“Vivemos uma época em que a globalização impera onde a nossa visão da história está em perigo...”

 Conforme em primeira mão o “Correio dos Açores” noticiou, João Carlos Abreu, colaborador do nosso diário, recebeu, no passado sábado, em Florença, o Prémio Europeu “Lorenzo il Magnifico”, da Academia Internacional de Medicea. 
A cerimónia decorreu no salão nobre “Cincocento” do Palácio Vecchio, cujas paredes e tetos sustentam excelentes pinturas e tudo, em toda à volta do salão, apresenta esculturas impressionantes, de grandes escultores italianos. E à entrada vê-se a célebre estátua de David, de Michael Ângelo.
Nesta XXXIV edição do Prémio foram distinguidas quatro personalidades: 
Luciano Artusi – prestigiado jornalista e historiador florentino; Nicola Bramante – arquiteto, ex-professor universitário, com uma obra notável na recuperação do património italiano na América Latina; João Carlos Abreu – jornalista, poeta, escritor, com uma reconhecida obra no campo político e social; e Eike Schmidt – diretor da famosa “Galleria Degli Uffizi” de Florença.
Todos os distinguidos têm tido um trabalho importantíssimo nas áreas da cultura, no campo social e político, cujos reflexos beneficiam as sociedades nas quais se integram.
    A cerimónia, a que assistiram centenas de convidados, foi presidida por vários Académicos, tendo a Presidente da Associação Internacional de Medicea, Dr.ª Anna Frabetti, abrilhantado a sessão solene com a sua presença.
Intervieram na cerimónia, como oradores, o Dr. Roberto Ariani, que explicou a importância do prémio, que também foi atribuído a Gorbatchov e a Mitterrand, entre muitas outras personalidades do mundo da cultura e da política, o Dr. Eugénio Giani, Presidente do Conselho Regional da Toscana e o Prof. Doutor Frederico Napoli, que dissertou sobre as relações entre Lorenzo, Duca di Urbino e Machiavelli.
A Orquestra Juvenil de Florença interveio, com um ótimo programa, adequado à cerimónia: L. van Beethoven – O tempo da Sinfonia n.º 1; J. Sibellias – Impromptu para arcos e, por fim, J. Brahms – Dança húngara n.º 5. A orquestra foi dirigida pela conhecida Maestrina Janet Zadow.
João Carlos Abreu, no seu discurso de agradecimento, referiu a Madeira, uma terra cuja beleza se agiganta aos olhos dos visitantes.
Ao falar de Roma afirmou que grande parte da sua cultura foi adquirida naquela cidade, onde em cada recanto se respira o peso da história.
Disse: “Vivemos uma época na qual a globalização impera, onde a nossa visão de história está em perigo, pois tudo parece conduzir-nos a esquecer parte da existência humana como irrelevante”.
Referiu-se à necessidade de se construir um “Mundo Melhor”, mesmo parecendo utópico é possível, desde que todos os responsáveis e os governos se empenhem para a concretização dessa realidade, tão desejada e sonhada.
Depois mencionou o ambiente, expressando-se com preocupação: “Consciente da degradação do ambiente, preocupa-me o que representa para a humanidade o flagelo que se antevê”, deixando prever o que poderá acontecer ao nosso planeta, e acrescentou: “Tudo o que sucede ou poderá acontecer será sempre por culpa de todos os homens, porque somente todos, juntos, munidos de um espírito de defesa, poderemos salvar o mundo”.
Terminou agradecendo à Academia a distinção recebida, curvando-se, respeitosamente, perante todos os ilustres académicos e respetiva presidente, pelo trabalho por eles feito em prol da humanidade, tornando-a mais culta e dialogante; ajudando a salvar patrimónios que podiam perder-se na poeira dos tempos.
Para a comitiva que o acompanhou, e todos os convidados, teve palavras de apreço e carinho.
    Felicitamos novamente o nosso colaborador por tão importante distinção, que muito o prestigia, mas também o nosso país, sobretudo a Madeira, pondo-a, assim, em destaque, sendo o  primeiro português a receber este prémio.

De Florença, especial   para o “Correio dos Açores” de A. F.
 

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima