24 de novembro de 2019

Esmagados...

1- No final do ano, as manifestações populares na América do Sul e do Norte, na Ásia, no Oriente Médio, em África e na Europa que vai até aos Urais, representam uma nova vaga contra o poder em diferentes países, reclamando medidas que tenham em conta as pessoas que se sentem esmagadas pelas condições de vida, ou pela falta de liberdade para livremente pensarem e se exprimir através dos meios de comunicação social.
2- Essas manifestações são, por vezes, manchadas pelos “vândalos” que são fruto das periferias que cresceram sem assistência e sem a educação devida a ministrar por cada Estado. 
3- Mas, na essência, elas assentam num dominador comum que passa pela saúde, pelo emprego e pelo pesado fardo dos impostos que deixa as famílias sem margem para sustentarem com dignidade os seus agregados familiares.
4- O fenómeno a que se assiste é o recrudescer de situações incomportáveis, ignoradas por quem de direito e que geram a “ira dos mansos”, em último recurso. 
5- Por isso defendemos que o poder político não pode deixar adormecer os problemas, nem fazer de conta com medidas avulsas descontextualizadas e que apenas servem para descarte de consciência. 
6- A última manifestação das Forças de Segurança é um aviso compreensível, porque a sua função de risco para salvaguarda da segurança e defesa dos bens e das pessoas, não é compatível com o vencimento médio de mil e duzentos euros que recebem, e depois ainda respondem criminalmente quando responsabilizados pelo trabalho que executaram, muitas das vezes com o risco da própria vida.
7- Tudo isso leva a que muitos agentes de segurança pública encontrem refúgio para os seus problemas no radicalismo que os partidos populistas de extrema-direita propõem. 
8- A propósito de problemas, o Presidente e ex-líder parlamentar do PS declarou que o Governo do Primeiro-ministro António Costa tem um problema difícil entre mãos que é a degradação do Serviço Nacional de Saúde, proveniente do desinvestimento durante muitos anos, e “ou resolve estas questões, com a inversão desta tendência de degradação do Serviço Nacional de Saúde, ou vai ser complicado justificar-se aos portugueses”.
9- Igual problema se coloca nos Açores, e ou se consegue investir em meios humanos e técnicos capazes de resolver os estrangulamentos existentes no Serviço Regional de Saúde, que não podem ser alcunhados de “lamúrias”, mas tidos como um problema humano doloroso para quem está numa lista de espera durante anos a aguardar uma intervenção cirúrgica ou um exame, porque faltam médicos ou equipamentos para tanto.
10- Certamente que haverá excessos nalgumas queixas, mas não se pode julgar o trigo pelo joio, porque as necessidades são indesmentíveis, e de ano para ano vão-se acumulando os problemas até que um dia pode acontecer o colapso sem se esperar.
11- O Presidente da República voltou a mostrar-se apreensivo com a situação da comunicação social e admitiu esperar que o Orçamento do Estado para 2020 contenha medidas concretas de ajuda pública aos média. 
12- Esta preocupação não é só sentida em Portugal pois muitos outros países da União Europeia já tomaram medidas de apoio anual aos órgãos de comunicação social, que são considerados, e bem, como um dos pulmões da Democracia.
13- Este é também um problema grave na Região que se agudiza com as perdas de receitas provindas da publicidade e, sobretudo, da invasão que foi feita pelas plataformas digitais, que não pagam impostos nem têm despesas acrescidas com o pessoal necessário à Imprensa. 
14- Aqui coloca-se uma questão que precisa ser clarificada, e que são as relações entre o Estado, e neste caso a Região,  e os meios de Comunicação Social tendo em conta os desafios de ordem tecnológica, económica e regulatória, e as consequências do preenchimento informativo mediático provindo das redes sociais, gerando a manipulação da notícia e dando lugar ao populismo desenfreado.  
15- Este é um problema sério a juntar aos demais, mas que tem estado fora das preocupações institucionais nacionais e regionais.                              
                                                                      
                                        

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Categorias: Editorial

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