29 de dezembro de 2019

Recados com Amor

Meus Queridos! Estamos a dois dias do fim do ano e vejo todos os letrados comentadores a fazer balanços dos factos mais marcantes de 2019, dando ênfase aos acontecimentos internacionais e esquecendo por vezes o que nos vai passando pela porta de casa… Desde logo esquecem-se dos pobres que formam um número elevadíssimo de pessoas a viverem no limiar da pobreza … facto que é de causar vergonha a quem ainda a cultiva… Pelos vistos, vergonha é o que falta aos banqueiros e ex-banqueiros deste país, que continuam a perdoar milhões de dívidas de gente que viveu à custa dos milhões que os bancos lhes emprestaram para fundarem empresas e para criarem verdadeiros poderes que condicionavam o poder do Estado, … e que foram desde a banca às telecomunicações, passando pelos meios de comunicação social, abrangendo as televisões, rádios e jornais… Neste final de ano é ver os bancos a perdoar dívidas a essas empresas e empresários, entre os quais um milionário de “cogumelos” que ficou à beira da falência… É triste ver tudo isso envergonhadamente publicitado… e sem se ver qualquer indignação dos tais comentadores encartados acerca dessas injustiças, porque enquanto se perdoa os que devem milhões exige-se aos pequenos que paguem os tostões que devem, a dobrar… Diz a minha prima Angélica que tudo isso é consequência da alienação que se apoderou da sociedade que fez de uns desconhecidos grandes gestores de topo, nomeados por interesses para grandes empresas que depois acabaram por “dar com os burros na água” e arrastar as empresas para a desgraça, como aconteceu com Zeinal Bava, na PT, Diogo Vaz Guedes, na Somague, e tantos outros que fizeram parte do “Movimento Compromisso Portugal em 2004”. Mas eu e a minha prima Angélica juntamos aqui na minha casa da Rua Gonçalo Bezerra, as nossas amigas para o habitual chá de Natal, feito este ano com ervas aromáticas onde se juntou as folhas de Maria Luísa, poejo, alecrim, funcho e jasmim… que acompanhou um cálice do licoroso Vinho de Pico, e uns biscoitos de orelha de Santa Maria e queijadas D. Amélia da Terceira. Todas quiseram dar a sua opinião sobre o estado da Região e as opiniões dividiram-se, porque a assembleia era matizada de várias cores, mas todas reconheceram que a Região precisa de um sobressalto para deixar de marcar passo… ou até regredir, como tem acontecido com a pobreza e com o chamado produto interno bruto, em que os Açores se têm afastado de Portugal e da Europa… O que ficou do nosso chá de Natal foi que é preciso sacudir o marasmo que se instalou nos Açores… levando a um crescente individualismo das pessoas com todas as implicâncias advindas….  Com esse sentimento deixo aqui a todos os meus leitores votos de Bom Ano Novo, que venha em paz e nos traga saúde e trabalho e não se esqueça do amor, que é um lenitivo imprescindível na família e na sociedade em geral.  
 

Meus queridos! Queira São Pedro que a noite de despedida deste ano não seja como a Noite de Natal e todos os outros dias, salvando-se o Dia da Festa, que mesmo assim deu um ar de sua graça… É que estamos todos fartos desta onda de vento que já levou tudo o que tinha de levar na agricultura e que já comprometeu o ano agrícola para muita gente. Perdidas as novidades nas terras, ao menos que se salve um pouco o turismo e a tradição pois é sempre é diferente ver o ano nascer num ambiente de festa do que debaixo de chuva e vento. Mais uma vez pensei que ia com a minha prima da Rua do Poço ver nascer o ano lá do alto da Mãe de Deus em Ponta Delgada, mas mais uma vez ficou por iluminar o ponto mais alto da cidade onde está plantada a Igreja dedicada à Mãe de Deus, que por sinal é celebrada no dia 1 de Janeiro. A minha prima da Rua do Poço diz nem é preciso gastar  muito pilim para dar um ar de graça a todo aquele espaço que parece fadado ao abandono… Nem com orçamentos participativos se vai lá… mas tenho esperança que cresçam alguns postos de luz que estão, e muito bem a ser colocados no passeio sul da Avenida do Infante… e que a Câmara do meu querido Presidente Bolieiro possa acordar com a EDA a sua colocação no  largo da Mãe de Deus!  


Ricos! Quero mandar daqui o meu ternurento beijinho ao meu querido e sempre dinâmico Monsenhor Weber Machado Pereira, que aos primeiros alvores de 2020, no dia 3 de Janeiro, e no âmbito das festas do Santíssimo Salvador da cidade da Horta, vai ali apresentar o livro “Denunciar, Formar e Amar”, coordenado e organizado pelo Director-adjunto do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, Santos Narciso e editado pela Gráfica Açoreana, e que em Ponta Delgada teve casa cheia no grande Auditório Luís de Camões. Não fosse o medo que tenho de andar de avião e também o receio das partidas que São Pedro e os grevistas… têm pregado à SATA, juro que lá estaria com o meu vestido azul-bandeira para felicitar o Padre dos Pobres, que nas suas 87 primaveras dá lições de vida a muita gente acomodada que muito bem faria em ouvir o que diz quem pratica primeiro para dizer depois… 


Meus queridos! E já que estou a falar da cidade da Horta, quero deixar aqui também um ternurento beijinho ao Padre Marco Luciano, prior da Matriz do Santíssimo Salvador, pela forma como decorreu a Missa da meia-noite, no Natal, presidida pelo meu querido Bispo Lavrador. Foi um momento litúrgico primorosamente preparado, um verdadeiro Pontifical, mas sem artifícios desnecessários. O Coral deslumbrou na interpretação e na sábia escolha das músicas. Está de parabéns a Matriz da cidade-mar e todos quantos tornaram possível a belíssima festa do Menino!


Meus queridos! Em tempo da Natal e um pouco por toda a parte têm-se multiplicado os concertos e audições de coros e grupos, numa feliz iniciativa que torna apetecíveis as tardes e noites de uma quadra que assim fica sempre culturalmente diferente. Pena que a gente não possa estar em todos, mas, mais do que o público, o que interessa é a realização pessoal e artística de quem se esmera por apresentar o melhor que sabe fazer. A minha prima Jardelina esteve na Sexta-feira, na Igreja do Colégio de Ponta Delgada, onde assistiu ao fim da tarde a um memorável Concerto da Associação dos Antigos Alunos do Conservatório Regional de Ponta Delgada, agora presidida por Daniela Soares. Foi belo ouvir o “Coro da Dona Natália” e nos solistas como Diana Botelho Vieira, Rogério Medeiros, Emanuel Frazão, Inês Flores Brasil, Ana Maria Ferreira, Marta Vieira, Mário Tavares, Sandra Medeiros, Lídia Medeiros, Ana Paula Andrade, David Lopes, Irina Semenova e Carina Andrade. Disse-me a minha prima que quem iria delirar com aquele concerto seria o saudoso Padre Edmundo Manuel Pacheco que sobre ele iria decerto escrever uma das suas crónicas no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio. Parabéns à Comissão Organizadora!


Ricos! Li um dia destes a notícia de que lá para os lados de Espanha se prepara uma lei para que seja proibido o uso de telemóvel dentro das salas de aula de todas as escolas… E a coisa começa já no ano de 2020. Ainda não percebi, aos anos que se discute este problema, como é que por cá ainda não se tomou medida semelhante. Há professores que o fazem, mas sabe-se que há escolas e alunos onde é impossível aplicar a medida. O que é preciso nestas coisas é ter autoridade e convencer as pessoas que a escola é para quem quer e não para preencher estatísticas e rankings. E mesmo nos recreios, o uso de telemóveis deveria ser regulado, porque a luta contra as dependências, também passa por aqui… Mas há que dar o exemplo… E isso de certo que é coisa difícil para alguns professores e funcionários…


Meus queridos! Todos os anos por esta altura, e em muitos lugares há a chamada guerra do lixo, porque as Câmaras Municipais “encolhem” os dias de recolha do dito cujo para que os trabalhadores possam também gozar o Natal com as famílias. E aparecem logo os críticos de bancada a dizer que os trabalhadores do lixo não são melhores que os dos hospitais ou dos aviões e dos navios que trabalham nesses dias. Pois não são melhores, mas também alguém já se lembrou de lhes comparar os ordenados e o que levam para casa no fim do mês? O pior que pode haver numa sociedade é querer nivelar por baixo, desde que não mexam na minha vidinha... A minha prima Jardelina diz sempre que não saber distinguir prioridades é sinal de cegueira social sem cura… e essa parece ser uma doença que pegou de galho e alastra como a silvas… Tenham dó!


Ricos! Será que as obras das famigeradas galerias da Calheta vão começar agora? A minha prima da Rua do Poço diz que era bom que fosse agora, até porque o vento já se encarregou de levar os tapumes pelo ar, por duas vezes, o que quer dizer que até o tempo já está farto do jogo do empurra e do mistério que rodeia tanta demora… Faltam três meses para começar o tempo forte do turismo e lá vão pedir de novo mais um adiamento para não incomodar os hóspedes dos hotéis da vizinhança… Por mim, ricos, proponho que todo aquele imbróglio seja eleito a vergonha do ano, ou melhor, a vergonha do século! Se é que ainda se pode usar a palavra vergonha sem levar um rótulo de “chega p’ra lá”!


Ricos! A minha prima Maria do Nordeste fez-me um pedido para que mandasse um recadinho desafiando os nossos leitores a adivinhar quem é a douta pessoa que não perde a ocasião de incensar uma antiga presidente do Município de Ponta Delgada para logo de seguida dar uma canelada no actual Presidente Bolieiro e depois terminar a ronda com um espicho ao Governo Regional… Diz Maria do Nordeste que a douta pessoa é um artista consagrado no exercício de cintura… desde os seus longínquos tempos de escola! 
 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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