A mais antiga loja dos Açores do ramo começou como filial dos Armazéns Chiado

Cursos de corte e costura e de bordados ajudam retrosaria da Ribeira Grande a continuar no mercado

 A Retrosaria Arco-íris ocupa o espaço de uma das mais antigas lojas dos Açores, uma filial dos Grandes Armazéns do Chiado, e fica na principal artéria da Ribeira Grande, a rua da Conceição. O espaço remonta ao primeiro quarto do século passado e foi gerido por Mariano Jacinto Pacheco que a deixou, por herança, ao seu filho Edmundo Pacheco, notável padre da Ribeira Grande, tendo posteriormente o espaço sido gerido pela sua afilhada Filomena Pimentel Cunha, hoje proprietária, que dirige este espaço comercial em conjunto com o marido José Cunha. Lá é possível encontrar tudo o que se precisa para fazer tricot, crochet, vestuário ou cortinados, assim como botões e linhas passando por fivelas e muitos outros acessórios. Há espaço reservado para artigos de artesanato, souvenirs e até camisolas dos grandes nomes do futebol para as crianças. Nesta época natalícia a azáfama foi grande. José Cunha, chefe da PSP aposentado, conta-nos a história desta loja tradicional no centro histórico da Ribeira Grande.
Como tudo começou: “A ilustre firma de Lisboa Grandes Armazéns do Chiado teve filiais no Faial, na Terceira e a partir de 4 de Julho de 1911 também na então vila da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, onde adquiriu uma residência na Rua Nossa Senhora da Conceição, nºs 100 a 104, onde passou a funcionar a loja do senhor Marianinho, sendo à época seu gerente Mariano Jacinto Pacheco, o qual manteve-se no cargo até 1936”, ano em que os Grandes Armazéns do Chiado deixaram de comercializar nos Açores, tendo vendido o espaço comercial ao seu ex-gerente que passou a empresário com a compra da loja.
Na altura, este espaço comercial, como recorda, dedicava-se à venda a retalho de diversos artigos, nomeadamente tecidos a metro, malhas, chapelaria, calçado, retrosaria, ourivesaria, entre outros. No início da década de 80 com a doença do seu proprietário, e consequente falecimento, em Outubro de 1985, a loja encerrou, voltando a reabrir a 28 de Março de 1988, após obras de remodelação, com a denominação de “Arco-íris”, tendo como gerente Filomena Pimentel Cunha, ficando o espaço no rés-do-chão da moradia, passando a comercializar todo os tipos de retrosaria, bijuteria, malas, ornamentos para festividades, botões sortidos, entre outros. A loja possui ainda uma secção de artesanato regional, artigos religiosos e artigos alusivos às efemérides, como, por exemplo, o Dia do Pai e o Dia dos Namorados.
José Cunha refere que no respeita ao artesanato regional são os emigrantes os principais compradores, que nos visitam durante todo o ano, mas com maior incidência nos meses de Verão e épocas festivas. Para as vendas dos artigos da retrosaria tem contribuído muito os cursos de corte e costura e de bordados que são promovidos pelas juntas de freguesia e instituições do concelho da Ribeira Grande. Isso é muito importante, sublinha José Cunha, pois desde a reabertura do espaço há 30 anos com a nova gerência “tem havido altos e baixos, concorrendo com vários estabelecimentos comerciais do ramo nesta cidade e na ilha”. No entanto, “a empresa soube resistir possui artigos únicos na sua gama de artigos exclusivos, sendo actualmente a retrosaria mais antiga da Região na sua área de negócio”, refere José Cunha que faz questão de sublinhar que a mulher tem o apoio logístico dele e da filha mais nova, Cláudia Cunha, mas também de uma colaborara efectiva e de uma estagiária. “Contribuímos todos para o sucesso do negócio até porque tentamos agradar a toda a clientela e manter a fidelidade à mesma, pois são os clientes o ponto fulcral da nossa existência e estamos sempre atentos às novas colecções com preços aliciantes”, opina.
José Cunha e Filomena Medeiros Cunha esperam que o negócio tenha continuidade na família.
O nosso entrevistado nasceu na Beira Interior, mais propriamente no concelho de Arganil, freguesia de São Martinho da Cortiça, onde estudou e completou o curso de Serralheiro Mecânico. A seguir serviu o exército português e quando terminou o serviço militar na PE de Coimbra, como havia pouco trabalho decidiu ingressar a Escola Prática de Polícia em Torres Novas. Iniciou a sua carreira policial na Esquadra de Ponta Delgada em 1979, foi subchefe da esquadra da Ribeira Grande e terminou a carreira como chefe da PSP no aeroporto de Ponta Delgada. Por razões de família encontrei “namorada, Filomena Cunha, e no ano seguinte casamos. Temos três filhos. O Hugo está no Canadá, tem dois filhos. A Madalena estudou em Coimbra, onde se licenciou em Economia. Esteve na Norma –Açores mas depois optou pela Unicer no Porto e vive em Braga e tem um filho. A Cláudia é a mais nova, tirou um curso em Londres sobre alimentação saudável [sem proteínas animais] e vive na Ribeira Grande”, diz o pai orgulhoso por ter a filha também a ajudar na retrosaria da família. 

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