27 de dezembro de 2019

Momento de Natal que não cabe num título de jornal

 As luzes, a emoção, os movimentos… É tudo tão envolvente. Os momentos que se repetem, o círculo vicioso do tempo gasto, consumido pelo encandear de luz. A voz do outro lado. É a euforia das entradas e saídas. O silêncio que absorve. A entrega de todos os sentidos.
- Venham para a mesa!, chamou uma voz de outra divisão da casa.
A voz de sempre despertou-o. Sonhara que tinha passado a noite de Natal em frente a um ecrã, com as luzes a captarem a emoção, os movimentos, os textos corridos e onde a entrega ao virtual substituíra o tempo em família. E estava sozinho. Despertara a indiferença. 
Contou o seu sonho à mesa de Natal, composta por pratos e talheres - sem espaço para o telemóvel - e ao olhar em seu redor, rapidamente o substituiu por pesadelo.
Olhando para as cores e movimentos da árvore e presépio, com recordações do tempo, que todos os anos guarda para o presente e futuro, a voz ternurenta disse-lhe: 
- Como o espírito natalício receia esse teu pesadelo. Tão presente, tão contemporâneo, muito para além do dia de Natal. Tristemente tão próprio do século XXI.  Foi um pesadelo. Acorda! Estás em família a viver o sonho de Natal. 

Festas felizes!

Print

Categorias: Opinião

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima