Menus especiais reúnem no restaurante Paladares da Quinta “de tudo um pouco daquilo que os Açores têm de bom”

Mercado dos Açores é o nome do projecto que, ao longo de cinco semanas, promove o “Roteiro da Restauração Marca Açores”, colocando em destaque cinco restaurantes da ilha de São Miguel certificados com o selo Marca Açores, cada um deles desafiado a elaborar menus que dêem a conhecer o melhor dos produtos regionais também eles certificados.
A iniciativa arrancou no passado dia 11 de Novembro no restaurante Alcides, e decorre desde a passada Segunda-feira no restaurante Paladares da Quinta, localizado no concelho de Lagoa, onde se manterá de forma oficial até ao próximo Domingo, dia 24 de Novembro.
Nestas ementas especiais são combinados vários dos produtos que existem já na ementa, contemplando assim diversas opções desde a entrada, passando pelo prato principal acompanhado de uma bebida regional, sem esquecer, claro, a sobremesa confeccionada de modo artesanal.
Nas entradas contamos principalmente com os enchidos regionais, nomeadamente a morcela, o chouriço e a alheira, todos devidamente certificados com o selo de qualidade açoriano, acompanhados pelo ananás regional e, claro, o pão ali cozido em forno de lenha que dá um inevitável toque mais caseiro à refeição.
Entre os cinco menus criados criteriosamente por Ferdinando Silva, proprietário do Paladares da Quinta, existem três pratos de peixe que permitem saborear três tipos de peixe distintos, nomeadamente chicharros miúdos confeccionados à moda tradicional, filetes de abrótea – um dos preferidos pelos turistas o ano inteiro – e, claro, a barriga de atum braseada, sendo que todos estes pratos são acompanhados por batata branca, batata-doce, inhame, migas e legumes.
Quanto à carne de vaca, os pratos escolhidos para compor a ementa dedicada à Marca Açores foram a alcatra, uma das receitas mais procuradas por aqueles que visitam o arquipélago devido ao seu impacto na história da gastronomia regional e forma de confecção, e também o habitual bife à regional que dispensa apresentações.
No que diz respeito às sobremesas escolhidas, destaque sobretudo para o ananás dos Açores delicadamente empratado e para o pudim de feijão, confeccionado pela mãe de Ferdinando Silva que ainda hoje é um grande apoio no restaurante da família, e também para um pudim onde o queijo de São Jorge é rei.
Ao chegar ao restaurante, o primeiro contacto com este desafio, lançado pela Vice-Presidência do Governo dos Açores e posta em prática pela Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores em parceria com a Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA), dá-se através de um envelope cuidadosamente colocado em cada lugar.
No seu interior é encontrado um conjunto de informações referentes à iniciativa que, indicam estas entidades, pretende “reforçar a competitividade das empresas regionais”, havendo também um outro envelope onde o cliente poderá remeter a sua opinião relacionada não só com os menus e com a iniciativa em causa, mas também com o atendimento e outras questões que serão posteriormente redireccionadas à CCIA.
Há cerca de dois anos Ferdinando Silva resolveu candidatar o seu restaurante ao Selo Marca Açores, tornando-se assim, segundo nos contou, no primeiro restaurante a obter esta certificação, colocando assim um selo no polvo assado, na morcela com ananás, no brigadeiro e no merengue de maracujá, bem como no bife.
Falando dos benefícios da certificação quanto à origem dos produtos, o empresário salienta que “quando as pessoas vêem o símbolo têm sempre a noção de que os produtos são locais”, algo que também se verifica nestes menus criados especialmente para esta ocasião, uma vez que “por mais que se escreva, é diferente ter um símbolo, até porque a visão também come muito e a intenção foi mesmo essa”.
Apesar de sentir que este aspecto não diferencia o Paladares da Quinta de outros restaurantes que também utilizam o selo, o facto de ser uma empresa certificada com o selo Marca Açores permite-lhe também captar mais facilmente a atenção turistas dos turistas, uma vez que utiliza ementas em formato digital, conforme explica.
“Tinha a intenção de utilizar especificamente o símbolo porque tenho ementas em formato digital (…) e isso chama mais a atenção do turista, sem dúvida alguma. Criei o menu Açores na semana passada e assim que os menus começaram a ficar activos na aplicação as pessoas que cá vinham almoçar começaram logo a pedi-los só por verem que era um menu dedicado à Marca Açores”, diz.
Assim, e conforme mencionámos no início do texto, Ferdinando Silva refere que nestes cinco menus tentou “reunir tudo um pouco daquilo que os Açores têm de bom”, procurando utilizar os pratos existentes e mais populares na região para agradar turistas e locais.
Contudo, no seu restaurante sente que os açorianos – por já conhecerem estes sabores mais tradicionais – procuram outras alternativas gastronómicas que não tenham oportunidade de comer com tanta facilidade.
“O açoriano já conhece estes pratos e noto que, geralmente, pelo menos no meu restaurante, as pessoas de cá evitam comer pratos regionais. Isto é, quem vem a um restaurante quer comer algo que não tenha em casa, por isso opta por pratos como o cabrito ou o arroz de cabidela, tudo coisas que as pessoas normalmente não fazem em casa porque demora muito tempo”, explica.
Independentemente do gosto de cada um, o empresário salienta que o seu restaurante “é muito virado para o cliente local”, algo que na sua opinião é também favorecido pelos dez anos da sua vida que dedica à restauração, seguindo o exemplo traçado pelos pais que geriam um restaurante nos seus tempos de adolescente.

Restaurante familiar conta 
dez anos de existência

Antes de se dedicar ao negócio que construiu lado a lado com os pais, Ferdinando Silva era Director de Marketing na INSCO, no entanto, com a alta experiência do pai enquanto antigo cozinheiro na Nato, surgiu a oportunidade de adaptar a quinta da família, despertando “um bichinho” que tinha desde cedo e decidindo por isso “abraçar o projecto em conjunto com o pai”.
Desses tempos, relembra a abertura do restaurante, contando que foi “o melhor arranque possível” devido ao facto de serem ambos pessoas muito conhecidas mesmo antes de iniciarem este negócio juntos: “O Paladares da Quinta não foi apenas mais um restaurante que abriu porque toda a gente já sabia quem era o meu pai que, na altura, fazia comida para meio mundo”.
A partir desse momento, foi apenas necessário fazer “as escolhas ideais” relativamente aos pratos escolhidos para a ementa, surgindo depois a ideia de criar uma ementa em formato digital, um formato que ainda é raro de encontrar nos dias de hoje, mas que tem como objectivo facilitar a escolha do cliente.
Mais tarde, surgiria também a oportunidade de fazer um conjunto de apartamentos turísticos em redor do restaurante, a Quinta de Santa Bárbara, trazendo assim mais clientes ao local e abrindo o leque de negócios familiar, adiantando que “a conciliação entre o restaurante e o hotel tem corrido muito bem”, podendo até resultar, “num futuro próximo, na ampliação do hotel em si”.
No que diz respeito a novidades, Ferdinando Silva aproveita ainda para referir que a aplicação móvel referente ao restaurante irá, brevemente, conter algumas novidades, nomeadamente ao permitir que as pessoas consigam fazer os seus pedidos a partir de casa, evitando assim longos tempos de espera para pratos mais complicados.
Após a estreia dos menus Marca Açores no Paladares da Quinta, na próxima semana será o restaurante KOI, localizado no Hotel Azoris, a disponibilizar esta combinação de produtos açorianos na sua ementa, seguindo-se a Taberna Açor e, por fim, o restaurante Anfiteatro.
De acordo com as entidades promotoras desta iniciativa, esta é também uma forma de “promover a identificação dos produtos e estabelecimentos com o selo Marca Açores, estimulando a preferência do consumidor e contribuindo para uma maior progressão das empresas açorianas na cadeia de valor, o que se traduz na geração de mais riqueza e emprego em todo o arquipélago.

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