13 de novembro de 2019

Somos um povo

A criação do Conselho da Diáspora, pela Assembleia Legislativa Regional, no passado mês de julho, foi um momento importante da afirmação da universalidade da cultura açoriana, que está espalhada em várias partidas do mundo, onde quer que viva emigrado um açoriano. 
A sua aprovação pela unanimidade de todos os Partidos Políticos, com assento no Parlamento dos Açores, é disso um sinal claro, revertido no Decreto Legislativo Regional n.º 18/2019/A, de 5 de agosto findo.
O articulado daquele Decreto Legislativo esclarece o conceito de “Açoriano” como sendo todos aqueles que nasceram na Região, bem como os seus descendentes, os que são casados ou vivem em união de facto com um Açoriano e, bem assim, os que tenham vivido nos Açores mais de cinco anos, ou seja os que se sentem Açorianos. Por outro lado, importa salientar igualmente que não são apenas Açorianos os da 1.ª geração, como igualmente filhos, netos e bisnetos, descendentes de Açorianos de 5.ª ou de 6.ª geração.
Este Conselho será presidido pelo Presidente do Governo Regional e tem 36 membros, dos quais 19 eleitos pelos açorianos da diáspora, distribuídos por áreas geográficas onde a presença açoriana é mais expressiva, ou seja, cinco dos Estados Unidos, em que será um da Califórnia, um do Massachusetts, um de Rhode Island e dois em representação dos restantes estados norte-americanos. Por outro lado, outros cinco serão do Canadá, sendo um da British Columbia, um de Manitoba, um de Ontário, um do Quebeque e um em representação das restantes províncias.
Por outro lado, os açor-brasileiros estarão representados naquele Conselho também com cinco elementos, sendo um do Rio Grande do Sul, um do Rio de Janeiro, um de Santa Catarina, um de São Paulo e um em representação dos restantes estados brasileiros. A Bermuda terá um representante, o Uruguai também terá um conselheiro, um será do continente português e da Madeira, e por fim um representante do resto do mundo. 
Este Conselho poderá ser sinónimo da consciencialização coletiva de que, externamente, se possa aperceber que os açorianos constituem de facto e de direito um povo, com as suas caraterísticas identitárias próprias e uma cultura específica e, porque não mesmo chamar-lhe, de nação, palavra que vem do latim natio, de natus (nascido). 
É a consciência prática de que somos açorianos, estejamos onde estivermos e assim poder participar no projeto comum, dado que somos mais de milhão e meio espalhados por várias partidas no mundo, com uma identidade própria.
Em qualquer país ou região onde exista um açoriano, a sua presença e sua influência é por demais evidente, encontrando-se, por isso, muitos açorianos em lugares de destaque, numa clara evidência da sua talentosa afirmação em áreas como a economia, a criação de riqueza, a atividade académica, a justiça, a política, a tecnologia, a cultura, a intervenção social, dando cartas pela sua completa dedicação ao trabalho.
É fruto dessa plena integração nos países de acolhimento que encontramos, mormente, inúmeros empresários de sucesso, de políticos influentes, juristas de renome, sobretudo seja no Canadá, seja nos Estados Unidos da América.
Por isso, importa que todos esses açorianos possam participar de corpo inteiro no projeto açoriano, contribuindo, cada um, para o engrandecimento e desenvolvimento das nossas ilhas, construindo algo em comum, estando a representatividade neste Conselho plenamente assegurada para que todos se revejam nos seus contributos e aportações.
É, pois, de aplaudir a pretensão do Governo Regionalem promover políticas de envolvimento dos açorianos, quer dos residentes, quer daqueles que vivem espalhados por esse mundo fora e, nem por isso, se sentem menos açorianos do que nós que vivemos no dia a dia nestes torrões insulanos, contribuindo para o desenvolvimento da nossa Região.
 

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Categorias: Opinião

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