13 de novembro de 2019

Prevenir e adaptar-se para um envelhecimento bem-sucedido

Nunca como hoje, se escreveu tanto sobre a idade sénior, as razões são sobejamente conhecidas, a sociedade portuguesa está na linha da frente do envelhecimento, não só à escala europeia como mundial. No entanto, a questão do envelhecimento é um amontoado de nebulosas: o que é ser velho, quando se fica velho? Há quem use os 65 anos, mas também a pensão de reforma, o ser avô, ou com o recrudescimento de problemas de saúde que dão pelo nome de diabetes, artroses, mal da próstata, sinais de demência, cataratas… Afinal de contas, o nosso corpo e espírito não envelhecem todo da mesma maneira, mesmo quando (o que não é comum acontecer) se praticam disciplinadamente estilos de vida saudáveis. O tirar partido da velhice é hoje matéria que enche os ecrãs do cinema, há protagonistas de telenovelas que parecem ser bons porta-estandartes dos sonhos de uma vida ativa, cheia de amor, de participação e com elevado grau de autonomia.
Antecipar, saber gerir o capital de saúde, parece ser a chave à procura da fechadura. Mesmo com boa gestão, pode bem acontecer que se perca autonomia com acidente do foro cardiovascular, por exemplo. Para quem mantém a curiosidade viva é mais fácil encontrar o equilíbrio entre o que se perde e o que se procura ganhar. Ah, há os problemas novos, os filhos longe ou distanciados de quem vive só ou num lar; há quem rejeite categoricamente ir para um lar, não aceita o ritmo que é exigido aos pensionistas, os horários rigorosos, a falta de atividades psicoterapêuticas, o passar imensas horas a ver programas de televisão que não têm nada de estimulantes.
É certo que vivemos num contexto pouco inclusivo, mas nós somos responsáveis também por procurar a inclusão, a comunicação intergeracional, ir ao encontro das ofertas das autarquias num conjunto de programas de acolhimento, há hoje apoio domiciliário para quem precisa e programas para combater a solidão.
O envelhecimento implica novos desafios para as políticas de Saúde: logo o procurar garantir a funcionalidade do sénior, facilitar-lhe diagnóstico precoce, enquadrá-lo, quando necessário, na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados; valorizar o papel do cuidador informal, sistemático ou não; dispor de serviços que contribuam para despistar a tempo os quadros de demência ou fazer retroceder os estados de depressão; rever a estrutura do SNS de modo a potenciar o trabalho em equipa dos médicos farmacêuticos e enfermeiros, facilitando a gestão da doença crónica no espaço farmacêutico; criar uma nova moldura para os cuidados aos seniores (lares e residências, centros de dia e centros de convívio, serviços de apoio ao domicílio, prestações sociais…); redinamizar o serviço de cuidados paliativos para seniores, incluindo o apoio à família e no luto; valorizar os telecuidados e a televisão interativa, pois estes permitem que as pessoas se mantenham independentes nas suas casas e satisfeitas com a possibilidade de comunicar com os médicos e outros profissionais de Saúde. Recorde-se que a Cruz Vermelha Portuguesa disponibiliza um serviço para garantir a assistência a seniores, integrando um conjunto de sensores e um dispensador de comprimidos. Com base na informação reunida por esses sensores e graças a uma plataforma integradora, a Cruz Vermelha pode ainda fornecer serviços de gestão domiciliária. É uma dimensão que deve ser alastrada, com uma vantagem que não é despicienda para o Orçamento de Estado: economiza gastos em Saúde. Há que depositar uma enorme esperança no digital para garantir aos seniores uma vida com mais qualidade.

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Categorias: Opinião

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