Recados com Amor

Meus Queridos! A semana política esteve centrada na cidade da Horta, que tem, como se sabe, o seu historial ligado à Maçonaria, cujo sede acolheu, nos primórdios da Autonomia a Assembleia Regional. A minha comadre Maria dos Flamengos está sempre pronta para seguir de perto os trabalhos da Assembleia e desta feita não podia faltar, pois queria saber o que o Orçamento e Plano para 2020 reserva a cada um dos açoreanos. Maria dos Flamengos diz que faltou substância ao debate e quanto ao conteúdo, cheira a fim de festa de mais um mandato de quatro anos sob a bandeira socialista… Diz ela que a dada altura parecia haver um jogo de xadrez entre o PS, o CDS e o PCP, cheirando a uma futura geringonça de extremos, caso o PS precise dos extremos para governar… Maria dos Flamengos diz que ficou para Deus a levar quando ouviu o meu querido Presidente Vasco Cordeiro dizer que havia na Assembleia uns “charlatães e vendedores da banha da cobra” que vendem sonhos e ilusões… Diz ela que se estivesse no lugar dos putativos vendedores da banha da cobra… tinha excomungado o gafanhoto e exigido um pedido desculpas por tal impropério… Maria dos Flamengos acha que a Política merece ser melhor tratada por quem a exerce… para que os seus titulares possam ser respeitados…  

Meus Queridos! A minha prima Maria da Praia anda muito intrigada com a santa aliança que parece consolidar-se entre destacados elementos do Cabido da Diocese, a Câmara Municipal da mui nobre e sempre leal cidade de Angra do Heroísmo, o Grande Oriente Lusitano e o Grémio Atlântico. A Maçonaria, segundo diz a Maria da Praia, está a afirmar-se junto do poder político e do poder religioso, e agora até já vai meter no pote a Comunicação Social como prova o convite que foi profusamente distribuído para a conferencia que decorreu ontem e cujo convite aqui reproduzo tal como me foi enviado. Estou para ver o que vai vir a seguir… 
 

Meus queridos! As questões sociais, por tocarem na saúde e nas pessoas, estão sempre na berlinda, como dizia a minha saudosa avó… e estiveram durante a semana na boca dos meus queridos deputados durante o debate do Plano e Orçamento para 2020… O meu querido Presidente Vasco Cordeiro falou na criação de cinquenta famílias de acolhimento de idosos, e a minha prima Maria dos Flamengos, quando me telefonou para comentar a semana parlamentar na Horta, lembrou que era bom saber, antes que termine o ano,… como é que está a regulamentação da lei aprovada com pompa, circunstância e depois objecto da necessária propaganda,… sobre os apoios para os cuidadores informais!... Será que estão à espera de saber o que vai acontecer a nível nacional? É que há muita gente que trata dos seus doentes em casa, que tem de abandonar os empregos e nem pode ter férias, nem tratar da sua saúde porque tem doentes e pessoas dependentes a seu cargo. A minha prima Francisquinha que trabalha nessas coisas sociais, diz que sai muito mais barato à Região apoiar essas pessoas que se pré dispõem a cuidar dos familiares do que acomodá-los nas instituições de internamento, que têm custos bastante elevados... e não recebem sequer o valor justo para a função que desempenham. A lei já está feita, mas falta regulamentar e pôr em prática, para que tudo não continue na mesma.


Meus queridos! A gente sabe que onde está o Homem está o perigo. Mas o ditado deveria ser mudado agora para “onde está o dito cujo está o ladrão”. Quanto mais se fala de purificação da política e dos políticos, mais notícias de roubos e falcatruas vão aparecendo. A minha prima Jardelina ficou doente quando leu que a polícia de investigação tinha descoberto um roubo cor-de-rosa lá para os lados do Parlamento Europeu, onde um funcionário da lusa delegação se abotoava com uns milhares à custa das viagens dos eleitores convidados pelos eurodeputados… Isto é que se chama aproveitamento internacional. Quando o roubo caseiro não dá, a globalização do roubo resolve. Diz a minha prima que no meio disto tudo ainda é bom que se vão dizendo as verdades, porque aqueles que andavam para aí a armar-se em moralistas agora são apanhados como ratos… Nada paga como a língua!


Ricos! Este ano, o feriado do 1º de Dezembro calha num Domingo, mas mesmo assim vai ser assinalado na Câmara do meu querido Presidente Bolieiro com uma sessão solene promovida pela Sociedade da História da Independência de Portugal, presidida nos Açores pelo sempre dinâmico professor Ferraz da Rosa e que vai ter como conferencista o meu querido Representante da República, Embaixador Pedro Catarino, que estou mortinha por ouvir, já que tem andado tão desaparecidinho que até parece que o cargo já foi extinto. Tenho é muita pena que o feriado da Restauração esteja quase desaparecido da memória das pessoas. Nas escolas nem se falou praticamente do assunto. Mas se fosse uma americanice qualquer como as bruxas, não faltariam comemorações e mascarados… Sem ser mulher saudosista, sempre digo que com esta falta de capacidade de exaltação do sentido de Pátria e da Região…. não vamos muito longe. O melhor é mesmo ir repetindo que “lá vamos cantando e rindo”…


Meus queridos! Li no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, que o meu querido D. João Lavrador vai ordenar na Sé de Angra, neste dia 1 de Dezembro, 7 diáconos que em breve serão mais sete padres para a Diocese, dos quais seis são da Ilha do Arcanjo. Quando tanto se fala de descentralização e quando o meu querido D. João Lavrador é o mais viajado de todos os prelados que até hoje se sentaram na cadeira do Santíssimo Salvador, a minha prima Teresinha, que tem um sobrinho-neto que vai ser ordenado, pergunta por que motivo não é a cerimónia realizada em São Miguel para que muitas famílias e amigos pudessem estar presentes. Até porque deixou de ser hábito fazer ordenações diaconais na Sé, já que elas desde há muito se realizam sempre no dia 8 de Dezembro, no Santuário da Conceição de Angra. Este ano fugiram da data e do lugar. Bem poderiam dar um colorido especial às festas da Senhora da Conceição, na Matriz de Ponta Delgada, ou aqui na Conceição da minha cidade Norte. Sempre são seis de São Miguel, uma boa fornada… Para todos os ordenandos o meu ternurento beijinho de parabéns! E às suas famílias!


Meus queridos! Todas as vezes que vou entregar os meus recadinhos ao Director do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, o meu querido e simpatiquérrimo Américo Viveiros, que me recebe sempre com dois dedos de animada conversa, passo  pela velha Rua do Desterro que agora é Rua Coronel Silva Leal e dói a alma ver o estado em que está o muro do velho Liceu de Ponta Delgada, ali mesmo nas barbas do Palácio da Conceição. Cheio de limos e a precisar de um pincel e um balde de tinta, ou pelo menos de um jacto de água para uma lavação… A gente sabe que o velho Palácio da Fonte Bela está a cair de podre e entregue à bicharada das térmitas, sem que haja pilim para uma intervenção imediata como se impõe. Mas o que penso é que para além da desgraça não venha o desmazelo. Para pintar aqueles muros exteriores, até basta alguns trabalhadores do batalhão daqueles que andam em programas ocupacionais!


Ricos! Depois de ter lido no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio que as obras de demolição das galerias da Calheta iam começar “quando a ASTA quiser”, jurei a mim mesma que nunca mais falaria no assunto e ia esperar para ver, porque depois da licença paga à Câmara, tudo indicava que o tal brevemente era mesmo para ser brevemente. Mas a minha prima da Rua do Poço, que anda atenta e fala com muita gente sobre o assunto, porque já não pode ver aquele mamarracho ali à frente da sua casa, disse-me esta semana que afinal não há ‘brevemente’ nenhum e que as coisas estão mesmo feias e atrasadas. Até consta que tem havido reuniões de emergência entre os promotores e o Governo, porque não estão a ser cumpridas algumas promessas feitas. O que eu gostava de adivinhar é o que está por detrás de tudo isto, mas o que cheira é que não temos obra tão cedo. E oxalá que a minha prima esteja enganada, porque ninguém mais do que ela gostaria de dar a mão à palmatória…


Ricos! E já que estou a falar da Calheta e sou uma mulher que gosto de cortar a direito e de dar o seu a seu dono, e como há dias aqui nos meus recadinhos falei no painel de Domingos Rebelo que está mesmo em frente do velho edifício da EDA, que estava todo estragado e que não era actualizado há mais de ano, quero dizer que agora já foi substituída a cópia da pintura de Domingos Rebelo e no outro lado foi colocado um muito bem concebido anúncio da Câmara a apelar para os cuidados a ter com os animais, com apelos de adopção dos patudos… Fica registada a rapidez com que foi atendida a sugestão aqui nos meus recadinhos…


Meus queridos! Depois de uns dias em que lá para os lados de São Bento não se ouvia falar do Livre e da sua deputada Joacine, eis que agora ela volta à ribalta, pelo desalinhamento com o Partido e pela fobia que começou de repente a ter pelos jornalistas, ela mesmo que antes andava sempre onde pudesse haver um jornalista. E o seu assessor não teve meias medidas quando pediu aos profissionais da comunicação que largassem o osso… Assim mesmo, como se os ditos cujos não fossem mais que caninos esfomeados. Só não entendi como é que o PAN não reagiu àquele “larguem o osso”… Se eu fosse uma jornalista, e depois de ver a senhora sair escoltada por um GNR para não ser incomodada, acreditem que nunca mais pensaria naquele osso… É que D. Joacine ainda não percebeu que ela mesma é um fruto dos jornalistas…


 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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