“Daqui a anos haverá nos Açores uma nova ilha”, defende o vulcanólogo Victor Hugo Forjaz

 “Se nos Açores há ilhas como Santa Maria, em fase de erosão e de desaparecimento pela maresia e pelas chuvadas, o resto  do arquipélago não está “morto”, ou seja,  vulcanicamente extinto .
 Pelo contrário os Açores tendem a aumentar de superfície como o que tem sucedido desde o seu redescobrimento”,  afirma o Catedrático Jubilado da Universidade dos Açores  Victor Hugo Forjaz , vulcanólogo .
No seu entender,  “a presente crise sismo-tectónica, de centenas e centenas de sismos, que se desenvolve no arquipélago desde o início de Novembro, é a prova dessa vitalidade”. 
De facto , prosseguiu o vulcanólogo, “desde inícios de Novembro que surgiu uma crise sísmica a cerca de 20 quilómetros a oeste do Faial, num sistema  de falhas geológicas há muito conhecido pelo respectiva juventude e actividade . Esse sistema situa-se no enfiamento das ilhas do Faial e de São Jorge, embora os epicentros não estejam rigorosamente localizados”. 
Como explica, a razão para tal “encontra-se no facto dos eventos sísmicos se localizarem no exterior do polígono de sismógrafos do arquipélago . Quando isso sucede, a delimitação dos círculos epicentrais deixa de ser precisa e o mesmo acontece com o cálculo da profundidade, ou seja, o hipocentro”.
Na opinião do vulcanólogo, que tem acompanhado todas as crises desde 1958, “há muito que  as entidades científicas oficiais deviam ter instalado  sensores submarinos  - os OBS (oceanicbottomseismographs) equipamentos disponíveis em diversos  institutos europeus de oceanografia “. 
“Além disso, adianta, durante os meses dos últimos Verões, o navio oceanográfico da Marinha Portuguesa, ‘D.Carlos’  “já deveria ter efectuado levantamentos do fundo do mar visando descobrir factores que ajudem a interpretar o fenómeno. Doutra forma andam às cegas  e ninguém percebe a razão porque o IPMA – Instituto do Mar e da Atmosfera, com rede sísmica nos Açores,  se encontra mudo nas ilhas e publica comunicados em Lisboa”.
Para Victor Hugo Forjaz, “encontra-se em desenvolvimento uma nova ilha dos Açores  , com a geometria de um “Horst” , como Pico e São Jorge, mediante a actuação de forças terrestres compressivas. Anos mais tarde eclodirá uma fase vulcânica submarina, tal como na Serreta e Capelinhos.
O vulcanólogo considera que “existe falta de adequada comunicação oficial com as populações das ilhas do triangulo ( Faial , Pico e São Jorge). 
Estas continuam assustadas  “e não curiosas, e estão fartas de comunicados piedosos”,  remata o vulcanólogo que remata que com os dados publicados , não existe perigo para os habitantes. 

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Autor: CA

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