VI Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono

“Campeã” é o resultado de muita dedicação e aposta na genética de qualidade

O VI Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono consagrou no fim-de-semana a exploração dos Irmãos Rita como grandes vencedores de mais um concurso bovino organizado pela Associação Agrícola de São Miguel. A exploração da Maia, dos irmãos Jorge e Paulo Rita, viu o juiz canadiano John Werry consagrar a vaca com 5 anos de nome “Campeã” como o melhor animal em pista e também o melhor úbere. Também a vaca Vice Grande Campeã, de nome “Amália” que foi a melhor da sua secção (vacas a partir de 6 anos), pertence à exploração dos Irmãos Rita que foi também a exploração que o juiz canadiano considerou que apresentou o melhor conjunto de animais a concurso. “Um grupo de grande qualidade”, perante animais “todos muito uniformes” que se apresentaram em pista. 
O juiz John Werry, que além de ser produtor também presta serviço a empresas ligadas à genética e à nutrição, destacou o “óptimo balanço, óptimas pernas e um sistema mamário muito bom” da vaca que elegeu como a Vaca Grande Campeã do concurso. Um animal que se destacou de entre “as boas vacas” que se apresentaram em pista ao longo de mais um fim-de-semana de concurso bovino, e que seria “muito competitiva no Canadá”, caso participasse em concursos do outro lado do Atlântico. 
John Werry, que possui uma exploração leiteira com uma área de 243 hectares onde produz também milho, soja, trigo e cevada, evidencia que as melhores vacas de cada secção deste concurso “são muito semelhantes aos animais do Canadá. Têm grande capacidade leiteira, bons pés e pernas e bons úberes. São muito similares em relação às vacas do Canadá”.
O canadiano não se mostrou muito surpreendido com a qualidade dos animais que se apresentaram a concurso, até porque a qualidade dos animais dos Açores já é falada no Canadá. “Esperava essa qualidade. Muitos juízes canadianos já estiveram cá, por isso a qualidade do gado daqui é um assunto que se fala lá. Amigos meus disseram-me que ia encontrar gado muito bom aqui”, explicou.
Com uma exploração composta por um efectivo adulto de 85 vacas Holstein que são ordenhadas por dois robots, John Werry acredita que os produtores açorianos estão a fazer o que lhes compete em relação à boa qualidade dos animais. O conselho é que “devem continuar a fazer o que estão a fazer. Têm tomado grandes decisões em termos de genética e os resultados são visíveis no concurso”, explica. 
Pela primeira vez nos Açores, o juiz canadiano que já venceu diversos prémios importantes no Canadá como o título de Grande Campeã no Canadian Dairy Classic em 2004, gostou do que viu além das vacas. “Achámos as pessoas muito simpáticas, é uma ilha sensacional, com pouco crime, sentimo-nos seguros. É um sítio único comparado com o resto do mundo”, confidenciou.
 
“Esta vitória é o fruto 
de muito trabalho”

O jovem Diogo Rita, que desfilou na pista do VI Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono com a Vaca Grande Campeã, nem queria acreditar quando o juiz canadiano se dirigiu à “Campeã” para a consagrar como o melhor animal. 
Depois de ter sido eleita a melhor vaca da sua secção (vacas de 5 anos), Vaca Campeã Adulta e melhor úbere do concurso, a apoteose veio no final com a grande ovação para o animal. 
Diogo Rita ficou “sem palavras para explicar” o que sentia naquele momento de adrenalina. “Desfilar com uma campeã é uma sensação muito boa. Sem explicação”, afirmou o jovem que classificou a vaca que já era campeã antes de o ser como um animal com “um úbere muito bem colocado, expõe-se de uma maneira equilibrada e muito complexa. Foi o que atraiu o juiz”.
Sem cuidados especiais no pasto, onde produz 60 litros diários, a “Campeã” é também fruto de “muito trabalho, muita preparação para se ver este final” e de boa genética. Diogo Rita explica que “continuamos sempre a apostar na genética. Temos de explorar mais a genética mesmo não ganhando sempre os primeiros lugares”, acrescentou o jovem que está a terminar o 12º ano e ainda não decidiu se vai prosseguir para o ensino superior ou passar directamente a trabalhar na exploração da família. O certo, afirma Diogo Rita, é que a agro-pecuária vai fazer sempre parte da sua vida. Seja prosseguindo para o ensino superior “onde, se prosseguir, vai ser num curso relacionado com a pecuária”, seja no dia-a-dia a exploração da família. “Somos uma família de lavradores, há continuidade para a exploração, felizmente”, refere. 
“Excelência é o caminho”

Satisfeito pelo título de Vaca Grande Campeã ter saído da sua exploração estava também Jorge Rita, Presidente da Associação Agrícola de São Miguel. Mas acima de tudo, satisfeito pela forma como decorreu mais um concurso de Outono que contou este ano com a presença de 180 animais provenientes de 55 explorações de São Miguel.
“É mais um momento de grande regozijo, enquanto Presidente da Associação Agrícola de São Miguel, pelo dinamismo que este concurso teve, pela excelência dos animais, pela afluência de um público extraordinário que aguentou até ao fim para ver a vaca vencedora”, destacou. Jorge Rita entende que essa é a demonstração inequívoca que há união em redor de um “sector vital para a nossa economia” e que deve continuar mesmo quanto o sector atravessa algumas dificuldades.
Dificuldades que mesmo assim não impedem os produtores de marcarem presença nos concursos bovinos organizados pela Associação Agrícola de São Miguel e de alcançarem prémios devido à excelência dos animais com que se apresentam em pista. “Aqueles que tiveram os seus animais aqui estão de parabéns, porque houve animais de vários pontos da ilha, com vários prémios. Todos dignificaram este evento magnífico que foi feito neste recinto especial”, avançou Jorge Rita que acrescentou que além do recinto “temos vacas especiais e agricultores especiais e o desafio é que outros também sejam especiais”, dirigindo-se à indústria para que consiga acompanhar o preço do leite pago à produção de acordo com a qualidade do leite que é “dos melhores leites da Europa e dos mais mal pagos da Europa”. 
Tudo para que “na Região se dê o salto, que é o salto da excelência”, referiu o Presidente da Associação Agrícola de São Miguel que lembrou que “essa excelência ficou aqui demonstrada com um juiz que vem do Canadá, que está ligado às melhores vacas do mundo e quando chega cá fica espantado com a qualidade dos nossos animais”. Ou seja, a produção já faz o que lhe compete ao produzir um dos melhores leites do mundo que precisa de ser mais valorizado pelas indústrias, quer junto dos produtores quer nos mercados.

Melhores apresentadores querem 
dar seguimento ao sector

Durante todo o fim-de-semana, o Parque de Exposições de São Miguel serviu de montra para os melhores animais que se criam em São Miguel, mas também premiou os melhores apresentadores do desfile. 
Beatriz Pereira Pacheco, que representou a exploração Dinarte Pacheco de Ponta Garça, foi considerada a melhor apresentadora jovem. Um feito que a jovem conseguiu ao fim de três anos a participar nos concursos organizados pela Associação Agrícola de São Miguel e também nas formações. 
“Foi totalmente inesperado”, explica a jovem que diz que a experiência que foi adquirindo ao longo dos anos é que deu agora o resultado de ser considerada a melhor apresentadora e ter um grande controlo sobre o animal que apresentou. “Ter calma é essencial”, explicou Beatriz Pereira Pacheco que garante que ter uma ligação com o animal também é fundamental e por isso “sempre que não estou na escola” ajuda o pai na exploração. “É uma paixão desde pequena”, garante Beatriz Pereira Pacheco que garante que o seu futuro vai passar inevitavelmente pela agro-pecuária. 
Também Miguel Melo, da Sociedade Melosfarm, Lda das Feteiras, eleito o melhor apresentador adulto, garante que o seu futuro será certamente a lidar com vacas. Já no XVIII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia, organizado este ano no Verão, Miguel Melo foi eleito o melhor apresentador em pista e também com a mesma novilha. De lá até agora, garante que o gosto pelos animais e pela pecuária se mantém. A única mudança é que agora já se encontra a trabalhar a tempo inteiro na exploração da família. “Acho que é um sector com futuro e penso que o ataque ao gado bovino que temos vindo a assistir, é apenas uma moda”, garante ao mesmo tempo que acredita que o futuro do Açores vai continuar a passar pelo sector agrícola, concretamente pela agro-pecuária. 
            
                    Carla Dias

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima