5 de dezembro de 2019

SATA: resposta a Marcos Couto

No texto sob o título “A SATA, a Terceira e o Turismo Regional” assinado por Marco Couto, o autor tece um conjunto de considerações que importa esclarecer, uma vez que estas contêm menções inverídicas no que respeita à conduta comercial da companhia aérea SATA Internacional- Azores Airlines.
Por pontos, e com remissiva a citações do autor para efeitos de contextualização, esclarecemos o seguinte: “A SATA internacional (como gosto de a continuar a chamar) tem 12 ligações semanais entre os Estados Unidos e Ponta Delgada. Tem 3 com as Lajes. Perante uma tamanha desproporção de tratamento não admira que os voos para a Terceira estejam sempre vazios. Tal situação não fica a dever-se à pouca atractividade da Terceira como destino, mas ao facto da SATA bloquear, propositadamente, as reservas de lugares para a Terceira e fazer encaminhar todos os passageiros por Ponta Delgada, justificando assim artificialmente uma realidade que não existe”.
É desprovida de fundamento, a afirmação de que a SATA Internacional-Azores Airlines, bloqueou, de forma estratégica, os lugares disponíveis nas ligações entre Boston e a Terceira, com o intuito de falsear a taxa de ocupação daquela rota e, consequentemente, justificar a sua futura descontinuidade. A provar precisamente o contrário, está a iniciativa, já em curso, de solicitar autorização para que a companhia aérea possa vir a voar, à semelhança do que faz entre Boston e Ponta Delgada, em regime regular e não em regime charter. Só o interesse na continuidade da operação aérea justificaria tal empenho, por parte de uma companhia aérea. A este propósito, será igualmente de referir que o limite às reservas de que fala o autor, registado no passado verão IATA, foi de caracter pontual, tendo sido, entretanto, ultrapassada a questão. Neste momento, os passageiros podem reservar, sem constrangimentos, um voo direto entre Boston /Terceira, sem efetuar a ligação, via Ponta Delgada.
“20% dos turistas norte americanos que a companhia transporta usa a SATA não para chegar aos Açores (Ponta Delgada) mas para conhecer a Ilha da Madeira. A SATA a trabalhar para promover a Madeira e justificar entradas no aeroporto de Ponta Delgada”. Neste particular, o autor replicou alguns títulos da imprensa que interpretaram, de forma incorreta, afirmações proferidas num encontro empresarial, ocorrido na Ilha da Madeira. Convém, então, aproveitar esta oportunidade para esclarecer que não é correta a afirmação de que 20% do tráfego que viaja entre Boston e os Açores se destina à Madeira; mas sim, que 20% do tráfego que viaja na ligação entre a Madeira e Ponta Delgada tem como destino final a América do Norte (Boston e Toronto). A correção desta informação é importante, uma vez que o tráfego entre  a Madeira e os Açores é substancialmente inferior ao que se regista entre os Estados Unidos e os Açores. Neste contexto, e perante os números de uma e outra realidade, o tráfego que viaja entre a Madeira e Boston na SATA (e que passa pelos Açores) é residual quando comparado ao tráfego que viaja entre Boston e os Açores.
Contudo, e visto por outro prisma, será de realçar que um dos objetivos estratégicos do Grupo SATA também se cumpre mediante a oferta de maior conectividade do destino Açores, tornando-o uma placa giratória (“hub”) de maior relevância, garantindo assim uma oferta mais consistente durante todo o ano. Sendo o contexto do negócio do transporte aéreo, em regra, mais complexo do que possa parecer à primeira vista, concluir-se que os lugares ocupados por passageiros com destino ou origem na Madeira representam uma perda para a companhia aérea e para os Açores, é circunscrever-se à perspetiva mais redutora de uma questão que tem maior dimensão, quer para a SATA quer para os Açores.
“A SATA tem uma rota que liga os Estados Unidos a Cabo Verde, via Ponta Delgada, duas vezes por semana, pelo que vi no site da companhia. Nunca se soube o custo real desta rota, bem como a sua rentabilidade. Mais uma vez passageiros que desembarcam em Ponta Delgada mas com destino a Cabo Verde. Mais entradas fantasma”.
A aposta no voo combinado Boston / Ponta Delgada / Praia / Ponta Delgada / Boston tem obtido resultados positivos, que não são tornados públicos unicamente por uma questão de salvaguarda da informação de interesse estratégico e comercial, e não por outra qualquer razão. Não significa que ninguém os conheça ou que não esteja devidamente justificado o interesse desta operação aérea.
“Na ligação da Terceira com o Porto a SATA passou a operar a rota, que era rentável, com um avião maior para depois dizer que a rota não era rentável e assim justificar o seu cancelamento. Uma esperteza saloia que revela a (in)capacidade de quem toma esta decisões”.
A colocação de uma aeronave de maior dimensão na rota Terceira/Porto está relacionada com o melhor aproveitamento dos equipamentos. Neste caso, a rota Terceira / Porto faz-se na sequência da rota Boston/ Terceira e, como tal, aproveitando o equipamento que se encontra disponível. O mesmo critério se aplica à ligação Ponta Delgada/ Lisboa ou Ponta Delgada/ Porto, que aproveita a disponibilidade de equipamento que faz a ligação Boston / Ponta Delgada ou Toronto/ Ponta Delgada.
“A TAP vai entrar em concorrência direta com a SATA na rota dos Estados Unidos. Era a machadada que faltava. É urgente uma redefinição da companhia. Não é possível concorrer com a TAP.”
Será de relembrar, que a TAP já operou esta rota no passado tendo optado por descontinuá-la. Por outro lado, a SATA Internacional-Azores Airlines enfrenta diariamente a concorrência da TAP, da Air Transat, da Air Canada (Rouge) e de outras companhias que, direta ou indiretamente, atuam nos mesmos mercados da América do Norte. Sendo um facto inegável que TAP Air Portugal e SATA Internacional-Azores Airlines atuam em circunstâncias incomparáveis (a TAP Air Portugal conta com uma frota de mais de uma centena de aeronaves a SATA Internacional-Azores Airlines tem uma frota de seis aeronaves) ainda assim, a companhia aérea açoriana continua a voar para os Estados Unidos e ao Canadá (há duas décadas); trouxe e continua a trazer muitos turistas europeus aos Açores; estabeleceu e mantém uma ponte entre os Açores e Portugal Continental e, mais recentemente, entre os Arquipélagos da Macaronésia; serve as cinco gateways dos Açores e é a transportadora que mais passageiros transportou e transporta para os Açores.                                              

Grupo SATA

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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