Tese ‘Construções em terra nos Açores’ de jovem de Rabo de Peixe apanha 20 valor no ISCTE

Marco Andrade acaba de apresentar e defender a sua tese de Mestrado em Arquitetura, conseguindo obter a nota mais alta, ou seja o júri atribuiu-lhe 20 valores, pela excelente investigação, realizada ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa. Este jovem arquitecto da Vila de Rabo de Peixe apresentou o trabalho intitulado “Construções em terra nos Açores:  Análise da viabilidade de construção em terra” e que mereceu rasgados elogios dos professores presentes na apresentação da sua tese. Esta investigação avalia a possibilidade de construção em terra na ilha de São Miguel, com o objectivo de combater a alteração paisagística provocada pela exploração da pedra utilizada na construção. Pretende-se promover técnicas construtivas sustentáveis e a conservação do património arquitectónico.
A construção em terra nos Açores remonta à data do seu povoamento e esta técnica foi abandonada devido às catástrofes vulcânicas, deixando lugar sobretudo às construções em pedra. A terra passou a ser utilizada apenas em argamassas para assentamento de blocos e reboco. Para o arquitecto Marco Andrade, o desafio actual da construção em terra é respeitar as exigências térmicas e estruturais, pelo que estas questões requerem especial atenção no contexto açoriano, sísmico e chuvoso. No entanto, concluiu que a baixa amplitude térmica e os altos níveis de humidade revelam-se favoráveis.
Para análise da qualidade da terra, desenvolveu testes in situ com amostras recolhidas em três terrenos no concelho da Ribeira Grande. Uma das amostras apresentou características satisfatórias para sistemas estruturais, as outras duas para revestimento. Numa segunda fase da sua investigação, fizeram-se testes no Laboratório de Engenharia Civil, dos mesmos terrenos e de amostras de argamassas recolhidas em ruínas no local. Da análise mineralógica, concluiu-se que as terras são boas para a construção, pela existência considerável de argilas não expansivas. As argamassas apresentaram uma composição mineralógica muito semelhante às terras e o seu ligante é a cal.
Conclui-se que a construção em terra nos Açores é viável, condicionada às caraterísticas do material e ao sistema construtivo, de forma a otimizar o comportamento face aos sismos e à água das chuvas. Este trabalho teve como orientadora da investigação a professora Soraya Genin (ISCTE-IUL) e como co-orientadora a professora Maria Fernandes (DGPC).
Marco Andrade vai regressar aos Açores e espera poder integrar o mercado de trabalho, dado que investiu com sacrifício pessoal e familiar na sua formação acadêmica e conseguiu com a experiência superar com sucesso uma série de desafios. O elogio unânime ao distinto trabalho apresentado mereceu-lhe a distinta nota de 20 valores, o que por si só demonstra a qualidade da tese.           

 

Print

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima