Sandro Ferreira, Presidente da Junta de Freguesia das Furnas

“Furnas é uma freguesia com problemas de cidade”

Estando já no seu segundo mandato como Presidente da Junta de Freguesia das Furnas, quais as dificuldades que encontrou quando tomou posse?
Quando fui eleito em 2013, a principal dificuldade foi a falta de experiência política, mas com o decorrer do tempo, a adaptação à realidade torna-se mais fácil e claro, que há sempre assuntos que quando estamos por fora pensamos que são de fácil resolução, mas depois não é bem assim na realidade. Somos um país muito burocrático, por vezes as dificuldades são maiores na solução do que no problema, por vezes.”

Fez parte de algum outro executivo na Junta de Freguesia?
 “Não nunca pertenci a outro executivo da Junta, apenas fiz parte da Assembleia de Freguesia de 2005 a 2009.

Desde o primeiro mandato, o que foi feito que considere importante?
Estivemos praticamente um ano ou dois a perceber e reestruturar o funcionamento da Junta de Freguesia, demos uma nova imagem à sede da Junta, juntamos a delegação da Câmara Municipal no mesmo edifício da Junta, centralizando os serviços. No Jardim da Alameda, o nosso responsável de jardinagem Fernando Costa (jardineiro chefe do Parque Terra Nostra) deu um novo visual ao jardim, construímos o primeiro Paludário no país, com todas as espécies de peixes que as nossas lagoas têm e já é um ponto de paragem para quem nos visita. O Parque de Merendas também foi intervencionado onde construímos um quiosque de apoio, mais mesas e churrasqueiras, fornos e mais recentemente, uns bungalows com casas de banho e balneários, que serão concessionados nos próximos anos. Duplicamos os apoios às nossas instituições, em relação ao que era habitualmente atribuído. Manutenção do vasto património da Junta. Encurtamos as relações institucionais com Câmara Municipal e Governo Regional, tudo dentro da nossa jurisdição, que é pouca para as responsabilidades que as juntas de freguesia têm.

Está a meio deste segundo mandato. O que falta ainda fazer?
Existe sempre muito a fazer, neste segundo mandato temos alguns grandes objectivos, a construção e concessão das piscinas no Jardim da Alameda que já está em fase final de projecto e é um dos objectivos, vai trazer mais postos de trabalho e mais riqueza a uma zona que neste momento é apenas um «ervado». Será um concurso público de construção e concessão e temos a colaboração da Câmara Municipal da Povoação na elaboração do projecto. Outro grande objectivo e preocupação é a criação de habitações permanentes, para jovens casais e não só, que neste momento têm muita dificuldade em encontrar habitação na Freguesia por causa do alojamento local, sendo que as poucas habitações que existem, as rendas são elevadas. Neste sentido, estamos trabalhando junto da Câmara Municipal e da Direcção Regional da Habitação e estamos em fase já adiantada das necessidades da Freguesia, sendo que ainda neste mandato deveremos ter esse problema minimizado. Um outro objectivo que temos vindo a trabalhar com as entidades governamentais e Câmara Municipal é o trânsito e estacionamento local. Com o aumento do parque automóvel turístico, o fluxo diário de trânsito na Freguesia aumentou bastante, trazendo um transtorno diário aos residentes furnenses, pelo que foi criado recentemente um grupo de trabalho, que fazem parte a Junta de Freguesia, a Câmara Municipal, o Governo e a PSP, com o intuito de estudar e apresentar soluções para resolver os problemas de trânsito e estacionamento.

Como caracteriza a freguesia que dirige?
A freguesia das Furnas é, como se costuma dizer, a sala de visitas dos Açores. Digo sempre, que todo o turista que aterra no aeroporto João Paulo II vai até às Furnas e a imagem que leva das Furnas só pode ser excelente e isso traz uma responsabilidade maior às entidades, porque temos a obrigação de manter, em excelência, os espaços públicos e fornecer os serviços, da melhor forma possível, sendo essa a imagem que levam para o exterior. Mas, a freguesia das Furnas, apesar de ser uma Freguesia turística, em que 80% da economia, directa e indirectamente, gira à volta do turismo, também temos a responsabilidade de proporcionar o bem-estar dos furnenses e para isso temos sempre de saber gerir as duas partes, o turista e o local. As Furnas é uma Freguesia com problemas de cidade.

Qual é o orçamento da Junta de Freguesia?
O orçamento da Junta de Freguesia anda sempre à volta de 120 mil Euros, sendo que depois de retirarmos as despesas correntes, onde se inclui vencimentos, segurança social, seguros, manutenção dos edifícios etc, sobram cerca de 40 mil Euros para investimentos. No ano de 2020, o orçamento estará mais virado para a parte social, ou seja, vamos criar, por exemplo, uma bolsa de apoio para estudantes universitários, apoio na alimentação dos alunos do 1.º ciclo escolar, junto da Santa Casa da Misericórdia apoio na alimentação de idosos, aumentar as actividades culturais e apoios a entidades sociais.

O principal problema na freguesia tem sido a falta de estacionamento. Há algum projecto em carteira que possa vir a contornar essa situação?
 Como já referi, em questão anterior, existe um grupo de trabalho recentemente criado para estudar esse problema e tanto a Junta de Freguesia como Câmara Municipal e o Governo Regional têm a preocupação de resolver o problema. Neste sentido existem algumas soluções, como a criação de parques de estacionamento de grande dimensão fora da Freguesia e transporte de mini bus pela Freguesia com percursos que irá tirar trânsito e diminuirá o fluxo, mas ainda está em fase de estudo e viabilidade.

A Junta de Freguesia tem quantos colaboradores?
A Junta de Freguesia neste momento tem 2 funcionários efectivos, um administrativo e um jardineiro, sendo que habitualmente recorremos a programas ocupacionais para reforçar trabalhos de jardinagem, e actualmente temos mais dois colaboradores nessa situação. Poderíamos ter mais um contratado, mas as leis actuais não permitem que façamos mais contratos.

Como está a freguesia em termos de unidades de alojamentos locais. Têm surgido muitos pedidos, ou nem por isso? Daquilo que tem conhecimento, quantos deverão existir, nas Furnas?
 Os alojamentos locais são da responsabilidade Municipal, a Junta de Freguesia não tem parecer nos pedidos, e actualmente, segundo os dados que temos, andará à volta de 80 unidades de alojamento local.

A sazonalidade já não é o que era, concorda?
 A sazonalidade ainda existe, mas não como era há alguns anos atrás. Antes tínhamos os meses de Julho e Agosto como época alta, e o resto do ano era época baixa. Agora, continuamos com os meses de verão praticamente com «lotação esgotada» e o resto dos meses com uma excelente afluência turística. O que é excelente, porque os negócios à volta do turismo tendem a crescer e com isso, os postos de trabalho também e as pessoas conseguem no fim do mês ter a sua independência financeira, e isso é o que nos deixa felizes.

Como surge o Vale Formoso no seu percurso?
O Futebol Clube Vale Formoso surge na minha vida como, costumo dizer, ainda nem tinha nascido. O meu pai foi jogador, treinador, presidente, entre outras funções, no Vale Formoso, e eu cresci indo desde miúdo com o meu irmão aos treinos e aos jogos. Por vezes até ia às reuniões, queria ir e chorava quando meu pai não me levava. Depois, quando tive idade fui jogador, entretanto ingressei na Força Aérea Portuguesa e estive 4 anos por fora, regressei e abracei a presidência do Vale Formoso, e desde 2003 que tenho essas funções. Adoro o dirigismo e neste momento o Vale Formoso tem uma enorme projecção regional, nacional e nas nossas comunidades.

Fora da espera do executivo, o que faz?
Fora do executivo é difícil arranjar tempo disponível para poder, pelo menos, descansar. Quando o tempo sobra tenho a presidência do Vale Formoso, o cargo na Casa de Povo das Furnas também, e desde há 3 anos que sou Delegado Representante de Clubes Distritais e Regionais na Federação Portuguesa de Futebol, isso claro, conciliado com a minha actividade profissional, operador de central na EDA.

Como consegue conciliar todos estes cargos?
Ninguém consegue sucesso sem ter equipas de trabalho boas por detrás, e eu sem essas pessoas, que trabalham comigo, não conseguia trabalhar e conciliar todos os cargos. Por isso, tenho a sorte de ter essas pessoas, que muitas vezes trabalham no anonimato e estou sempre agradecido a todos e todas elas, porque a causa, seja ela qual for, é para a nossa comunidade que se trabalha.

Do tempo que lhe resta, o que mais gosta de fazer?
O tempo que me resta, que como se pode deduzir, é curto. No entanto, o que mais gosto de fazer é estar com os meus filhos e esposa, porque estes são os mais prejudicados com as minhas actividades todas. Felizmente eles são quem me dão mais apoio e força para continuar.

 

Print

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima