Antibióticos “só prescritos pelo médico e apenas em último caso”

Aproveitando o assinalar do Dia Europeu do Antibiótico, através de um breve inquérito de rua realizado em Ponta Delgada, conseguimos perceber algumas das opiniões da população em relação ao consumo deste tipo de medicamentos.
Assim, entre os quatro entrevistados, a opinião mais comum foi a de apenas tomarem antibióticos quando necessário, havendo no entanto uma tendência para acreditar que alguns medicamentos caseiros podem ser fundamentais para evitar que algumas doenças evoluam para estados mais sérios.
É o caso de Catarina Soares, com 41 anos de idade, que apesar de afirmar que adoece com alguma frequência no Inverno, recorrerá a antibióticos “apenas em último caso”, optando entretanto pelo consumo de “chá com limão e gengibre e pelos remédios antigos que as nossas avós faziam, como o xarope de cenoura”, receita esta que é popular na sua casa também quando a filha adoece.
“Há uns tempos a minha filha teve uma tosse um pouco mais forte, experimentámos uma grande variedade de medicamentos e xaropes incluídos mas não melhorava. Por isso fizemos o xarope de cenoura com açúcar e resultou, e mesmo quando estamos a falar de infecções na garganta só recorremos a antibióticos em último caso”, contou.

A importância de um estilo de vida saudável
No caso de Emanuel Amaral, com 43 anos de idade, o consumo de antibióticos surge também apenas se o médico receitar, uma vez que acredita que, por vezes, o seu consumo não seja realmente necessário mas sim uma estratégia da indústria farmacêutica “que comanda tudo e tem um medicamento ou antibiótico para tudo”.
Acredita no poder dos antibióticos naturais, como o são, na sua opinião, “o mar e os alimentos com muita qualidade, desde a carne aos vegetais”, salientando que a saúde das pessoas existirá mediante a qualidade de vida que têm.
“Mais do que tratar as doenças devemos apostar na prevenção acima de tudo. Tomo antibióticos muito raramente, talvez de dois em dois anos (…), tento não ter muitos factores de risco associados, se bem alguns não consigo evitar, como o facto de não me mexer muito e, apesar de tentar comer bem, por vezes acontece não comer a horas, mas isso é derivado à profissão”, diz.
Também em relação à filha tenta “implementar alguns hábitos saudáveis, como o consumo de fruta”, mas adianta que esta é uma missão difícil, principalmente com aqueles filhos que estão na adolescência.

“Não me lembro da última vez que tomei 
um antibiótico”
Outro dos nossos entrevistados, Jack Brama, com 60 anos de idade, revela que nem é capaz de recordar a última vez que tomou um antibiótico, já que este é um tipo de terapêutica que evita a todo o custo, preferindo até “segurar a dor” e encontrar alternativas para amenizar o sofrimento.
É, aliás, dador de sangue há cerca de 40 anos, e sempre que tem uma gripe o remédio é o mesmo: Chá de limão e um bocadinho de aguardente, uma estratégia que “tem funcionado” em conjunto com a prática regular de actividade física.
Nutre-se também de um suplemento vitamínico todos os dias, algo que considera “fazer a diferença” em conjunto com a alimentação saudável, maioritariamente à base de peixe e legumes, de que também é fã.
“Todos os dias tomo vitaminas. Para mim faz diferença, (…) de tal maneira que só tomo antibióticos em casos extremos. Aliás, desde que vim de África nunca tomei antibióticos, já nem me lembro da última vez que tomei um antibiótico e em África não havia medicamentos sequer.
Procuro ter uma alimentação saudável, até porque não como carne, só como peixe. Como carne somente quando sinto que o organismo pede e já cultivei até os meus próprios legumes, mas agora de Inverno compro tudo no mercado”, conta.

O poder da “pseudo-medicina”
Por outro lado, e apesar de reconhecer que adoece frequentemente, Diogo Silva, com 22 anos de idade, mostra-se mais céptico em relação à medicina caseira, preferindo por isso atacar de imediato as doenças com anti-inflamatórios e, quando prescrito pelo médico, antibióticos.
“Costumo adoecer com frequência, desde pequeno que sempre tive a tendência para ficar doente. Tenho tendência a ter muitas gripes acompanhadas de febres, e sempre que fico doente costumo atacar logo com anti-inflamatório para evitar que piore”, diz.
Em relação aos antibióticos, afirma que não lhe incomoda tomar a medicação que tiver como necessária, afirmando que não se sente em posição para colocar em causa a as decisões das equipas médicas.
“Não tenho estudos suficientes para afirmar se a toma de antibióticos influencia ou não a resistência do organismo, mas se um médico me receita um antibiótico eu vou assumir que necessito dele. Não vou colocar em questão a palavra de uma pessoa que tem estudos sobre isso quando eu não tenho estudos sobre o assunto”, explica.
Quanto às medicinas mais tradicionais, classifica-as como “pseudo-medicina” e como “o resultado do censo comum e não propriamente de um estudo bem feito”, clarificando que, na sua opinião, estará em causa o “efeito placebo” que, àqueles que acreditam no poder destas receitas caseiras, traz a cura.
Joana Medeiros
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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