Grupo Finançor inaugura investimento de 15 milhões de euros em novo complexo industrial

O Grupo Finançor comemora este ano 65 anos e inaugurou ontem o novo complexo industrial em Ponta Delgada que, juntamente com a modernização da fábrica de rações da Lagoa, representou um investimento de 15,5 milhões de euros. 
Uma nova moagem, uma nova fábrica de bolachas e uma nova unidade de padaria/pastelaria, juntamente com a modernização e ampliação da fábrica de rações da Lagoa, fazem parte dos investimentos que foram considerados PIR – Projecto de Interesse Regional. 
Na cerimónia de inauguração do projecto, o Presidente do Grupo Finançor, José Manuel Braz, referiu que a empresa tem desenvolvido uma actividade “sempre na procura de soluções que permitam alcançar padrões de qualidade compatíveis com necessidades dos nossos clientes industriais e todos os consumidores em geral”.
Deixando um agradecimento “aos profissionais que trabalharam incansáveis durante mais de um ano”, José Manuel Braz lembrou que “ao longo dos tempos, sobretudo nas últimas décadas, efectuou investimentos, sempre de uma forma prudente, com sucessivas remodelações dos seus equipamentos industriais, de modo a incorporar as melhores tecnologias disponíveis nos diversos sectores agro-alimentares, culminando com a construção deste conjunto fabril, totalmente novo”, concluiu.

40 milhões de euros nos últimos 3 anos
Coube a José Romão Braz, Vice-presidente do Grupo explicar os vários investimentos do Grupo que nos últimos três anos ascenderam aos 40 milhões de euros.  
O complexo industrial de Ponta Delgada foi considerado “o mais emblemático dos últimos anos” e o Vice-presidente do Grupo realçou a celeridade com que se desenvolveu, desde a intenção de construir o novo empreendimento até à sua conclusão. José Romão Braz destacou que no espaço de seis meses foi possível aprovar todas as candidaturas a que o projecto se submeteu, nomeadamente ao nível do reconhecimento PIR e aos fundos do Competir+. Já no que diz respeito ao programa Prorural, a aprovação das candidaturas não foi tão célere e há projectos com candidaturas submetidas desde 2017 e que ainda não tiveram resposta.
Mas quanto ao novo Complexo Industrial, “ao adjudicar a construção, um ano depois estava concluído o grosso”, referindo que todo o processo não foi fácil já que foram usadas peças das anteriores fábricas que foram sendo desmontadas da antiga localização e montadas no novo local. 
Além da moagem, nova fábrica de bolachas e padaria/pastelaria em Ponta Delgada, a fábrica de rações da Lagoa recebeu um investimento numa nova linha de granulação, novos silos, armazém de matéria-prima e ficou totalmente automatizada. Para tal, o projecto contou com um incentivo não reembolsável de 4,8 milhões de euros, que corresponde a 31% do investimento.
Outro projecto do Grupo foi o investimento de 1,4 milhões de euros para a remodelação da Salsiçor em São Miguel, que teve apoio de 0,2 milhões de euros do Competir+ e ainda está à espera de aprovação da candidatura do Prorural, que foi submetida em Outubro de 2017.
Já a nova unidade da Salsiçor na ilha Terceira representou um investimento de 4 milhões de euros, que juntamente com o novo entreposto logístico de São Jorge, obteve apoios do Competir+ na ordem dos 36%.
Ao nível da suinicultura, o Grupo Finançor adquiriu recentemente “a segunda maior exploração de suinicultura dos Açores e fizemos tudo de raiz”, o que representou um investimento de mais de 3 milhões de euros, juntamente com melhorias na Agraçor. A candidatura ao Prorural representou 19% do total do investimento.
Na área da avicultura, de acordo com José Romão Braz, houve um investimento de 2 milhões de euros, com apoios em 21% do investimento, passando agora a empresa a ter uma nova unidade de galinhas de reprodução “e vamos ficar auto-suficientes na produção de ovos de incubação e nos Açores não há nenhuma empresa com galinhas reprodutoras”.
O Grupo está também presente na hotelaria, tendo investido nos últimos anos 4,2 milhões de euros nas três unidades hoteleiras que dispõe, localizadas em São Miguel, Terceira e Faial. José Romão Braz ressalva aqui a reclassificação do Hotel Angra em hotel de 4 estrelas e a sua renovação completa. O investimento total teve apoios na ordem dos 30%.
O Vice-presidente do Grupo Finançor destacou ainda o projecto de aquacultura que complementa uma maternidade de peixe e um laboratório de algas, na Pranchinha em Ponta Delgada e a produção de peixe na Ribeira Quente. 
“Estamos a fazer dois testes. Um é testar a ancoragem e também estamos a testar em termos biológicos a produção de lírio. Já temos peixe na água desde Janeiro de 2019 e já há peixes com mais de 1 quilo”, explicou. Salientou, no entanto, que este projecto de investigação “ainda não sabemos se tem escala comercial”.
O Grupo está também a testar algas para alimentação animal, alimentação humana e cosmética, na Ribeira Quente, em São Miguel, Porto Martins, na Terceira, e Feteira, no Faial. Nomeadamente a tentativa de testar uma alga para alimentação de bovinos que diminui a produção de metano. 
Um projecto que representa um investimento de 3,5 milhões de euros, apoiado por várias candidaturas a apoios que totalizam 2,5 milhões de euros, 60% do investimento total. “Faltam ainda dois anos de testes para saber se vão continuar, se vamos parar ou dar-lhe uma vertente comercial”, concluiu o Vice-Presidente do Grupo.

Aproveitar todos os fundos comunitários
Presente na cerimónia de inauguração do novo Complexo Industrial esteve o Presidente da Câmara de Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro, que congratulou o Grupo pelo arrojo e investimento.
Por seu lado o Presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, elogiou o Grupo Finançor por ter “sabido vencer os desafios com que se tem confrontado, demonstrando uma notável capacidade de adaptação” à evolução dos tempos. 
O novo Complexo Industrial é “um novo ponto de partida com vista ao reforço da competitividade da capacidade de produção e da presença no mercado”, reforçando condições para exportação que vão ao encontro da estratégia do Governo de valorização dos produtos regionais, nomeadamente através da Marca Açores.
Vasco Cordeiro salientou que nos primeiros nove meses deste ano as exportações de produtos açorianos cresceram 29% face ao mesmo período do ano anterior enquanto as importações reduziram 34%.
E acrescentou que a Região possui “um dos mais abrangentes e atractivos sistemas de incentivos ao investimento das União Europeia, temos impostos significativamente mais baixos do que o país e do que a União Europeia, um sistema de benefícios fiscais ao investimento que permite uma redução adicional da quase totalidade do IRC reinvestido e medidas únicas de apoio à criação de emprego”, mas a Região não se fica por aqui.
Neste sentido, referiu que o Plano e o Orçamento para o próximo ano vão permitir aproveitar, “até ao último cêntimo”, todos os fundos comunitários do actual Quadro Comunitário de Apoio, “e que se têm mostrado importantes para o caminho de desenvolvimento que temos percorrido”.
Vasco Cordeiro falou também do PIB na Região, que de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, “registou um crescimento médio de 2,5 por cento nos últimos três anos, enquanto o país registou uma média de crescimento de 2,1 por cento”.
Vasco Cordeiro referiu que o investimento agora inaugurado constitui “um bom exemplo da parceria que se tem estabelecido entre as entidades públicas e privadas na Região”, que tem no sistema de incentivos ao investimento privado Competir+ uma das suas faces mais visíveis. Tendo já sido candidatados mais de 1.200 novos projectos de investimento no âmbito do Competir+, “que representam mais de 530 milhões de euros de novos investimentos empresariais na nossa Região, e que prevêem a criação de quase 2.900 novos postos de trabalho a tempo inteiro”, concluiu. 

           
 

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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