8 de dezembro de 2019

Recados com Amor

Meus Queridos! Fiquei estupefacta quando li no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, que o deputado à Assembleia da República António Ventura, eleito pelo PSD/Terceira, apelou à Ministra da Saúde para “que o Governo da República acuda ao sector da Saúde nos Açores, para ultrapassar as incapacidades que o Governo Regional tem em resolvê-los, tal como tem ainda nas empresas públicas como a SATA... O deputado Ventura lembrou depois que em Outubro de 2020, “se vão realizar as eleições regionais, nas quais será imperioso mudar de Governo”, perguntando depois o deputado do PSD/A “que vai fazer, até lá, o Governo da República, para acudir à Saúde nos Açores, pois os açorianos estão a ser tratados como portugueses de segunda”. Meus queridos! Não sei nem quero saber qual foi a resposta da Ministra, porque o que me preocupa é o desconhecimento político (para não dizer outra coisa) do deputado Ventura quanto às competências que a Autonomia reserva à Região. Isto a não ser que António Ventura seja o porta-voz daquele grupo de terceirenses que defendem que a Autonomia passe a ser dirigida por Lisboa… Não sendo mulher de me meter em políticas, proponho que o PSD/A tome a iniciativa de ministrar um curso de formação ao deputado António Ventura sobre Autonomia Política… para que ele não volte a botar faladura sobre matéria que não conheça… As questões da Região discutem-se na Região… tá, meu querido?


Ricos! O meu querido Presidente Marcelo está mais acelerado desde que fez o cateterismo ao coração e vai a todas… É colaborando com o Banco Alimentar, é fazendo compras em feiras e exposições, é cuidando dos sem abrigo… e agora anunciou que vem ao Corvo celebrar a passagem-de-ano… Para ele é mais uma maneira de conviver com uma comunidade especial como a do Corvo, mas para outros responsáveis que terão de o acompanhar por dever de oficio… lá se foi o “Reveillon” em família… 

Meus Queridos! As vendas da Sexta-feira preta, que é a tradução à letra da chamada “Black Friday”, importada dos países anglo-saxónicos, tal como é o Dia das Bruxas, que deixou de ser de “Todos os Santos”…. ocupou a semana e pôs montes de gente a correr dum lado para o outro para fazer as compras de Natal ao preço da “uva mijona”. A minha comadre Angelina disse-me que houve enchentes nas lojas baratas… sem lugar para parar o popó e lá dentro com o ar quase irrespirável… Diz Angelina que está escaldada sobre estas promoções, porque o ano passado comprou um produto que se dizia mais barato… mas afinal descobriu depois que o preço do mesmo tinha aumentado dias antes da promoção para ficar mais barata, mas ao preço anterior… Diz quem sabe que é um truque publicitário, mas Angelina diz que é o que se chama “comer  gato por lebre”… Tudo isso para dizer que o alevanto da semana deixou passar outras coisas importantes para a vida de cada um… 

Meus queridos! Quero mandar daqui o meu ternurento beijinho ao simpatiquérrimo Director do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio pelo magnífico suplemento publicado nesta Sexta-feira, dia 6 de Dezembro, assinalando o centenário do nascimento do grande e inesquecível Professor que foi José de Almeida Pavão. A riqueza e o carinho dos testemunhos publicados mostram bem a dimensão humana e intelectual do Professor que marcou gerações e que, acima de tudo era uma pessoa de afectos, como agora está na moda dizer-se. As palavras de sua filha, Leonor Pavão Sequeira Dias, na entrevista central do suplemento, são de uma riqueza só própria de quem sabe aliar a profundidade do conhecimento à dimensão da saudade e memória de seu pai. Espero que muitas outras iniciativas se estendam durante este ano para honrar tão grande figura da nossa história recente.

Ricos! A cidade de Ponta Delgada está linda para o Dia de Montras que hoje está aí, esperando-se que São Pedro ajude. A Câmara do meu querido Presidente Bolieiro caprichou nas luzes, embora haja sempre quem reclame que a sua rua não foi iluminada, como se fosse possível chegar a todas… A minha prima da Rua do Poço também está triste porque os repetidos apelos para que fosse iluminada a ermida da Mãe de Deus não chegaram ao Céu…. e o ponto mais alto da cidade lá vai ficar às escuras em tempo de Natal. Mas a gente sabe que o pilim não estica e nunca, em coisa nenhuma, se pode agradar a gregos e troianos… Agora, o que eu peço à Câmara do meu querido Presidente Bolieiro é que mande iluminar os mostradores do relógio da Matriz, porque com tudo tão bem iluminado e o relógio às escuras,… não fica bem… ou como gostava de lembrar o saudoso padre Vicente Afonso, … “não bate a bota com a perdigota”… Espero que, pelo menos para a noite da passagem do ano, a coisa esteja resolvida.

Meus queridos! A gente sabe que todos têm de fazer pela vida, mas há coisas que me custam a entrar na cabeça e uma delas foi a que eu li esta semana e que dizia que um Sindicato pede ao Governo para dar tolerância no tamanho mínimo do peixe pescado. Dizem os piquenos que o peixe capturado sem o tamanho exigido “faz falta” ao rendimento dos pescadores…. E vai daí pedem à tutela um “maior equilíbrio” entre tolerância de tamanhos e medidas de gestão dos recursos marinhos. Não sei o que pensam os defensores do ambiente, mas percebo o clamor dos pescadores porque ficam de fora da medida as baleias e os golfinhos que não podem medir ou pesar as toneladas de peixinhos com que diariamente se alimentam… Bem sei que se houver a tal tolerância que é pedida pelos pescadores … dentro de dias, o mar torna-se num verdadeiro deserto aquático, mas percebo que tal medida passa ao lado de quem todos os dias devora toneladas de peixe para se manter… E já que estou com a mão na massa como dizia a minha querida prima Aninhas, pergunto porque é que a propósito de rendimentos, o sindicato não senta à mesa todas as partes para acertarem a distribuição dos rendimentos da pesca? É que eu li no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio um trabalho sobre a divisão dos lucros da pesca… que me deixou de cabelos em pé…

Ricos! O que deu esta semana foi falar na Greta e nas suas viagens. Quando chegar a hora, no final do ano, de escolher a palavra mais pronunciada no mundo, de certeza que Greta vai lá estar entre as mais ditas… e escritas. Por mim, acho que ela é livre de ir aonde quiser, desde que tenha quem pague. Não tenho é muita paciência para ouvir falar tanto de Ambiente, quando se sabe que os grandes poluidores riem-se à socapa de tudo o que se diz e continuam no seu caminho de destruição do planeta, enquanto outros se esfalfam por medidas que de tão pequeninas, pouco impacto têm… Com tanto faladura sobre o Ambiente... fico pior que uma barata, porque ainda não há uma data definida para a retoma de taras vazias, como se fará esse retorno e quem vai pagar aos comerciantes o custo do armazenamento e manuseamento dessa material. Sim, que isto não se faz com cascas de lapas, e o lixo reciclável é mais uma fonte de rendimento à custa da economia verde… Ou não será assim?

Meus queridos! A minha prima Jardelina, que tem uma amiga de peito que mora para os lados da Rua João do Rego, lá na cidade de Ponta Delgada, disse-me esta semana que desde que ali foi inaugurada há três semanas, a nova sede da Associação Nacional das Freguesias, ANAFRE, com pompa e circunstância, integrada na “visita” do Governo a São Miguel, parece que nunca mais ninguém lá pôs os pés, pois todos os dias à noite e durante toda a noite, há sempre a mesma luz acesa, dando impressão que alguém se esqueceu de apagar e ficou assim mesmo. Não é por nada, mas isto também é defender o ambiente e poupar no pilim da luz…

Ricos! Quero mandar o meu ternurento beijinho de parabéns ao meu querido padre Cassiano, que no passado dia 3 de Dezembro fez os seus 76 anos e foi homenageado com uma grande festa em São Pedro de Vila Franca onde foi pároco durante quase meio século. Ainda a recuperar de um mau momento de saúde, o antigo Director de A Crença e também pároco da Matriz e da Ribeira das Tainhas, por todos foi acarinhado e para todos teve palavras de amizade e de força, como só a sua simplicidade é capaz. Num mundo onde a ingratidão é pão-nosso-de-cada-dia foi bonito este momento. A minha prima Maria da Vila sentiu-se comovida e diz que pela sua coragem, frontalidade e proximidade, o padre Cassiano merece este tributo de gratidão. Parabéns! E que continue a recuperar!

Meus queridos! Será verdade que a Universidade dos Açores, em São Miguel, vai propor à ONU que acrescente na lista dos Direitos Humanos o Direito à Felicidade? Fiquei menente! Como diz a minha prime Teresinha: palavras, palavras! E como se aplica esse direito? E eu pensava que felicidade é um estado que não vem com todo o pilim do mundo, nem se afasta com toda a pobreza que se estende por todo o lado e de forma especial nos Açores… E como a todo o direito corresponde um dever, quem tem de aplicar e fazer cumprir o direito à felicidade? Se isto for verdade, o que apetece dizer é que não brinquem às filosofias, porque sempre ouvi dizer que primeiro viver e depois filosofar… Ainda alguém se pode lembrar lá na ONU de instituir o Rendimento Mínimo da Felicidade!

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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