Nível de exclusão social nos Açores (36,7%) é 15 pontos percentuais superior à média nacional e duplica a taxa da Área Metropolitana de Lisboa

Em 2018 apenas a Área Metropolitana de Lisboa tinha uma taxa de risco de pobreza significativamente inferior ao valor nacional: 13,3%, ou seja, menos 3,9 pontos percentuais. que o risco de pobreza nacional (17,2%).
As Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira registavam em 2018 taxas de risco de pobreza de 31,8% e 27,8%, respectivamente, bastante superiores ao valor nacional.
 Esta análise pode ser completada pelo cálculo de linhas de pobreza regionais. Em cada região NUTS II, a linha de pobreza regional corresponde à proporção de habitantes nessa região que vivem com rendimentos monetários disponíveis equivalentes inferiores a 60% da mediana da distribuição dos rendimentos monetários disponíveis equivalentes dessa mesma região. A utilização de linhas de pobreza regionais resulta no aumento do risco de pobreza para a região com rendimento mediano superior ao rendimento mediano nacional. E são os Açores que continuam a ter, a este nível, a taxa mais elevada de pobreza (23,6% da população) enquanto na Área Metropolitana de Lisboa esta taxa é de 19,4%
 O contributo das transferências sociais para a redução do risco de pobreza foi de 5,4 pontos percentuais em 2018, idêntico ao do ano anterior. Considerando apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, 43,4% da população residente em Portugal estaria em risco de pobreza em 2018 e nos Açores esta percentagem estaria, eventualmente, à volta dos 60%.
A desigualdade medida pelo coeficiente de Gini dos rendimentos monetários por adulto equivalente diminuiu em 2018 em Portugal. Apesar dos rendimentos monetários em Portugal continuarem a pautar-se por uma distribuição fortemente assimétrica, dois dos três principais indicadores de desigualdade reduziram-se novamente em 2018, embora de forma menos expressiva que a observada nos anteriores, e o outro manteve o seu valor: − O rácio S80/S20, que compara o rendimento monetário líquido equivalente dos 20% da população com maiores recursos com o rendimento monetário líquido equivalente dos 20% da população com menores recursos, foi de 5,2, igual a 2017 em Portugal e foi de 7,3 nos Açores.   
O Coeficiente de Gini, que tem em conta toda a distribuição dos rendimentos, reflectindo as diferenças de rendimentos entre todos os grupos populacionais, e não apenas os de menores e maiores recursos, registou um valor de 31,9%, menos 0,3 pontos percentuais que no ano anterior (32,1%). Por região, verifica-se que a Região Autónoma dos Açores era aquela com um distanciamento maior entre o rendimento monetário líquido equivalente dos 20% da população com maiores recursos e o rendimento monetário líquido equivalente dos 20% da população com menores recursos: 7,3, superior à média nacional de 5,2, tal como no ano anterior. Em 2018, a região Centro era a que tinha uma distribuição dos rendimentos menos desigual (4,7).
Entretanto, a intensidade laboral per capita muito reduzida manteve a trajectória descendente Para além do rendimento, existem outras condições que podem potenciar o risco de exclusão social de uma família, nomeadamente, o grau de participação dos seus membros no mercado de trabalho. Consideram-se em intensidade laboral per capita muito reduzida todas as pessoas com menos de 60 anos que, no período de referência do rendimento, viviam em agregados familiares em que a população adulta dos 18 aos 59 anos (excluindo estudantes) trabalhou em média menos de 20% do tempo de trabalho possível. 
A proporção da população com menos de 60 anos que vivia em agregados familiares com intensidade laboral per capita muito reduzida foi de 6,2% em 2018 (menos 1 ponto percentual que no ano anterior). Em 2018, existiam duas regiões em que a taxa de intensidade laboral per capita muito reduzida era inferior à média nacional, designadamente a Área Metropolitana de Lisboa (5,7%) e a região Centro (5%). A proporção de pessoas com menos de 60 anos que viviam em situação de intensidade laboral per capita muito reduzida eram mais elevadas nas Regiões Autónomas (9,4% na Madeira e 11,9% nos Açores) e no Alentejo (8,3%).
Em 2019, regista-se na região Centro a taxa de privação material severa mais baixa do país (4,1% dos residentes na região). Tal como para a maioria dos indicadores relativos ao risco de pobreza, é também nas regiões autónomas que se observam os níveis de privação material severa mais elevados (13,1% nos Açores e 7,3% na Madeira), às quais se segue o Algarve (8,1%).
A taxa de risco de pobreza ou exclusão social mantém-se em Portugal em 21,6%.  A estratégia económica de crescimento da União Europeia para a década corrente, designada estratégia Europa 2020, define, entre outros objectivos, a redução do número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social na União Europeia em, pelo menos, 20 milhões de pessoas até 2020. Neste âmbito, definiu-se um indicador relativo à população em risco de pobreza ou exclusão social que conjuga as condições de pobreza relativa – pessoas com rendimentos anuais por adulto equivalente inferior ao limiar de pobreza – e de situação de privação material severa, com o conceito de intensidade laboral per capita muito reduzida.
 Em 2019, 2 215 milhares de pessoas encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social (pessoas em risco de pobreza ou vivendo em agregados com intensidade laboral per capita muito reduzida ou em situação de privação material severa) em Portugal. Consequentemente, a taxa de pobreza ou exclusão social é de 21,6%, idêntica à registada no ano anterior.
Como verificado nos três indicadores de base – pobreza, privação material e intensidade laboral reduzida – o risco de pobreza ou exclusão social é bastante mais elevado nas regiões autónomas dos Açores (36,7%) e da Madeira (32,2%).
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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