portugal e a União Europeia”, no Centro de Estudos de História do Atlântico, no Funchal, Madeira.
O antigo Presidente da Assembleia da República considerou que a “Europa já conheceu melhores dias” e é preciso “mudar de rumo”.

Jardim: Separatismos “diluiram-se
nas perspectivas autonomistas

A obra foi apresentada pelo ex-Presidente do Governo Regional da Madeira Alberto João Jardim, que afirmou ser “estranho que, não tendo hoje Portugal um problema de unidade nacional, em Lisboa não se queira reconhecer o esforço dos povos e dos políticos insulares no sentido de sentimentos separatistas se terem diluído em legítimas e fundamentadas perspectivas autonomistas evolutivas”.
Ao abordar o livro de João Bosco Mota Amaral, Alberto João Jardim (PSD), que governou a Madeira durante 43 anos, apresentou a Catalunha como “um exemplo de como a incompetência dos governos centrais pode deteriorar situações que são ultrapassáveis em paz, democraticamente e sem balcanização da Espanha”.
O antigo Presidente do Governo da Madeira classificou ainda de “ditatorial” a afirmação do Primeiro-ministro, o socialista António Costa, de que não haverá revisão constitucional nesta legislatura, notando que aquela “não é da competência do Governo, mas, sim, da Assembleia da República”.
Alberto João Jardim manifestou também o seu apoio à afirmação de Mota Amaral de que “chega uma altura em que não há mais espaço de adiamento”.

“Lideranças baças afastam cidadãos da Europa”, afirma Mota Amaral

 O livro de João Bosco Mota Amaral ‘Os Açores, Portugal e a União Europeia’, no qual aborda diversos aspectos da integração e da luta das ilhas por “um lugar ao sol” na União Europeia.
Com sentido de dever cumprido, conforme fez passar, é crítico sobre o actual estado da União e lamenta o alheamento dos cidadãos.
“Os cidadãos não se sentem desafiados porque as lideranças europeias são baças”, afirmou na sessão realizada no Centro de Estudos de História do Atlântico, onde começou por dizer que já não vinha à Região há muito tempo, desde a inauguração da obra do aeroporto.
Particularmente, e fazendo referência a Alberto João Jardim, que apresentou a obra, disse que ambos deram o seu contributo no que respeita à valorização das regiões na Europa e que cabe aos outros a continuidade. “Demos o nosso contributo, passámos o testemunho”, afirmou.
Alberto João Jardim começou por falar da amizade que o une ao autor, desde os 17 anos de idade, e por evidenciar o significado do local. “Foi criado nos meus governos pelo João Carlos Abreu”, disse. Percorrendo os diversos capítulos da obra, o antigo Presidente do Governo Regional enalteceu a perspicácia de Mota Amaral na análise que faz sobre a União Europeia, e, em particular, o ‘humor refinadíssimo’ com que trata um dos capítulos intitulado ‘Constitucionalite frenética?’.
O livro, dado à estampa pela Editora Letras Lavadas, está a ser promovido na Madeira pela CRIAMAR.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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