8 de dezembro de 2019

A arte do negócio

1- Foi notícia as conversações que decorrem entre o Governo da República liderado por António Costa e o Governo da Região Autónoma da Madeira presidido por Miguel Albuquerque, tendo em vista a aprovação do Orçamento Geral do Estado para 2020.
2- A Madeira tem três deputados eleitos pelo PSD/M que poderão ser a chave para a aprovação do Orçamento, se cumpridas algumas das propostas apresentadas por Miguel Albuquerque e que são: 
3- A comparticipação da República em 50% do custo de construção do novo Hospital do Funchal orçado em 300 milhões de Euros, o que representa 150 milhões de euros para o Estado. Acresce a garantia do preço das passagens aéreas entre Madeira e o continente em 85 euros, o que representa um encargo no apoio à mobilidade em cerca de 45 milhões de euros,  e  ainda a garantia de uma ligação regular via marítima entre o Funchal e Lisboa com um encargo previsto de 8 milhões de euros ano.
4- Ora, com um negócio de cerca de 250 milhões de euros, o Governo da República poderá ter o Orçamento aprovado sem ter de recorrer aos parceiros que foram da “geringonça” e que pretendem agora vergar António Costa para pagar os “pecados” cometidos contra os parceiros que o sustentaram durante quatro anos no poder. Neste caso, cumprir-se-ia o aforismo de “quem com ferro mata… com ferro morre”.
5- Se o negócio entre o Primeiro-ministro e o Presidente do Governo da Madeira chegar a bom porto e o Orçamento for aprovado com os votos dos deputados da Madeira eleitos pelo PSD/M, retiram-se duas conclusões:
6- A primeira vai para o Presidente do PSD Rui Rio, que deve retirar a lição de que afinal meia dúzia de votos valem tanto que podem dar para sustentar governos ou para os destituir, e por isso devia fazer “meia culpa” e retratar-se relativamente à botada que proferiu quando desvalorizou os votos dos Açores para garantir um lugar elegível ao Parlamento Europeu.
7- Vem depois, por ser mais importante, a questão de saber que contrapartidas os Açores pretendem ver consagradas no Orçamento de Estado para 2020 que contrabalancem as compartidas atribuídas à Madeira.
8- Não se poderá invocar que a República vai suportar 85% dos custos resultantes dos estragos causados pela passagem do Lorenzo pelos Açores, uma vez que esses resultam da consignada solidariedade nacional em caso de catástrofes, como foi o caso.
9- Estas são matérias que cabem aos deputados eleitos pelos Açores defenderem na Assembleia da República, em vez de reclamarem a intromissão do Governo da República na resolução de políticas regionais, como ainda lamentavelmente aconteceu há dias sobre a Saúde. 
10- E para remate, resta um protesto pela intoxicação escandalosa a que se assiste diariamente a propósito das questões ambientais, que são reais, mas cuja resolução depende do conjunto de reacções humanas perante o meio onde cada um está envolvido, e da mudança das pessoas relativamente a hábitos e modo de uso que fazem da natureza. 
11- Isso implica consciência cívica, e tudo o mais serve de embuste para que os governos, mantendo acesa a chama das alterações climáticas, encubram os fracassos das políticas nocivas ao Ambiente, bem como as que se sucederão em nome da economia verde.
 

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Categorias: Editorial

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