Banda União dos Amigos com nova direcção

Criar uma escola de música nas Capelas nas prioridades do mais jovem presidente de uma filarmónica em Portugal

Fábio Filipe Vultão Bernardino, de 19 anos de idade, é o mais jovem Presidente de uma Filarmónica nos Açores e no país. A Assembleia-Geral da Banda União dos Amigos das Capelas elegeu-o para dirigir os destinos da filarmónica, da qual é também músico. Iniciou-se como aprendiz em 2011 e hoje é possível ouvi-lo no trombone. É um jovem músico formado na banda, como faz questão de dizer ao nosso jornal.
Este jovem, que já trabalha, diz que ser presidente da Banda é uma ambição de há longos anos, agora concretizada. “Sou músico há 8 anos e achei que já podia dar mais um passo. Acho que a Vila de Capelas merece ter uma Filarmónica mais preparada e mais capacitada, assim como faz todo o sentido que os mais jovens estejam à frente de uma instituição. Os tempos são outros e as bandas também têm de se modernizar.
Entendo que os jovens não podem estar só na banda para serem músicos, devem pensar também em contribuir para o seu desenvolvimento e ingressar a direcção da mesma, se possível”.
Questionado se nesta linha de pensamento, de que os destinos das instituições devem ser entregues aos jovens, que lugar reserva para os mais velhos. “Sou o mais jovem presidente mas o meu vice-presidente é o músico mais antigo na banda. O que nós pretendemos é recuperar todos os músicos que saíram da banda, e, acima de tudo, dar continuidade ao trabalho que foi feito e, se possível, enriquecê-lo”.
Dentre os projectos da nova direcção está a criação de uma Escola de Música, sempre “com o objectivo de dar continuidade à instituição”, que foi fundada em 1879, por iniciativa de José Joaquim Cabral de Medeiros, com o imprescindível apoio do Barão da Fonte Bela, que oferece o primeiro instrumental e o primeiro fardamento. Realiza a sua estreia pública no dia 24 Dezembro do mesmo ano, sob a regência de Guilherme Augusto Tavares de Matos, contra-mestre da então Banda do Regimento, como consta da recolha feita por José Andrade para a obra que tem em preparação “Filarmónicas de São Miguel – a alma de um povo”.
“Em junho de 1881, era seu presidente honorário José Alves da Silva. De entre os benfeitores União dos Amigos, destaca-se também o nome de José Maria Raposo Amaral, que em 1890 oferece um novo instrumental. Em 1896, é eleito como presidente honorário o Visconde do Porto Formoso, como consequência da oferta de um novo instrumental. Nesta época, a regência musical estava a cargo de Ventura Henriques da Silva, um professor de instrução primária oriundo do continente português e radicado na vila das Capelas, que se dedica à filarmónica durante meio século, conjuntamente com o presidente Arthur Amorim da Câmara.
Depois de um interregno na sua actividade motivado pela emigração de muitos dos seus componentes, realiza a sua primeira deslocação para o exterior de São Miguel, em 1980, rumo à ilha de Santa Maria, para participar nas Festas do 15 de Agosto.
No ano 2000, desloca-se aos Estados Unidos da América, para as Grandes Festas do Divino Espírito Santo da Nova Inglaterra, na cidade de Fall River, e, no ano seguinte, participa nas festas da Praia da Vitória, na ilha Terceira. Em 2002, regressa a Santa Maria, para as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
Nos últimos 17 anos, a Banda União dos Amigos tem realizado deslocações artísticas às ilhas São Jorge e Santa Maria, a Portugal Continental (Mogadouro) e novamente aos Estados Unidos da América. Em 2019, regressou a Portugal Continental para actuar nas regiões Centro e Norte”, como consta da obra de José Andrade, a publicar.
Fábio Bernardino, para além da criação da Escola de Música, que diz ser para breve, pretende que o seu mandato seja “inovador e mobilizador. Queremos implementar um novo fardamento, que já é necessário, pretender voltar ao sistema de sócios, como já houve, e desenvolver projectos artísticos, que possam ser levados às escolas. Pretendemos promover vários concertos, sendo que é nossa intenção que no Coliseu Micaelense possamos fazer um concerto em conjunto com outras personalidades musicais. Dentro da inovação, o jovem presidente diz ainda que é intenção da direcção promover “acampamentos e intercâmbios com outras filarmónicas”. 
A nova direcção da banda é composta, a saber: Presidente; Fábio Filipe Vultão Bernardino; Vice-Presidente - Victor Manuel Resendes Moura; Tesoureiro - Fernando Pereira Cordeiro; Secretário - Miguel Alexandre Borges Medeiros; e Vogal - Constantino Melo Cabral Roque. 
                Nélia Câmara

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima