15 de novembro de 2019

Dinâmicas políticas regionais

O próximo ato eleitoral que o país vai conhecer, será a eleição de cinquenta e sete parlamentares para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores – ALRA. Daquele número, cinquenta e dois sê-lo-ão por uma das nove ilhas, e cinco através de um circulo de compensação que “aproveita” os votos que não são suficientes para eleger um representante por uma ilha. Com as suas limitações, este é, sem dúvida, o melhor sistema eleitoral do país, por permitir que partidos políticos com menor expressão eleitoral, possam, através do círculo de compensação, ambicionar um lugar no hemiciclo regional. Assim tem acontecido, o que é bom para a democracia parlamentar e representativa, para os eleitores – que percebem que um voto conta – e para os eleitos que, desta forma, asseguram uma maior representatividade da população açoriana. 
Este próximo escrutínio acontecerá num momento de enormes convulsões dentro de algumas forças partidárias, pelo que esta análise é feita à distância de um ano. A situação, entretanto, poderá mudar. Ou não. O primeiro a definir a sua situação será o PSD. Com eleições diretas marcadas para dezembro e a entronização do líder agendada para o congresso a ter lugar em meados de janeiro, os sociais-democratas açorianos continuam sem ter um candidato. Pelo menos, um candidato – ou candidata – que o diga. Em abono da verdade, é justo afirmar que as circunstâncias não são as melhores. 
Segundo os órgãos de comunicação social, não há, ainda, qualquer pretendente assumido ao lugar mais alto do partido de Mota Amaral. Nem mesmo o presidente cessante, Alexandre Gaudêncio, com contas a prestar à justiça, esclareceu já a opinião pública do que irá fazer. Outros nomes, como Nascimento Cabral, que perdeu recentemente para o autarca ribeira-grandense, ou até José Manuel Bolieiro, atual autarca de Ponta Delgada, têm sido perfilados por terceiros, nomeadamente através da imprensa. A realidade é que, à data em que escrevo, não há quem se assuma como candidato a liderar uma lista de deputados e, vencendo, assumir o papel de presidente do governo regional. 
À imagem dos sociais-democratas, também os centristas passam por momentos conturbados. Seguindo as pisadas do partido em termos nacionais, na região as dificuldades de passagem da sua mensagem avolumam-se com as guerras que o seu líder tem construído ao longo dos anos. A sua intervenção resume-se a uma ilha, deixando sem qualquer representação o restante arquipélago. Um partido cada vez mais unipessoal, no qual convergem diferentes posicionamentos ideológicos e estratégicos, que levou já à passagem de uma parlamentar à situação de independente. As posições contraditórias acerca da marcação do congresso, entretanto cancelado para data a anunciar, não auguram nada de positivo para este partido, cujas responsabilidades diminuem, ao mesmo tempo que tem diminuído a sua abrangência na sociedade. 
Os socialistas parecem bem encaminhados para mais uma vitória eleitoral. Apesar do normal desgaste do poder, têm mantido a estabilidade interna e, externamente, têm vencido eleição atrás de eleição, o que representa a anuência do povo às suas opções políticas. Quanto ao BE e o PCP, será interessante ver como reagirá o eleitorado, depois de se terem conformado ao arco da governação na República. Por último, o PAN poderá, aproveitando a compensação, ser uma surpresa, usufruindo do elã nacional.  Contas que se poderão confirmar ou não. Daqui a um ano saberemos.
13/10/2019

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Categorias: Opinião

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