Nicho de Nossa Senhora da Graça totalmente queimado supostamente por vândalos

A população do Rosário da Lagoa está em choque. O nicho com a imagem de Nossa Senhora da Graça amanheceu todo queimado, provavelmente um acto de vandalismo.  A imagem não é a original, que fori no século passado destruída por um não católico, mas de imediato substituída, mantendo-se até agora, desconhecendo-se se será possível a sua reparação.
O espaço onde se encontra o nicho com a imagem é amplo, fora recentemente todo pintado, assim como o gradeamento que separa o espaço das flores do nicho. O lugar onde são colocadas as velas fica no exterior, daí ser impossível, dizem os populares, o fogo ter-se propagado a partir delas. Todos os dias, aquele espaço é limpo por uma devota de Nossa Senhora da Graça, que com muito brio e cuidado extremo renova as flores, retira a cera e limpa a área. Todos lhe reconhecem a devoção e como o nicho durante anos não teve dono, mas sim cuidadores [agora está a cargo da paróquia de Nossa Senhora do Rosário] é, pelas mãos de Ressurreição Soares Pimentel que o espaço tem vindo a manter-se sempre em condições. Esta devota ontem ao comparecer no local estava em choque, assim como muitos populares que ali se dirigiram e manifestavam-se indignados com tal violência sobre uma imagem. Era visível a consternação das pessoas. 
A Senhora da Graça é um lugar de preces e de agradecimentos e durante décadas, principalmente na última metade do século XX, pessoas de vários lugares da ilha integravam peregrinações para orar e/ou agradecer as graças recebidas. Ainda hoje em dia, é habitual ver pessoas junto ao nicho a rezar, a colocar velas e flores. É habitual ver os habitantes da localidade, católicos, benzerem-se quando passam pelo nicho, quer a pé quer de carro.
São também muitas as pessoas que oferecem objectos preciosos de agradecimento a Nossa Senhora da Graça, embora antes houvesse maiores dádivas. Este nicho ao longo dos tempos foi alvo de roubo, houve pequenos incidentes com velas que deixavam a sua marca de negrume nas paredes brancas, mas não se conhece nenhum acto da natureza do que aconteceu na madrugada de anteontem. Nas proximidades existem casas mas ninguém ouviu qualquer barulho. Desconhecem-se as causas do suposto acto de vandalismo e/ou os autores de tais actos. 
O Diário da Lagoa em 2018 deu conta de que segundo a historiadora Susana Goulart Costa, a fundação do Nicho invocado a Nª Sª da Graça, está directamente relacionada com o início da Guerra Colonial. Tal como escreveu a historiadora, “Com efeito, a partir de 1961, o padre Mariano Furtado Mendonça, pároco da Igreja de Nª Sª do Rosário entre 1946 e 1976, passou a fazer referência aos soldados que estavam no Ultramar durante a Eucaristia que celebrava no adro da Igreja, depois da procissão dedicada a Nª Sª do Rosário. O agudizar desta guerra, aumentou a sensibilidade da comunidade local para com o conflito e, em 1963, o lagoense José Vieira tomou a decisão de construir um nicho que apelasse à Graça de Nª Sª, para salvar os soldados envolvidos na Guerra Colonial”. 
Susana Goulart Gosta escreveu que “este primeiro “patrono” individual, trabalhava nos térreos de vinha e João Carlos Furtado Moniz, os quais se localizavam precisamente onde hoje se encontra a praça e o bairro de Nª Sª da Graça, que herdaram o nome do Nicho que lhes é fronteiro. A obra de José Vieira, que nunca se assumiu como seu proprietário, foi inaugurada a 8 de dezembro de 1963, com a presença de personalidades locais, das crianças das duas escolas da freguesia do Rosário (Escola do Sotorro e Escola Jácome Correia) e da Mocidade Portuguesa. 
Ao longo do curso da Guerra do Ultramar, Nª Sª da Graça foi particularmente venerada pelos lagoenses e não só. A oferta de vários bens, nomeadamente peças em ouro, prata e outros materiais, o acender de velas e a reza do terço junto do Nicho, tornou-se um hábito, que ainda hoje se mantém. Contudo, alguns anos depois da inauguração, a escultura foi destruída por um iconoclasta, o que significa que a qual imagem não é a original da década de 1960.  
A primeira imagem foi feita por Luís Gouveia (Sr. Luizinho), enquanto a actual imagem, terá sido adquirida a uma fábrica em Braga.
Prossegue a historiadora, nas páginas do Diário da Lagoa, que “entre a data da sua inauguração e o final da Guerra Colonial, a manutenção do Nicho terá sido assegurada por José Vieira. A partir de 1975, a sua gestão passou a ser efetuada pela empresa Andrade & Irmão Lda, embora não fosse a entidade proprietária. Nos inícios da década de 1980, esta empresa realizou algumas pequenas obras no Nicho, criando um arco gradeado defronte da reentrância inicial, de forma a proteger mais eficiente o espaço original, que ocasionalmente era alvo de furtos”.                   

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