24 de novembro de 2019

Crónica da Madeira

Um dos mais importantes prosadores madeirenses do século XX, Horácio Bento de Gouveia

     Horácio Bento de Gouveia foi um dos prosadores madeirenses mais brilhantes do século XX. Os seus livros “A Canga”, “Lágrimas Correndo Mundo” e “Águas Mansas”, entre outros, são obras notáveis pela linguagem e pelos conteúdos. Narrações de vivências madeirenses que, ao lermos, encanta e comove-nos, porque sentimo-las e, consequentemente, vivemo-las na força e razão da sua realidade. 
Evidentemente que uma maioria dos madeirenses desconhece a sua obra e, até, o seu nome, o que me entristece profundamente. Contudo, não me causa admiração porque quando se vive num país que secundariza a cultura e tanto se exalta o futebol, os escritores, os poetas permanecem no silêncio das gavetas. São os governos os culpados destas ausências, destes apagões de memórias. É certo que o escritor tem o nome na fachada de uma escola do Funchal, mas isso não basta para homenageá-lo. O importante é que os madeirenses leiam os seus livros, que se revejam neles, porquanto a sua obra é um importante testemunho da literatura madeirense.
Os escritores, os poetas, os artistas são a alma de uma terra e, como tal, compete-nos exaltá-los como valores incentivantes para as novas gerações. Não o fazer é ignorá-los. É como se se perdesse um pedaço da alma do povo. É tornar mais pobre a terra onde vivemos.
Isto vem a propósito de se organizar a Casa Museu Horácio Bento de Gouveia, no norte da ilha, em Ponta Delgada, onde ele nasceu e viveu; onde madeirenses e visitantes de fora pudessem encontrar as suas raízes e os seus escritos; onde tivessem a oportunidade de compreenderem as suas razões de homem, de professor e escritor; onde o seu nome se perpetuasse através dos tempos. Seria uma grande mais-valia para a cultura madeirense.
É da mais elementar justiça que isto aconteça, tanto mais que a sua filha mais velha, Fátima Gouveia Soares, já entregou à guarda do Arquivo Regional o espólio que tinha na sua posse, estando o filho mais novo, Horácio Bento Gouveia, também disposto a fazê-lo.
A filha tudo tem feito para recordar o nome do pai e respetiva obra.
Saibamos agradecer a salvaguarda do património que ficará em nossas mãos e saibamos honrar a memória do escritor que mais nos compreendeu, lendo e divulgando a sua obra romanesca e ensaísta, repito, onde os madeirenses se podem rever.
 

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Categorias: Opinião

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