Jaime Gama será o orador desta noite

Novas ideologias em discussão no Centro de Estudos Natália Correia

O Homem como um ser “inseminado por correntes, por teorias e que nada constrói”, será esse o tema principal do colóquio que tem hoje lugar no Centro Cultural Natália Correia, pelas 20h00, recebendo Jaime Gama como orador principal e estendendo-lhe o desafio de se debruçar sobre o pensamento débil, uma das cinco novas ideologias emergentes identificadas pela paróquia da Fajã de Baixo.
O evento, intitulado “Novas Ideologias, Novas Respostas”, é organizado pela referida paróquia, na freguesia onde está erguido o edifício que homenageia a escritora e poetisa açoriana, e tem, de acordo com o seu pároco, o objectivo de, em conjunto com a diocese, “entender e responder àquilo que é o novo pensamento (…), indo ao encontro daquilo que são os sinais do tempo” e criando laços mais estreitos com a população, as suas dificuldades e formas de pensar.
De acordo com José Paulo Machado, esta iniciativa resulta assim do facto de “a paróquia da Fajã de Baixo ter a preocupação de perceber o que se passa à sua volta em termos de mentalidade, e de entender as novas ideologias que estão a entrar sem que os pais percebam”.
Neste sentido, explica José Paulo Machado, não haverá maiores sinais dos tempos do que as novas ideologias que emergem na sociedade actual, entre as quais se destacam – para além do pensamento débil – o animalismo, o transumanismo, o neurocientismo e a teoria do género.
No que diz respeito ao pensamento débil, tema para o qual foi convidado “o maior intelectual português aos olhos de D. Manuel Clemente”, o pároco adianta que esta ideologia “entende que hoje as novas gerações são passivas, que são inseminadas por correntes e teorias e que, por conta disso, não constroem nada. São seres que estão à mercê das correntes actuais ou das modas e manias, (…) e no fundo significa que o Homem é hoje apenas um receptáculo de correntes, de modas e de teorias”.
Por esse motivo, a paróquia da Fajã de Baixo, adianta, pretende “responder àquilo que é o novo pensamento”, encarado como “os maiores sinais dos tempos que existem”, tendo em atenção que, de uma forma geral, “hoje todas as ideologias são fragmentárias e são essencialmente individualistas”, o que resulta na existência de “pensamentos novos – todos eles egocêntricos – que estão a mudar a mentalidade das pessoas”.
Contudo, este individualismo que estará hoje vincado em algumas das ideologias que ganham popularidade já não será novo, adianta José Paulo Machado, assinalando que “já Ortega y Gasset dizia que a barbárie e a violência iriam surgir de uma sociedade toda ela muito fragmentada e muito especializada”.
Também por esse motivo será importante para a paróquia da Fajã de Baixo “tentar responder a algumas perguntas, porque quer presidentes de conselho executivo quer outros estão a injectar nas escolas algo que é perfeitamente pérfido e que não corresponde à verdade daquilo que é a natureza humana”, referindo-se, por exemplo, à teoria do género.
Estas questões, avança, são importantes na estratégia e na vivência da actual Diocese por serem uma forma de a igreja se aproximar das pessoas e entender o que se passa na sociedade de uma forma geral, cumprindo mais facilmente o objectivo de “anunciar Cristo” e evangelizar.
Deste modo, adianta, o colóquio será aberto à comunidade de uma forma geral, procurando chegar de forma particular aos encarregados de educação “que não estarão conscientes deste novo mundo que está a surgir e que tem uma ausência total do sobrenatural, ou da relação com o transcendente”, indica José Paulo Machado, dando como exemplo a teoria do género que tem vindo a ganhar terreno sobretudo nas escolas.
“A teoria do género está a entrar nas escolas e os pais não se apercebem nem entendem em que esta consiste (…), e isto de a identidade sexual ser uma coisa muito indefinida é uma aberração (…) que foi até uma grande preocupação de uma assembleia de pais” numa das escolas de Ponta Delgada, adianta.
Entretanto, apesar de salientar que “ninguém está contra estas teorias”, o pároco refere que esta “é uma das novas ideologias que pretendemos investigar e sobre a qual pretendemos reflectir ao longo deste ano”, deixando claro que a igreja terá a sua perspectiva e que no seguimento deste tipo de eventos irá perceber “como é que a nossa perspectiva poderá responder àquilo que vem já entrando de uma forma galopante na mentalidade das pessoas sem que as pessoas saibam o que é que é”.
Ao longo do próximo ano, para além do evento que hoje decorre, estes trabalhos deverão continuar através da realização de outros dois colóquios, afirmando José Paulo Machado que um deles terá como objectivo mergulhar na teoria do género, através de Margarida Cordo, psicóloga, seguindo-se outro colóquio onde se deverá abordar a ideologia relacionada com o transumanismo, onde será convidada a professora Teresa Ribeiro  em Março do próximo ano.
“O transumanismo é a tentativa de nos prolongarmos indefinidamente no mundo porque a concepção de vida eterna, de redenção ou a concepção de céu é algo que foi perfeitamente banido e que se esvaiu inclusivamente do imaginário cristão de muitos católicos”, diz o padre.
Assim, conclui explicando que as novas ideologias “são correntes e movimentos que respondem a massas e a grupos”, normalmente criadas como uma resposta “para o Homem tentar sobreviver actualmente em termos de ser pensante no actual quadro de pensamento. Ou seja, são as novas ideologias que tentam ser novas respostas para este novo Homem que está a ser criado”.
Joana Medeiros
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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