“Os açorianos não estão conscientes da diabetes e do seu impacto na saúde pública”, diz o médico Rui César

Segundo Rui César, Director de Serviço de Endocrinologia e Nutrição do Hospital Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, o tema escolhido para o Dia Mundial da Diabetes é “A Família e a Diabetes”. 
“As famílias devem ser incentivadas a aprender mais sobre os sinais de alerta da diabetes e descobrir no seu próprio seio o risco de ter diabetes tipo 2”, explica. Para o especial, o papel da família é crucial para estar mais sensibilizada sobre esta patologia. Uma das grandes preocupações é o reconhecimento de sinais perante um possível diagnóstico da diabetes. “Estudos realizados pela Federação Internacional de Diabetes mostraram que os pais estariam dispostos a fazer tudo para detectar a doença nos seus próprios filhos. Apesar da maioria das pessoas avaliadas terem um membro da família com diabetes, quatro em cada cinco pais, tiveram dificuldade em reconhecer os sinais de alerta. Um em cada três não os identificaria”, acrescenta.

A Diabetes Tipo 2, a nível regional, 
afecta mais de 20 mil açorianos.

“A diabetes é uma doença em que a pessoa vai ficando subnutrida. É necessário que as pessoas apoiem quem contém esta condição e que sejam solidárias com essas pessoas. Estas, diabetes, que estiveram habituadas a comer certos alimentos toda a vida, por vezes, sentam-se à mesa com outras pessoas e é um duplo castigo: primeiro, porque não pode comer o que quer; e segundo, porque os outros podem” explica o especialista. A Diabetes Tipo 2, a nível regional, afecta mais de 20 mil açorianos. “Mas estamos a falar dos que estão registados!” 
“As pessoas não compreendem que a diabetes mal controlada leva a que tenham menos anos de vida. A maior causa que leva à cegueira é a diabetes. As pessoas não estão conscientes da diabetes. Tive uma consulta, com uma doente diabética, de 68 anos, que faz 2 medicamentos para a gordura no sangue e 6 medicamentos para a diabetes. E quando chamei o marido para a consulta, porque geralmente ele não entrava, ele acabou por me dizer que ela bebia sumo todos os dias! As pessoas estão a brincar.” A obesidade encontra-se mais nas classes menos instruídas, havendo então uma educação alimentar. Existe uma necessidade de educação e consciencialização para facultar ajuda na identificação de sinais de alerta de diabetes.
Sem qualquer tipo de tratamento ou controlo, a diabetes contribui para o surgimento de outras complicações como a cegueira, a amputação dos membros inferiores, insuficiência renal, ataque cardíaco e acidente vascular cerebral.
Entre as 11h e as 14h de hoje, na ala norte da Igreja Matriz de Ponta Delgada, vão decorrer actividades de sensibilização relativamente ao Dia Mundial da Diabetes promovidas pelo Serviço de Endocrinologia e Nutrição do Hospital Divino Espírito Santo.

“Quando a cabeça não tem juízo”

Para celebrar a efeméride, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), com o apoio da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), da Sociedade Portuguesa Diabetologia (SPD) e do Instituto Mundipharma vão lançar hoje uma campanha digital com o mote “Quando a cabeça não tem juízo”. O objectivo consiste em reforçar a importância que “um estilo de vida mais saudável pode ter na prevenção da diabetes”. 
A música “O Corpo é que paga” de António Variações inspirou a campanha digital que “inclui cartazes, banners, conteúdos nas redes sociais das entidades que promovem a iniciativa e um vídeo de sensibilização para a doença. A campanha utiliza imagens do coração e dos rins, dois dos principais órgãos afetados pela patologia.” 
Em Portugal, estima-se que a patologia afecte cerca de 1 milhão de portugueses “de todas as idades e sabe-se que 30% das pessoas sofrem de AVC ou enfarte do coração têm a doença”. Relativamente às pessoas que fazem diálise, 40% deve-se também à diabetes.
Segundo José Manuel Boavida, Presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, a associação tem como “missão melhorar a qualidade de vida e bem-estar das pessoas com diabetes, de maneira a que a doença não constitua uma barreira no seu dia a dia. Unir forças permite-nos chegar mais próximo dos portugueses, pois todos juntos podemos e devemos travar a progressão da diabetes”.

Cerca de um em cada três portugueses
 adultos tem Diabetes ou pode vir a ter

Rui Nogueira, Presidente residente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, explica que os médicos têm um papel fundamental na questão de “educar os cidadãos para uma mudança do estilo de vida e comportamento alimentar, de forma prevenir a diabetes” visto esta ser uma questão de saúde pública.
Relativamente à realização da campanha lançada hoje, Rui Duarte, Presidente da Sociedade Portuguesa Diabetologia, refere que “As campanhas de sensibilização para a diabetes nunca são em demasia. Cerca de um em cada três portugueses adultos tem a patologia ou pode vir a ter.” A informação divulgada com factores de risco, prevenção e impacto que a diabetes pode ter na vida de uma pessoa é de extrema relevância.
“Enquanto parceiros da indústria, temos o dever não apenas de proporcionar um melhor acesso a medicamentos, mas também de apoiar a população a ter uma vida melhor. Esta campanha manifesta o nosso contributo para uma sociedade mais saudável. Queremos alertar para esta patologia que, diagnosticada precocemente, convenientemente tratada e controlada, evita complicações que podem ser graves incluindo insuficiência renal ou AVC”, explica Sofia Ferreira, Country Manager, porta-voz do Instituto Mundipharma.
                                              
                                       

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Autor: Rita Frias

Categorias: Regional

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