Ministério Público pede pena de prisão para jovem traficante de droga

Decorreu ontem em Ponta Delgada o início do julgamento de um jovem natural do concelho de Ponta Delgada, acusado por um crime de tráfico de drogas, tendo este sido surpreendido pela Polícia de Segurança Pública numa busca onde viriam a ser encontrados no interior de uma viatura cerca de 21 doses de haxixe e 1670 euros em dinheiro.
Tendo em conta os antecedentes criminais do suspeito, que inclusive se prepara para ser ouvido num segundo processo referente a crimes da mesma natureza, o Ministério Público entende que o mesmo deverá ser condenado a uma pena de prisão, e que apesar de ter chorado em diversos momentos da audiência, “deverá agora perceber que a PSP não está a dormir”.
Segundo os três agentes da PSP que participaram na busca realizada no mês de Maio de 2018, e que depuseram ontem como testemunhas de acusação, inicialmente a diligência em causa deveria cingir-se à casa onde vive o arguido, onde foi possível encontrar cerca de seis gramas de haxixe nos bolsos de um casaco que pertencia ao suspeito e que se encontrava no seu respectivo quarto.
Em acréscimo, e uma vez que o indivíduo era “já conhecido” por alguns dos carros que conduzia, os mesmos agentes policiais responsáveis pela busca sugeriram revistar também um Audi A3 que se encontrava estacionado na mesma rua, proposta que não terá sido bem aceite por parte do jovem ontem ouvido no Tribunal de Ponta Delgada.
Contudo, os polícias explicaram que se não fosse autorizada a busca naquele momento, que certamente voltariam mais tarde com um mandato ou com uma ordem para rebocar a viatura, o que terá feito o arguido concordar com a respectiva busca na mesma hora.
Assim, foram então encontrados no meio dos dois bancos da viatura em causa as 21 doses de haxixe e perto de 1700 euros, sendo que, de acordo com as três testemunhas, o dinheiro se encontrava colocado estrategicamente por cima da droga e dele constavam apenas “notas pequenas e duas notas de 100 euros”.
Segundo a versão do arguido, e para estranheza do colectivo de juízes tendo em conta a forma como estes negócios se realizam normalmente, a droga em causa teria sido comprada no dia anterior e parte desta teria sido uma oferta apenas para consumo próprio, sendo o dinheiro ali sido deixado apenas por esquecimento, referiu.
Porém, no entender dos juízes, “ninguém que trabalhe arduamente deixa essa quantia de dinheiro despercebidamente” dentro de uma viatura, colocando assim em causa os argumentos apresentados pelo arguido, cujo nome terá já sido mencionado diversas vezes no decorrer do trabalho desempenhado pela PSP em matéria de estupefacientes.
Para além disso, no entender dos juízes, e apesar de o material estupefaciente ter sido adquirido apenas no dia anterior à sua apreensão e respectiva detenção do suspeito, não faria também sentido que o arguido decidisse manter uma parte da droga em casa e outra no carro.
Naquela que foi a sua defesa, o arguido salientou também que o carro onde foi encontrada a droga não lhe pertenceria, uma vez que este é também conhecido na localidade como um revendedor de viaturas usadas.
No caso daquela viatura em concreto, o suspeito acusado de tráfico de droga refere que a teria há cerca de 15 dias, uma vez que teria ficado combinado com o respectivo dono que ficaria com ela no sentido de a tentar vender, e que apesar de não dever utilizar a viatura como se fosse sua, poderia circular para a levar a oficinas ou para a mostrar a potenciais compradores, conforme esclareceu o então proprietário do Audi onde viria a ser encontrada a droga.
Apesar de ser um trabalhador independente, tendo actividade aberta nas finanças e passando autos relativos às vendas efectuadas, o tribunal detectou que alguns dos autos tinham data posterior à detenção do indivíduo, em vez de terem sido introduzidos na plataforma nas datas imediatas às vendas dos veículos, conforme terá inicialmente sido afirmado pelo jovem.
Ainda de acordo com os agentes policiais, para além de o nome do arguido ter sido já referido como traficante de droga por outras pessoas detidas neste contexto, tanto traficantes como consumidores, a PSP adiantou em tribunal que num outro processo, referente a 2018, foi apreendido na casa do suspeito uma avultada quantia de dinheiro, enquanto na casa de um amigo foi encontrado meio quilo de haxixe.
Entre as testemunhas de defesa esteve também um conhecido médico da ilha de São Miguel que exerce medicina geral e familiar no Centro de Saúde de Ponta Delgada, dando a conhecer ao tribunal o percurso feito pelo arguido no último ano no que diz respeito ao seu comportamento e à sua adicção.
Conta que, num primeiro momento, teve contacto com o arguido devido a um desacato com uma enfermeira devido ao facto de lhe ter sido referido que a menina, ainda bebé, teria excesso de peso e que obrigou à sua intervenção devido à sua posição superior naquela unidade de saúde.
Meses depois, o arguido terá surgido de novo na unidade de saúde com o objectivo de pedir desculpa ao médico e, na segunda consulta, terá confessado o seu vício no que diz respeito ao consumo de haxixe, salientando que “por dia fumaria 13 ou 14 charros, mas acho esse número muito exagerado”, disse.
A partir desse momento, em Fevereiro deste ano, o arguido terá, de acordo com o médico, concordado ser seguido pelo profissional de saúde, onde lhe é garantido apoio psicológico e onde é feito um controlo que garante que o arguido “está limpo desde Junho”.
Quanto à defesa, esta entende que apenas se ficou provado em tribunal que o arguido foi de facto apanhado com a quantidade de droga adiantada, não tendo no entanto sido comprovado que a droga se destinaria à venda a terceiros ou que um telemóvel entretanto apreendido serviria para estabelecer contactos relativos ao tráfico de haxixe.
Foi também adiantado na sala de julgamento que o suspeito percebe que “os comportamentos desviantes são um beco sem saída e que trazem mais vantagens do que desvantagens”, afirmou o advogado.
Quanto ao arguido, no final do julgamento, mostrou-se arrependido e sem interesse em voltar a consumir drogas e que apesar dos erros cometidos estará mais empenhado nas suas relações familiares, uma vez que tem uma filha pequena, e na ampliação do seu negócio relacionado com a venda de viaturas usadas.


 

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