“Estamos a discutir o não pagamento do subsídio de 2018 com o Grupo SATA e a tutela e vamos esgotar todas as possibilidades de entendimento”

A situação que encontrou no GDC correspondeu aquilo que dela pensava?  
Tivemos algumas surpresas, nenhuma delas agradável. E existem alguns riscos que podem ter um impacto forte no clube. Mas o quadro geral é semelhante àquilo que a anterior direcção tinha indicado nas várias conversas que tivemos antes e após a nossa tomada de posse.

O que já foi feito para estabilizar a situação financeira do Clube?
Temos vindo a trabalhar de forma silenciosa, porque é a nossa postura e nos parece que é a melhor abordagem para o GDC. Ou seja, o trabalho não é visível, mas está lá. Mitigamos a dívida fiscal, reduzimos o montante de financiamento bancário, que estamos a renegociar, e estamos a finalizar um plano que nos permita resolver as questões que temos com os fornecedores, nossos parceiros, a quem temos sempre que agradecer pela paciência que têm tido. O mais visível foi a questão das senhas.

Tem perspectivas de poder resolver o problema da falta de pagamento das verbas do Grupo SATA, decorrentes do compromisso que aquela empresa tinha de Main Sponsor do Azores Rally em 2018, e ao que julgamos saber ainda não foram pagos 250.000 euros por conta do patrocínio daquela empresa?
Sobre este tema: foi tornado público pelo anterior elenco directivo que estava em falta a regularização de valores relativos a 2018. Estamos a discutir o assunto com a companhia e a tutela e vamos esgotar todas as possibilidades de entendimento. Portanto, sim, estamos confiantes que se vai resolver. 

Se não se resolver, qual a posição que a sua Direcção vai tomar?
 Não vamos especular, até porque, como disse, estamos confiantes que se vai resolver. Embora o clube não possa sair prejudicado, temos consciência da situação do Grupo SATA.

Como tem sido o diálogo com a Eurosport Events e com a FPAK?
O melhor possível. No segundo caso, desde a primeira hora, ainda numa fase de pré-candidatura. Uma palavra de apreço ao Presidente Ni Amorim. No primeiro caso, um pouco mais difícil de início, com o François Ribeiro, pelo incumprimento que o GDC tinha. Mas depois da nossa entrada em cena e da apresentação do nosso plano – apesar de outros quererem reclamar a paternidade da solução – e posterior regularização dos valores em aberto, abriram-se as portas. Depois entrou em cena o Jean-Baptiste Ley, que é um fã incondicional dos Açores, e isso ajudou muito. Falo com ambos todas as semanas.

Já tem o calendário de provas proposto para 2020, numa altura em que os pilotos de São Miguel queixam – se da falta de provas nesta ilha?
Sim, proposto e inscrito junto da FPAK, depois de apresentado e discutido com os pilotos. Relembro que desde a primeira hora dissemos que queríamos aumentar o número de provas na ilha, indo precisamente ao encontro das pretensões dos nossos associados. Quem não percebeu isso – ou não quer perceber – ou está distraído ou tem má -vontade. A seu tempo vamos apresentar o programa de 2020, em que o clube celebra o sexagésimo aniversário.

Vai ter lugar alguma comemoração especial?
Não quero dar muitos pormenores antes de ser oficialmente apresentada, mas queremos comemorar e de forma condigna ao longo de todo o ano. Vamos começar em Janeiro com um jantar de gala e encerrar com um Festival em Dezembro, tendo pelo meio as duas provas do costume e outras três que são novidade. 

Pondera organizar um Campeonato “Open” em São Miguel, ou até dos Açores, em colaboração com os outros clubes que organizam provas nos Açores, só para veículos não homologados?
Diria que, por princípio, nenhuma hipótese está colocada de parte. Mas não me parece que faça grande sentido trabalhar apenas para os veículos sem homologação. Há várias hipóteses em cima da mesa, discutidas entre os clubes que organizam provas para o campeonato e depois entre estes e a federação no âmbito da ACAA (ndr – Associação de Clubes Automobilísticos dos Açores). Vamos voltar a ouvir os pilotos e depois os clubes vão concertar uma posição para fechar o regulamento de 2020.

E por falar em outros clubes, que comentário lhe merece o surgimento de um novo clube de desportos motorizados, que tem Luís Pimentel e António Andrade como sócios fundadores, e que são também sócios do GDC, pelo menos por enquanto?
Para que não restem dúvidas, não temos absolutamente nada contra o surgimento de outros clubes, não sendo este a excepção. Aquilo que recriminamos é a forma e o conteúdo. Não se pode querer fazer umas coisas à custa de outras e não vou admitir que brinquem com o GDC. De resto, o novo clube, ao que sei, tem um alvará que nem lhe permite organizar ralis e, ao contrário do que foi afirmado, não vai integrar o Troféu de Ralis de Asfalto, segundo me garantiram os promotores do mesmo. E, verdade seja dita, não há qualquer hipótese de comparação: liga dos campeões versus distritais. É, portanto, um não-assunto.

Como pretende relacionar-se e com esta nova entidade? A coabitação é possível?
Veremos. A iniciativa não tem que ser nossa e, até agora, apesar de falarem de parcerias, todas as acções apontam no sentido inverso. Repito, é um não-assunto, temos muito mais onde gastar o nosso tempo e as nossas energias, em coisas que são realmente importantes.

Como tem sido o relacionamento com a Associação de Pilotos?
Estava a ser fantástico. Muito recentemente lançaram um comunicado onde davam nota da união em volta do GDC, o que muito nos satisfez. Na semana seguinte soube-se que o Presidente da Associação é sócio fundador do novo clube. Não sei como vai ficar.

Já tem um novo Main Sponsor para a edição 2020 do Azores Rally? O que está a ser feito para este objectivo ser atingido?
Não temos o tema fechado. Pelos valores envolvidos, a tarefa não é simples e requer algum tempo. Estamos a trabalhar no mercado regional, nacional e internacional nesse sentido, mas a solução não tem que passar por um main sponsor. O que temos é que garantir que o conjunto dos sponsors nos garanta aquilo que necessitamos.

O apoio do Governo dos Açores, embora significativo, não é suficiente para suportar a estrutura de custos do Azores Rally. Nota-se por outro lado um certo divórcio com o tecido empresarial de São Miguel, onde não se vê nenhuma empresa de referência ligada à prova... 
Não é bem uma pergunta, mas percebo o ponto. O orçamento da prova é muito elevado e o apoio do Governo, não apenas financeiro, é muitíssimo importante, porque percebe o enorme impacto em termos promocionais que Azores Rallye tem e a fantástica relação custo-benefício. Tomara todos os 20 ralis barra países barra regiões que estão a tentar entrar no ERC terem essa possibilidade. O tecido empresarial privado não estava a ser bem trabalhado e estamos a agir no sentido de inverter esse cenário. Até porque o benefício que as empresas locais têm ascende a vários milhões de euros. É, portanto, do seu interesse.

A aposta nos carros eléctricos é para manter? No mesmo formato?
Sim, certamente. Eléctricos e híbridos. Uma das provas que referi é a segunda edição do Azores eRallye, mas agora num evento que não está colado à prova do ERC, para lhe dar o merecido destaque e potenciar o aumento da participação.

Recordo – me que do seu programa constava uma aposta nos Clássicos, modalidade que tem tido uma grande projecção a nível nacional e internacional! Mantém-se?
Dissemos desde o início que íamos fomentar o aparecimento de secções no seio do GDC. Vamos aproveitar as celebrações do aniversário para colocar a funcionar nove – uma delas os clássicos –, que vão entrando em actividade em 2020 e 2021. 

Que balanço pode ser feito então deste início de mandato da sua Direcção?
Não querendo ser juiz em causa própria, considero que é muito positivo. Já se fez muito, embora das nossas portas para dentro. Quero aqui publicamente agradecer ao elenco directivo que me acompanha todo o empenho e as horas que têm dedicado ao clube. Estou convicto que, com esta equipa, atingiremos os nossos objectivos.

Uma última questão: Vai submeter uma proposta de alteração dos estatutos do GDC, muito desactualizados, pois datam dos anos 60! Que principais alterações vão ser propostas e para quando a sua votação?
A assembleia geral extraordinária está marcada para as 20.00h do próximo dia 9 de Dezembro, que é uma Segunda-feira, na sede do GDC. As principais questões que quisemos introduzir ou alterar, e que podem ser consultadas na página de Facebook do clube são: a criação de um conselho consultivo; a alteração da duração do mandato dos órgãos sociais para três anos, com uma limitação de três mandatos consecutivos; a introdução de uma segunda assembleia geral extraordinária para aprovação do plano de actividades e orçamento; a alteração na composição das secções desportivas; e a divisão dos sócios efectivos em ordinários, desportistas e colaboradores.                                                                                                 

CA
 

Print
Autor: CA

Categorias: Desporto

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima