Unileite apresentou novo leite de pastagem

“O leite de pastagem dos Açores é um valor patrimonial da Região Autónoma” diz Director-Geral da Unileite

 As explorações são certificadas, têm que respeitar o meio ambiente e o bem-estar animal, sendo esta a principal prioridade. Rigor e sustentabilidade caracterizam as práticas da produção do leite de pastagem, sendo este “beneficiado pela natureza e contendo um elevado valor nutritivo”. A apresentação do Leite Nova Açores Pastagem teve lugar na manhã de ontem no Hotel Azoris Royal Garden.

“No dia de São Martinho, vai-se à adega e prova-se o vinho”, foi com esta citação que António Pedro Escabeche, Director Geral da Unileite, começou a sua intervenção, perante uma sala cheia de colaboradores e empresários agrícolas, acrescentando que o motivo pelo qual se encontravam ali reunidos era “pela primeira bebida que todos nós ingerimos: o leite”.
O leite de pastagem é o leite proveniente de vacas leiteiras cuja alimentação é feita à base de erva fresca e têm acesso continuado à pastagem durante todo o ano. Na produção do leite de pastagem, é obrigatória uma metodologia de maneio rigorosa de forma a garantir a pastagem, a produção do leite sustentável, assim como as práticas rigorosas do bem-estar animal, gestão do impacto ambiental e metodologias de eficiência. “O leite de pastagem, devido às elevadas exigências na sua produção, é produzido em muitos poucos lugares no mundo” sendo a Irlanda e a Nova Zelândia os maiores representantes deste tipo de leite, “reconhecidos mundialmente por conterem lácteos de qualidade superior. Em Portugal, os Açores são um local privilegiado para a prática de pastoreio de vacas leiteiras, uma vez que graças à sua localização, o clima temperado oceânico – com temperaturas amenas e precipitações distribuídas ao longo de todo o ano – associada aos solos férteis, apresentam características climáticas únicas que permitem ao pastoreio de gado durante o ano inteiro. O leite de pastagem nos Açores, mais do que um produto, é um valor patrimonial da Região Autónoma dos Açores” afirmou António Pedro Escabeche.

Leite de explorações certificadas
Segundo Pedro Tavares, Presidente do Conselho de Administração da Unileite, o leite de pastagem “é um produto novo que vem de explorações certificadas. É uma mais-valia para os produtores, para a região e para os consumidores. É um produto que é acompanhado desde o seu início, a partir das análises dos solos, as fertilizações, os medicamentos aplicados na exploração. Além disso, tem mais garantias e um valor acrescentado. Certamente que terá riqueza para toda a região com os produtores e as indústrias”. Acrescentou que devido ao lançamento do novo produto, pretende-se honrar a história da Unileite e continuar na criação de novos produtos. “A oportunidade de acção é bastante forte e as condições já se encontram consolidadas quer ao nível de produção, quer na capacidade de transformação, quer no mercado. O leite dos Açores precisa de acentuar ainda mais a sua imagem.”
Segundo Pedro Tavares, “não basta dizer que temos o melhor leite”, sendo necessário o contributo de todos. “Com o leite de pastagem, valorizamos e honramos o património do leite açoriano”.

Leite NOVA AÇORES Pastagem:
da ideia ao projecto
Idealizado pela Unileite, o projecto foi realizado durante cerca de 2 anos, em parceria com a APCER – Associação Portuguesa de Certificação. Através desta parceria, foi possível criar um diferencial que definisse o conceito de leite de pastagem e as regras para a certificação deste produto, tendo assim surgido as Normas APCER 5011 e APCER 5012 “que estão de acordo com sistema nacional de certificação supervisionado pelo Instituto Português de Acreditação. No fundo, a Norma APCER 5011 define os critérios que as explorações aderentes a este tipo de produção de leite têm de cumprir para a obtenção da sua certificação”. Relativamente a alguns dos critérios, referiu a alimentação e a estabilidade do animal, a estruturas de armazenagem, a qualidade da água para os animais, a saúde e bem-estar animal, as boas práticas de ordenha, bem como seus equipamentos, o armazenamento do leite, a qualidade do leite entregue, entre outros. Após a aprovação desta norma, procedeu-se a uma avaliação por amostragem nas explorações. Numa 1.ª fase, foram consideradas habilitadas 37 explorações, representando cerca de 3 mil animais. Numa 2.ª fase, a Unileite, implementou a norma em mais 47 explorações. Até à data de hoje, “detemos 84 explorações, representativa de 6 mil animais e 56 milhões de litros por ano”. Segundo o Director Geral, o resultado constitui-se como relevante, “tendo em conta a forte componente alimentar baseada na alimentação à base da pastagem, os silos elevados, o nível do bem-estar dos animais e a qualidade do leite”. Relativamente à Norma APCER 5012, os critérios que as explorações têm que cumprir foram divididos em 40 itens. Seguem-se alguns exemplos dos mesmos: o processo de recolha e transporte do leite e a qualidade da infraestrutura fabril.

A “açorianidade” é a característica
de excelência
A representar a Confraria do Leite dos Açores, José Luís Vicente diz ser sempre um apreço presenciar mais um passo na creditação do leite. “Os Açores, desde cedo, que apostou na produção de leite, definiram a sua identidade ligada à natureza e às nossas pastagens.” Acrescenta que o arquipélago encontra-se na listagem de boas práticas de produção de leite. “Sempre fomos e sempre seremos leite de pastagem.” José Manuel Bolieiro, Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, felicitou a Unileite pela nova aposta e “pela surpresa do produto de excelência. A açorianidade é uma referência ligada à natureza e à nossa agro-pecuária. Faz parte da nossa identidade e da nossa história”. Para o edil de Ponta Delgada, a área dos lacticínios também reforça o turismo no arquipélago dos Açores, sendo um ponto de excelência.
O Governo Regional dos Açores, na pessoa do Presidente, Vasco Cordeiro, e do Secretário Regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, também marcou presença no lançamento do novo produto da Unileite. Para Vasco Cordeiro, “consumir leite é bom, consumir leite dos Açores é muito bom e consumir leite de pastagem dos Açores é melhor ainda”. Teceu uma palavra de enaltecimento à Unileite pela inovação. Para o mesmo, a implementação de novos produtos é um assumir daquilo que é nosso. “Este é um bom caminho e um bom rumo para a postura da matéria-prima que aqui falamos, que é o leite.” Frisou que os Açores têm capacidade para globalizar ainda mais os seus produtos, “mas que há ter consciência de um conjunto de temáticas no domínio dos mercados”. A transformação, segundo o Presidente do Governo Regional, deverá continuar a fazer parte das indústrias da região.


Benefícios do leite para a saúde
e algumas verdades “falaciosas”
Maria João Eleutério, Nutricionista do Hospital Divino Espírito Santo, marcou presença neste encontro procedendo a uma intervenção acerca dos benefícios nutricionais do leite, um tema que actualmente continua a ser muito debatido visto que há quem defenda que em idade adulta já não se deva consumir.
“Quando falamos sobre o leite, as opiniões divergem muito. Existem meias verdades e algumas falaciosas e é necessário saber o que nos diz a ciência em relação ao consumo do leite. O leite é um alimento natural. É simples, mas simultaneamente complexo pelos seus nutrientes, sendo rico em proteínas, hidratos de carbono e minerais” começa por explicar a nutricionista. Além disso, refere a importância: “o leite é o primeiro alimento com que o ser humano tem contacto e faz parte do início da vida do mesmo até a uma certa fase”.  
Continuando a falar sobre a composição do leite, refere que as suas proteínas são de alto valor biológico. A lactose é o principal hidrato de carbono do leite, mas no entanto, devido à deficiência na produção da lactase – enzima responsável da lactose – faz com que surja a tal intolerância à lactose. Apesar disso, o novo leite de pastagem também vai ter leite com 0% lactose.
O cálcio não poderia deixar de ficar de fora: “um mineral muito importante para a formação óssea nas idades mais jovens e estando no leite de origem animal, é muito mais bem digerido e absorvido. É verdade que também existe cálcio em produtos de origem vegetal, mas é mais fácil uma criança beber um copo de leite todos os dias do que comer 100 gramas de brócolos”. No entanto, a necessidade do cálcio vai variando ao longo de todo o ciclo da vida. À questão: o consumo contínuo de leite está relacionado com o aparecimento de doenças? A nutricionista responde não haver evidências científicas que relacionem a ingestão de leite com o surgimento de doenças. Relativamente à faixa etária que mais consome leite é faixa entre os 15 e 24 anos e a que consome menos vai desde os 55 aos 64 anos. “O leite é um alimento importante em todo o ciclo da vida”, conclui.

65 anos de história: diferenciação e inovação  
Fundada em 1954, a Unileite – União das Cooperativas Agrícolas de Lacticínios da ilha de São Miguel, “incorpora na sua matriz, os valores do cooperativismo”, tendo sido “criada pelos produtores de leite, que num ambiente de gestão democrática, tentam prosseguir a valorização do leite que produzem”.
A primeira fábrica foi instalada em Ponta Delgada. No entanto, deslocaram a mesma “para a maior bacia leiteira dos Açores, nas Arribanas”, nomeadamente, na freguesia dos Arrifes em 2000. Com “cerca de 700 produtores de leite e mais de 300 colaboradores”, a fábrica recebe e “transforma mais de 200 milhões de leite natureza em leite UHT para consumo, queijo, manteiga e natas”, representando 48% da produção leiteira só em São Miguel.
O actual Conselho de Administração, presidido por Pedro Tavares, cumpre um mandato de 4 anos iniciado no passado mês de Maio, “encerrando” o ano de 2019 com o lançamento do leite de pastagem. “Estamos optimistas para o ano de 2020. Vamos ver como é que corre. Claro que isso não se reflecte nem num dia nem num mês. Acreditamos que vai correr bem” refere o Presidente.
Como Cooperativa, Pedro Tavares explica que a Unileite “está sempre de mãos dadas com os seus produtores. Sabemos que o preço que é pago não é aquele que é necessário para satisfazer todos, mas à data não se conseguiu valorizar porque a partir da abolição das quotas, houve muita produção e infelizmente, com muita produção, o preço baixou bastante. Vamos ver se consegue valorizar isso no início do ano. Assim, como possível, como já foi anunciado reverte sempre a favor da produção pois neste momento não é aceitável que 1 litro de leite que um simples café.”
A maior dificuldade neste momento “é que a produção não está a receber pelo seu devido valor, mas há coisas que nos ultrapassa. Estamos a trabalhar no sentido de melhorar isso e estamos optimistas, apesar de não ser num tempo de curto prazo como desejaríamos, mas acreditamos que vamos chegar lá”. Sendo a agricultura um dos mais sectores económicos da região, Pedro Tavares diz que “como consumidores, temos que valorizar os nossos produtos, temos que lhes dar preferência até porque estamos aqui, vivemos em ilhas amigas do ambiente onde se produz leite 365 dias na pastagem”. Acrescenta que costuma dizer que “nós somos 9 pontinhos no meio do Atlântico, praticamente únicos, somos a única região que tem os animais 365 dias, por 24 horas por dia, nas pastagens”. Referindo que uma das bases da economia açoriana é os lacticínios, há que defender os produtos regionais e consumi-los.
Para além do Leite NOVA AÇORES Pastagem lançado ontem, já se encontram em estudo mais 2 produtos no leite e novos formatos de queijo, como nos explicou Pedro Tavares: “encontramo-nos diariamente a fazer estudos e a fazer parcerias, como o caso da parceria com a Universidade dos Açores, a trabalhar mais o marketing para novos produtos e para que possamos ir ao encontro dos consumidores e das novas tendências.”                                      

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Autor: Rita Frias

Categorias: Regional

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