27 de novembro de 2019

Cidadania

Todos contam! E os 11.364 doentes à espera de uma cirurgia?

Depois de 23 anos de poder socialista, há ainda muitos açorianos que não contam, e que ainda não têm os atempados e devidos cuidados de saúde. 
Contam sim uma elite política e seus seguidores que vive da política e para a política, via carreirismo refinado, e uma classe social com rendimentos que permitem acesso à medicina privada na região e fora da região. O resto, a maralha carenciada, está em listas de espera para uma cirurgia em média há 470 dias. São 11.364 açorianos que desesperam por uma cirurgia nos tês hospitais da região. Ou seja 5 em cada 100 açorianos, saudáveis e doentes, precisam de uma cirurgia e não a têm.
A comunicação social nacional noticiava a semana passada que há 245.000 pessoas à espera de uma cirurgia no Sistema Nacional de Saúde (SNS), 2,5% da população. Por seu lado no Serviço Regional de Saúde (SRS) esta taxa é o dobro da nacional (5%).
E em S. Miguel a situação ainda é mais grave. A lista de espera de pessoas inscritos para cirurgia é de 520 dias. São 17 meses de espera para 8.169 doentes. 
Das cirurgias que o SRS fez a 1.004 doentes, 48% foram ainda assim realizadas fora do tempo máximo de resposta garantido, previsto por legislação regional.
Em S. Miguel das 563 cirurgias realizadas apenas 36% foram concretizadas no referido tempo máximo garantido. Ou seja 64% foram feitas fora do tempo máximo garantido. 
A secretaria da saúde e o governo regional deviam corar de vergonha perante este descalabro na saúde e pedir desculpa aos cidadãos incluídos nestas malfadadas listas. Em vez de darem “festas e foguetório” regados com muita propaganda para iludir e confundir as pessoas.
Sim, porque os 11.364 açorianos que aguardam uma cirurgia, são pobres, que sobrevivem com rendimentos miseráveis ou muito baixos, são idosos com pensões de miséria, são desempregados e são trabalhadores com vínculo precário. Nenhum político estará com certeza nestas listas de espera. 
Todos contam, parece que não! Açores primeiro, no interesse da elite política, que vive bem, e repleta de benesses onde abunda o clientelismo e o amiguismo, que tudo resolve sempre no sentido do reforço da teia pegajosa da dependência.
Todos estes números estão escarrapachados no boletim de outubro deste ano do SIGICA, acrónimo para Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia nos Açores.
Em vez dos governantes socialistas em 23 anos andarem a “brincar” aos empresários e aos negócios, enterrando milhões num monstruoso e falido sector publico empresarial, deveriam ter reestruturado e financiadoa dequadamente o SRS. E haveria naturalmente mais justiça social nas ilhas.

Luís Anselmo

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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