Desde o início da última crise sísmica no Faial já foram registados mais de mil sismos

Esta é a terceira vez este ano que se regista um aumento da actividade sísmica na zona entre os 25 e 35 quilómetros a Oeste da ilha do Faial. De acordo com o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) aquela é uma zona sismogénica que “com alguma recorrência tem incrementos da actividade sísmica” embora muitas vezes os sismos detectados não tenha magnitude suficiente para serem sentidos pela população.
O Presidente da Direcção do CIVISA, Rui Marques, explica que este é o terceiro incremento de actividade naquela zona do Faial, que se iniciou a 3 de Novembro e que continua com valores de sismicidade “acima dos valores de zona de referência e como tal estamos perante uma crise sísmica no sector”.
Desde o dia 3 de Novembro já foram registados mais de mil sismos naquela zona e até ao momento apenas 17 foram sentidos pela população. “O de maior magnitude, foi de 4,4 na escala de Richter, sentido a 5 de Novembro com uma intensidade 4/5 nas freguesias de Feteira, Castelo Branco e Capelo”, tendo sido sentido noutras freguesias do Faial e em algumas freguesias mais a Oeste no Pico e São Jorge.
Rui Marques explica que aquando das ocorrências sísmicas de maior magnitude é contactada uma lista de habitantes voluntários das freguesias afectadas “para saber se sentiram e como percepcionaram o sismo”.
Dos vários contactos realizados entre os técnicos do CIVISA e a população “não existe por parte da população preocupação nem pânico”, avança Rui Marques que avança que “há mais curiosidade e necessidade de acesso à informação” por parte da população que habita nas zonas onde são sentidos os sismos.  
Uma certeza é que, para já, todos os eventos sentidos pelo CIVISA “sem qualquer excepção, são todos eventos com características tectónicas. São de origem tectónica”.

Avaliação na palma da mão
Rui Marques avança que há uma nova forma disponibilizada pelo Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores para avaliar a percepção dos sismos por parte das populações e que, embora não eliminando as chamadas telefónicas feitas para os voluntários, torna muito mais rápido o acesso à informação por parte dos técnicos.
Trata-se de uma aplicação, o Azores Quake, que está disponível desde o passado Sábado para telemóveis com sistema operativo Android e que permite, à semelhança dos inquéritos disponibilizados na página do CIVISA, receber informação através de quem sentiu a ocorrência.
“No nosso site há um link que diz “senti um sismo” e aparece um inquérito de macrossísmica que são as mesmas perguntas que fazemos via telefónica. Que de acordo com aumento de intensidade vamos evoluindo nas perguntas”, explica Rui Marques que acrescenta que desde que foi disponibilizada a aplicação móvel, em pouco mais de 48 horas, já conta 1.160 utilizadores.
“Aumentar o número de inquéritos respondidos de forma espontânea, facilita-nos o trabalho. Facilita a análise macrossísmica” que depois permitem a elaboração de comunicados da Protecção Civil. Rui Marques deixa um agradecimento à população “que cada vez mais tem colaborado connosco” e permitido receber informação de forma mais rápida.
A aplicação Azores Quake surge no âmbito do projecto “QUAKEWATCH - Sistema de Informação e Vigilância Sísmica para Mitigação do Risco Sismovulcânico nos Açores”, e é gratuita.
A aplicação, desenvolvida por investigadores do CIVISA/IVAR, está disponível numa fase inicial para o sistema Android e apresenta como principais funcionalidades a consulta da sismicidade registada nos Açores pela Rede de Monitorização Sísmica Permanente do CIVISA; a notificação automática da ocorrência de novos sismos; o acesso facilitado ao inquérito de macrossísmica, essencial à avaliação dos efeitos dos sismos; e a divulgação dos comunicados sismológicos. 

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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