André de Resendes é Pároco da Freguesia desde 29 Setembro passado

Estar em Água Retorta é um desafio e “Jesus também começou na pequena e humilde Nazaré”

Para quem não sabe, o Padre André de Resendes tem sido um entusiasta da solidariedade e um dos impulsionadores da ‘Missão Sorrir Moçambique-Missão Kanimambo’.

Fale um pouco do seu percurso como Pároco. A sua ordenação sacerdotal e onde já esteve?
“Fui ordenado a 20 de Dezembro do ano de 2009, na minha igreja de baptismo, Fajã de Baixo. No Verão deste mesmo ano, em Junho, tinha sido ordenado Diácono (1.º grau do Sacramento da Ordem), e estive a trabalhar no Pico, como auxiliar nas Paróquias de Criação Velha, Curato do Monte e Candelária, que, após a ordenação sacerdotal, seriam me confiadas como Pároco.
Aqui comecei as primeiras experiências pastorais, o contacto mais próximo e prático das realidades de cada uma das comunidades. Ao mesmo tempo, fui chamado um ano mais tarde, para iniciar, no 1.º Ciclo, na Escola Básica Cardeal Costa Nunes, as aulas de Educação Moral Religiosa Católica, tarefas que desempenhei todo o tempo que estive naquela ilha, ao serviço.
Sempre me entusiasmei pela Comunicação Social, por isso trabalhei neste sector, nas informatizações e materiais digitais. Tive ainda a meu cargo a Pastoral juvenil da ilha, visto que participámos, em 2011, na Jornada Mundial da Juventude, em Madrid.
Durante três anos, fui também convidado por D. António Braga, nosso Bispo Emérito, ao cargo de Auditor do Tribunal Eclesiástico, para o Pico.
Procuro pautar o meu serviço nas comunidades, pela minha proximidade com todos, pela busca do melhor em cada um e em cada realidade, quer pessoal quer espiritual. Diria, como o Papa, gosto de ser um pastor, no meio do meu rebanho”.

Quais são as suas primeiras impressões sobre Água Retorta?
“Sou Pároco da comunidade de Água Retorta, desde o dia 29 Setembro passado, e na verdade não tenho ainda uma visão definida e realista da Paróquia. Porém, percebo que é uma comunidade que vive de forma bastante acentuada a dispersão geográfica e sente muito o isolamento. Isso é bom nalgumas coisas, mas não facilita outras. Na verdade, sendo a Freguesia mais pitoresca do Concelho, justiça se faça que prima por ser dedicada, unidade e empenhada. É campo para se cultivar, durante os próximos tempos… mas estou – creio que a comunidade também – satisfeito com o desafio”.

Foi substituir o Padre Octávio Medeiros, na Paróquia, que tinha estado lá durante 20 anos. Como foi essa transição?
“Igual a todas… é sempre necessário prover à Assistência e ao governo das comunidades, por isso os Sacerdotes são enviados para servir. O meu antecessor, como manda o Direito Canónico, atingiu o limite de idade para o serviço pastoral, e procedeu em conformidade com o que se pede. E nesse caso, o Bispo deve enviar outro sacerdote para a Comunidade. Aqui estou eu, desta feita!”

Sendo uma Freguesia, um pouco, isolada na ilha, à semelhança de outras, pode-me comparar a Freguesia com outras que tenha estado?
“Realmente, ela está um pouco deslocada, mas isso, não podemos mudar. Deus fez assim (risos). Nunca estive em paróquias com estes traços geográficos, mas sei que há outras com maior isolamento. Isso são pormenores, Jesus também começou na pequena e humilde Nazaré, e veja até onde Ele se faz viver!”

Numa Freguesia como Água Retorta, quais são os pontos fortes da religiosidade popular?
“Pelo que já percebi, as festividades em honra de Nossa Senhora da Penha de França, padroeira da nossa Paróquia. Mas, naturalmente que haverão outras manifestações de religiosidade popular”.

Quantas eucaristias há durante a semana, na Freguesia?
“Eu celebro uma Missa durante a semana, mais junto à população, visto que a Igreja Paroquial, fica na outra extremidade da Freguesia. Percebi que as pessoas mais idosas não se deslocariam tanto, quanto desejam. Então, se a nossa missão é servir, começamos a celebrar, de semana, na Filarmónica da Freguesia, que gentilmente nos cedeu o seu salão para isso. Aproveito para receber as pessoas, aconselhar, confessar e ouvir. Ao domingo temos a nossa Missa Paroquial, às 10 horas”.

Os jovens são participativos? Como?
“Os jovens têm participado em bom número, porque estão em idade de catequese. Estamos a equacionar mais algumas actividades com jovens, mas ainda estamos em fase de estudo”.

A população é participativa?
 “A população parece-me bastante generosa, participam quando necessário. Pelo menos até à data, têm revelado esta vontade. Esperemos que se mantenha, porque a Paróquia somos todos nós!”

Tem sido um entusiasta da solidariedade. Como está o movimento em relação à Missão Sorrir Moçambique?
“A nossa missão continua no terreno, desta feita apoiar crianças e jovens a estudar. Estamos empenhados em dar educação, na certeza que só assim contribuímos para o desenvolvimento daquela sociedade. Em breve, começaremos a angariar mais fundos, para poder dar resposta. Na nossa página do Facebook ‘Missão Sorrir Moçambique-Missão Kanimambo’, podem encontrar as formas de nos ajudar a realizar mais este projecto.
Gostaríamos neste Natal, ofertar bolas de futebol aos meninos, que nem isso têm e é uma bela forma de eles conviverem entre si e estarem juntos, nas suas comunidades. Por isso, se cada pessoa colaborar por um Natal mais feliz e verdadeiro, pode doar para este fim”.

O que faz nos seus tempos livres, fora da espera religiosa?
“Caminho na natureza, leio, oiço música, visito ou fico com família”.

Que mensagem (pode ser bíblica ou não) gostaria de partilhar com os nossos leitores?
“A mais evidente seria a que todos deixariam: ‘Seja feliz e faça alguém feliz’, é um bom princípio, eu costumo dizer ‘faça sempre o bem, mas faça-o bem feito!’. Vivemos tempos exigentes do ponto de vista das referências, dos ideais e do equilíbrio, por isso peço e desejo que as pessoas sejam humildes, positivas e procurem sempre ver a vida ‘com os olhos de Deus!’”.
Marco Sousa
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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