Emanuel Ferreira, Presidente do Grupo Desportivo de São Roque

O mesmo rigor de sempre: “As despesas nunca podem ser maiores do que as receitas”

Nesta entrevista, e questionado como está o emblema que dirige em termos financeiros, releva que está “como sempre, estável e equilibrado, o mesmo rigor em cumprir o que está orçamentado, num cenário em que as despesas nunca podem ser maiores do que as receitas e finalizar um ano desportivo sem dívidas”.

Há quanto tempo está no cargo?
“Como Presidente é o meu terceiro ano, embora já esteja ligado ao Grupo Desportivo São Roque há 25 anos, como atleta, treinador da formação e sénior e coordenador”.
 
Fale-nos um pouco da história do clube?
“O clube foi fundado em 12-08-1960, numa fase inicial e com a falta de infraestruturas tinha apenas futebol sénior e mais tarde o escalão de juniores, e um departamento de andebol, que muitos títulos conquistaram a nível regional. Éramos um viveiro de jogadores da formação, infelizmente competindo noutros clubes fora da Freguesia, porque não tinham condições para evoluírem no nosso clube. No entanto, a partir da época de 1995/1996 com uma vaga de gente nova, entre dirigentes e treinadores, cheia de garra e entusiasmo, quase todos eles antigos praticantes de futebol, do Grupo Desportivo de São Roque, foi «braçado» com muito entusiasmo a abnegação do projecto, Escolas de Formação que, em boa hora, foi posto em prática e com resultados que ultrapassaram, de longe, todas expectativas. Tem sido uma série de êxitos que, felizmente, têm acontecido e, com os quais, o Grupo Desportivo de São Roque tem projectado o seu nome na ilha, bem como a Região Autónoma dos Açores, no contexto do futebol nacional. O Grupo Desportivo de São Roque já conquistou mais de uma centena de títulos nos seus escalões de formação, todos eles conquistados nos últimos 25 anos. Reabrimos a equipa sénior, na época de 2010/2011, com o apoio do embaixador do futebol açoriano Pedro Pauleta, que fez questão de finalizar a sua brilhante carreira no clube da sua Freguesia, conquistando a primeira Taça de Honra e de São Miguel no historial do clube e sendo campeão São Miguel em seniores nas épocas 2013/2014 e 2018/2019.
O maior contri-buto para o sucesso nestes últimos 25 anos, foi a mudança da imagem do clube, mais concretamente no melhoramento das infraestruturas, da disciplina, organização e competência dos seus formadores. Hoje somos o espelho da nossa liderança, credibilidade e transparência, uma referência para muitos clubes e ficamos orgulhosos que alguns já nos têm copiado.
Em linhas gerais e de maneira sucinta é esta a história de enorme sucesso do Grupo Desportivo de São Roque”.
 
 Quais são as expectativas para a presente temporada, em todas as modalidades?
“No futebol sénior conseguir a manutenção no Campeonato de Futebol, fundamental para o nosso projecto. Na formação manter o nível competitivo e padrões de qualidade, promovendo os valores do desporto e de cidadania, em todos os nossos escalões e finalizar o processo de certificação na Federação Portuguesa de Futebol”.
 
Em termos financeiros, como está o emblema que dirige?
“Como sempre estável e equilibrado, o mesmo rigor em cumprir o que está orçamentado, num cenário em que as despesas nunca podem ser maiores do que as receitas e finalizar um ano desportivo sem dívidas”.
 
E ao nível de infraestruturas, de treino e jogo?
“Neste momento, para termos condições de excelência falta-nos a substituição dol relvado sintético e uma melhor iluminação do Campo de Jogos de São Roque. Temos balneários para os seniores e formação, um ginásio, sala de audiovisual e de conferências de imprensa, sala de convívios para atletas e pais e sala de reuniões”.
 
Os meios financeiros colocados ao dispor do clube, através dos contratos programas, são suficientes para a formação, ou nem por isso?
“Nunca são suficientes para corresponder aos encargos diários que envolvem toda a logística que hoje temos no Grupo Desportivo São Roque, mas são fundamentais para a sobrevivência da nossa instituição”.
 
E além dos contratos programa, mais algum apoio?
“Sim, temos o Apoio da Direcção Regional do Desporto, Câmara Municipal de Ponta Delgada e Junta de Freguesia de São Roque, das mensalidades dos atletas da formação e dos nossos patrocinadores privados que nos apoiam através de publicidade das suas empresas”.
 
Comparativamente com o passado, como vê a evolução do desporto açoriano?
“Evoluímos muito na competência dos nossos treinadores, nas infraestruturas dos clubes, deixamos de ser os parentes pobres das participações a nível nacional nos escalões de formação, temos muitos bons atletas a competir em competições profissionais, Campeonato de Portugal e Campeonato Futebol dos Açores, falta-nos melhorar na base, não deixar que se continue a ter na nossa realidade, apenas um ou dois clubes a ganhar sempre de uma forma fácil”.

O que falta ao atleta açoriano para evoluir?
“Falta o principal, ou seja, ter um processo de crescimento e formação mais competitivo e com mais dificuldades. Não podemos ter só uma ou duas equipas fortes e competitivas em cada escalão, efectuar dois ou três jogos de grau de dificuldade maior. É imperdoável, não termos uma equipa de juniores a competir a nível nacional e a culpa é toda nossa. O fim das taxas compensatórias favoreceu os mais fortes que vão buscar os melhores jogadores, ganham tudo fácil e prejudicou em muito, as equipas teoricamente mais fracas”. 

No clube e nos escalões, há elementos do sexo feminino?
“Sim, temos uma equipa de futsal feminina e temos várias atletas nos Traquinas, na dança e no atletismo”.

JA/MS
 

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Autor: CA

Categorias: Desporto

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