8 de dezembro de 2019

Dos Ginetes

Um excelente Encontro

Na passada Quarta-feira dia 4 tivemos no Salão Paroquial dos Ginetes um dos melhores encontros de Conselhos Pastorais, a nível de paróquias desta chamada “zona oeste” a que tive ocasião de assistir, e já foram vários, não pela quantidade de participantes mas sobretudo pela qualidade dos temas apresentados e delicadamente discutidos, que proporcionou a todos uma das raras ocasiões de exprimir o que vai na alma dos membros de uma Igreja que continuamente e em alta voz anunciamos estar em crise mas que na realidade muito poucos se preocupam a participar na solução dos problemas que há mistura com uma qualidade de vida melhor e o aparecimento das novas tecnologias transformou por completo o conceito de família. Hoje praticamente tudo mudou, e porque muita coisa mudou temos igualmente a tentação de querer mudar o próprio Deus para que nos possamos mais facilmente acomodar.
De realçar a presença do Ouvidor, Cónego Constança, que marcou presença dando assim apoio aos respectivos párocos desta “zona”, Marco Sérgio, Maximino e Tiago Toste, o que contribuiu, apesar de ainda existir ainda alguma resistência de bons Cristãos, para no final termos regressado a nossas casas com algo de muito sério e importante a reflectir.
Estivemos reunidos nos Ginetes o que pela centralidade desta terra contribuiu para a presença de gente que de outra forma talvez não tivesse a mesma facilidade de deslocação como tantas vezes no passado tem sucedido nas mais diversas ocasiões.
Já me desloquei várias vezes e por outras razões relacionadas igualmente com assuntos de caracter pastoral a Ponta Delgada, Covoada, Fajã de Baixo e talvez outras na periferia da mesma cidade que já nem recordo. Portanto aqui vai da minha parte, que nada represento além da minha pessoa os meus agradecimentos ao Ouvidor que decidiu fazer um trabalho tendo em conta uma melhor proximidade com esta gente.
Não quero de modo algum deixar de mencionar igualmente a excelente apresentação do Padre Marco Sérgio, que muito bem conhecemos como antigo Pároco dos Ginetes e actual Professor da nossa Escola Básica e Integrada, além de Pároco dos Mosteiros que nos levou à reflexão das Orientações Diocesanas de Pastoral para a Caminhada Sinodal, tendo como tema de fundo igualmente “A beleza de caminharmos juntos em Cristo”.
Divididos em pequenos grupos de trabalho, cada qual com a supervisão de um dos Sacerdotes presentes, eram quatro, aí cada qual teve ocasião de exprimir livremente a sua opinião.
Dos vários temas em destaque um, sem dúvida, mereceu especial atenção e preocupação de quem ousa ainda reflectir sobre esta sociedade consumista que é o tema da “Família”.
A internet com as suas redes sociais que muitos pais não procuram controlar, alguns até apoiam a criação de perfis de jovens deixando-os colocar falsas idades correndo assim o risco como já tem sucedido infelizmente de desagradáveis surpresas. Os telemóveis que hoje ninguém dispensa mas que nunca deveriam estar livremente nas mãos de crianças que mesmo antes de aprender a ler as primeiras frases já são mestres no domínio de comunicar, pois já é raro aquele que não possui esse pequeno aparelho, em muitos casos com internet. O pai trabalha, a mãe trabalha, são prioridades indispensáveis para o sustento da família mas por vezes é igualmente uma das grandes causas da falta de diálogo no seio da mesma. 
Conheço famílias com situações económicas bastante favoráveis, ultrapassando mesmo a média da maioria dos portugueses, que sabem dizer não aos “meninos ou meninas” quando julgam que os mesmos não estão ainda com idade e preparados para fazer face a esse perigo que constitui o acesso livre às novas tecnologias. Infelizmente também conheço outros, e não são poucos, que vivendo do “rendimento de inserção social” preferem a privação de bens essenciais e se dão ao luxo de “mimar” demasiado cedo os “rebentos da família” iniciando assim mais uma geração de gente que nunca saberá viver independente dos famosos apoios sociais. 
Cada qual é livre de escolher a própria forma de viver. Não pode nunca é colocar a responsabilidade que lhe pertence dependente dos governos ou nas mãos de outros que neste caso são os grandes educadores, Professores e Catequistas.
Tudo começa em casa no seio da família. Não há nenhuma perfeita além daquela que brevemente vamos comemorar como Cristãos, a Família de Nazaré.
Todavia se não houver um pequeno esforço tudo será ainda mais complicado. Somos Igreja. Cada qual com as suas qualidades e defeitos mas todos com algo para dar. A crise que tantas vezes anunciamos a alta voz não é mais que a imagem de indiferença que inconscientemente construímos pois como já referi cada qual quer uma Igreja feita exactamente para si, esquecendo que é uma Instituição com princípios, embora liderada por homens não perfeitos mas que nunca devem esquecer a doutrina do seu fundador Jesus Cristo.

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Categorias: Opinião

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