Fotógrafa espanhola expõe em Madrid fotos tiradas durante três anos em São Miguel

Está patente em Madrid,a exposição “Isolado” da artista espanhola Andrea Santolaya que dá a conhecer o trabalho que a fotógrafa desenvolveu ao longo de 3 anos na ilha de São Miguel. Este projecto ocorreu no âmbito do programa de residências artísticas do Pico do Refúgio, em Rabo de Peixe, e teve início em Janeiro de 2017. 
Durante a sua residência em São Miguel, o conceito do seu trabalho focou-se na ideia de se estar isolado numa ilha (a partir dos sonetos de Antero de Quental e a sua ideia da existência). Foi através de pequenas comunidades que visitou, como os romeiros ou as mulheres que trabalham o chá, na fábrica da Gorreana, e com a ligação ao mar, através dos pescadores, dos faroleiros e da Marinha (embarcando no NRP “Viana do Castelo”) que quis fazer testemunho dessa ideia de isolamento. 
Aquilo que questiona é: existe um síndrome de ilha? Pode uma pessoa estar isolada física e psiquicamente? A artista continuou a visitar a ilha nos anos seguintes, tendo conseguido autorização para trabalhar com os reclusos do Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, onde incidiu grande parte do seu trabalho em 2019. 
Andrea tem exibido em França, Itália, Venezuela, México, Estados Unidos e no seu país de origem, Espanha. Ao longo da sua carreira, a artista tem estabelecido uma linguagem própria, com especial interesse em retratar pequenas comunidades onde a intemporalidade tem sido um ponto de encontro.
 Desde o Ballet Mikhailovsky em São Petersburgo, na Rússia, à etnia amazónica Warao no delta do rio Orinoco, na Venezuela, ao mundo do boxe em Nova York, ou com a centenária equipe de rugby Biarritz Olympique, em França, o seu trabalho fotográfico pretende iniciar um diálogo com o espectador e mostrar a intimidade dos lugares, dos personagens, da sua história e como paisagens homem se debate no seu ambiente natural, ao longo do tempo. 
Esta exposição, que estará patente até 31 de Dezembro, na Galeria António de Suñer, em Madrid, conta com um texto introdutório de João de Melo, e teve o apoio da Embaixada de Portugal em Madrid e do Turismo de Portugal. Está previsto que esta exposição venha a ser exibida, em data ainda por definir, na Galeria Fonseca Macedo, em Ponta Delgada. Com este tipo de projectos, o programa de residências artísticas do Pico do Refúgio alcança os seus dois objectivos basilares, que são o da promoção da arte contemporânea a nível regional e o da divulgação internacional dos Açores, através dos seus artistas residentes.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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