Nuno Cordeiro assinala 1º aniversário do PH Gastropub e pede descentralização das actividades culturais para benefício do comércio

O PH Gastropub assinalou o seu primeiro ano de vida. O empresário Nuno Cordeiro, que é também o chef da cozinha, assume que se instalou na Ribeira Grande para dar corpo a um sonho que tinha de ter um restaurante, mas também para poder participar no desenvolvimento económico da sua terra natal. Um ano depois não se arrepende, porque o saldo é positivo, mas defende que há que incentivar as pessoas a desfrutarem de um novo conceito de “cozinha original” mas também há  que melhorar a sinalização para o grande parque de estacionamento que há na zona, próximo do mercado, e que passa despercebido, “o que leva muita gente a afastar-se por falta de lugares quando há muitos disponíveis”. 
Defende também que há que descentralizar as actividades culturais promovidas pela autarquia para que todos os comerciantes possam beneficiar e não só os que estão mais próximos do centro. “Nós, comerciantes desta zona do Mercado, só temos o Monte Verde Festival enquanto os comerciantes do centro beneficiam de todas as festas, desde a Feira Quinhentista à Festa da Flor passando pelo Mercadinho de Natal, entre outras. Há que distribuir um pouco por todos”.
Este jovem que escolheu a Rua da Estrela para dar a conhecer as suas novidades culinárias entende que a cidade norte, que durante alguns anos esteve parada, hoje nota-se que está a crescer a um ritmo acelerado. “Há um boom a nível turístico e as pessoas estão a procurar o comércio que ali está instalado. A Ribeira Grande tem potencial para crescer e desenvolver-se. Não falo apenas a nível de construção mas também a nível social e cultural. A Conceição precisa de ser dinamizada até para convidar as pessoas da zona a sairem de casa e a conviverem”, opina.
Nuno Cordeiro nasceu na Ribeira Grande, tem 34 anos de idade, e assume que desde criança sempre gostou do estilo de vida norte-americano e canadiano. Isso porque habituou-se a viajar todos os Verões para esses países para passar as férias escolares junto de familiares. A primeira vez que foi tinha 14 anos “e ajudei os meus tios a trabalhar, Foi muito importante para sentir a vivência. Fazia vários trabalhos, porque no Canadá o meu tio é o clássico emigrante que faz todos os trabalhos que os canadianos não querem fazer mas que dá dinheiro. Eles fazem uma boa vida assim”.
Quando terminou o 12º ano, decidiu começar logo trabalhar na área turística, mais especificamente na área de whale watching e turismo de aventura. Cinco anos após, sentindo a grande sazonalidade turística que existia  [o turismo ainda tinha números baixos], em que a falta de trabalho no Inverno “não permitia dar seguimento ao que eu queria para a minha vida e porque sem fazer nada sentia-me aborrecido comecei a pensar em alternativas. Assim, decidi concretizar o sonho de me dedicar à culinária. Sempre gostei de aprender e até cozinhava em casa. Fazia boa comida mas, claro, tudo rudimentar, porque o que sabia tinha aprendido com a minha avó e com a minha mãe. Eu queria ter técnica e inovar.  Assim foi. Deixei o Turismo nos Açores e decidi ir estudar para chef de cozinha no Canadá. Tive o apoio dos meus familiares na casa e na alimentação, o que me ajudou muito. Assim pude dedicar-me ao curso intensivamente, cujas aulas eram de manhã à noite. Batalhamos muito a teórica primeiro e depois passamos à prática, mas tudo de forma muito intensiva, e isso era feito por fases, mas o ciclo intensivo repetia-se”.
Terminado o curso começou a procurar trabalho no Canadá para “poder treinar a minha aprendizagem. O curso dá-nos as bases para começar a aprender. Muita gente pensa que faz o curso e já sabe tudo mas isso não é verdade, é preciso praticar muito”.  Enquanto procurava um lugar de cozinheiro, Nuno Cordeiro trabalhou em vários outros trabalhos para poder ganhar dinheiro. “Um dia fui a um pub inglês, com um conceito muito interessante, onde eu já tinha sentido uma ligação muito forte desde a primeira vez que o frequentei. Senti que era um espaço rico em história e com uma oferta culinária muito diversificada. Era comida de pub mas com nuances da nova cozinha. Era o espaço ideal para eu aprender mais. Fui falar com o chef a perguntar se precisava de alguém para trabalhar mas respondeu que o que tinha era uma vaga para lavar pratos aos Domingos, a partir das seis da manhã. Aceitei porque sabia que só assim era possível entrar naquela cozinha para cozinhar um dia. Aliás, no Canadá tudo se processa assim. Não interessa se a pessoa tem um curso, primeiro mostra o seu valor e depois ganha o cargo. Trabalhei muito a lavar pratos, depois fui para a cozinha fazer comida e dois anos depois já era o gerente do Pub. Passei a gerir até o chefe de cozinha que me tinha contratado. Mas para isso eu trabalhei muito, entre 60 a 70 horas por semana, e sempre vi isso como um processo de aprendizagem. Eu ia todos os dias trabalhar para aprender algo. O meu patrão, que é dono de 9 estabelecimentos no Canadá, viu que eu queria aprender e colocou-me a seu lado para eu aprender a gerir o espaço. Ele treinou-me para isso. Assim, para além da minha formação em culinária, essa aprendizagem deu-me bases para poder lidar com a gestão de uma cozinha e de um espaço de restauração”. 

O regresso à terra natal para investir
Conta que esteve no Canadá sete anos e durante este período só fez uma vez férias nos Açores, tendo um dia decidido que estava na altura de deixar o país de acolhimento para se instalar de vez na sua Ribeira Grande.
 “Eu senti que não estava a aprender mais no Canadá. Os Açores tinham uma melhoria económica, e essa melhoria eu sentia nas notícias e pelo que os meus amigos falavam”. Então, se a situação económica da Região estava melhor, se havia mais poder de compra,  “achei que era a hora de regressar aos Açores”. Isso acontece também porque já tinha autonomia para poder construir algo sozinho, questionamos, e a resposta não se fez esperar:  “Sim, sentia que já não precisava de perguntar nada a ninguém. E estava pronto a construir algo para mim”. Mas também estava pronto para fazer férias e visitar o país e saborear os vários paladares de Portugal continental. “Estive três meses a viajar de norte a sul, não tive disponibilidade para fazer todas as ilhas, mas adorava ter feito esta viagem, e farei quando tiver nova disponibilidade”.
Regressado à ilha o tempo foi de avaliar o que poderia fazer para dar corpo à formação que tinha. “Pensei abrir um espaço mas queria algo que também tivesse algo de pub, onde as pessoas pudessem ter comida e bebida disponível às horas que quisessem e pudessem também conversar mesmo que não queiram consumir naquela altura. Queria implementar este conceito porque não estava muito desenvolvido cá. Era o conceito do Canadá e que funcionava muito bem, porque quando terminava o restaurante entrava em funcionamento o bar”. 
Estudou várias hipóteses para instalar este espaço mas “optei por ser na minha Ribeira Grande. Testei o mercado, o turismo estava a crescer e estava a aparecer um hotel na zona onde me instalei, e foi isso que me motivou”. Contudo, a afluência que nota é maior no Verão, “o que é bom para todos, e no Inverno ainda se nota pouco porque ainda no centro, para além dos alojamentos locais, não há muita disponibilidade para as pessoas se hospedarem. As pessoas que se fixam na Ribeira Grande estão espalhadas e concentram-se muito no centro, onde decorre muitas actividades, e Nuno Cordeiro gostaria que as actividades promovidas pela autarquia fossem descentralizadas para desenvolver o comércio no seu todo e não apenas para os que estão próximos do centro.
 “Eu fiz o restaurante para os locais e os turistas são um extra. Queremos que os locais conheçam o nosso conceito. Levamos algum tempo a ter uma boa carteira de clientes porque era um conceito diferente mas passado um ano o balanço é positivo. O nosso horário é flexível ao fim de semana, altura em que as pessoas também têm mais tempo, mas se de semana a casa estiver cheia também prolongamos o horário noite dentro porque as nossas licenças o permitem”.
A oferta que o PH Gastropub tem é diversificada e “é muito purista porque não uso muitos condimentos para não mascarar os sabores primários”, mas as opções são tantas e para todos os gostos, isto é para quem come  carne e peixe ou seja apenas para quem tem uma opção vegetariana. “Por exemplo, os nossos ovos rotos são um sucesso tanto para fazer uma refeição principal como para partilhar  O nosso atum braseado com alho e coentros com batata frita doce  e salada também é um prato ganhador, mas depende da disponibilidade do atum em fresco.
Neste Inverno, temos os nossos bifes com um molho espacial, um twist do molho à regional com molho de carne. Uma delicia”. Mas melhor do que falar é convidar os micaelenses a provar, desafia Nuno Cordeiro que, como chef ,trabalha com Inês Pires Nunes, uma jovem formada no PH Gastropub. “Uma dupla que funciona”, regista Nuno Cordeiro.         
                               

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