12 de janeiro de 2020

Coisas do Corisco

Salazar, este grande homem

Ainda jovem, quando fui tirar o meu curso a Lisboa, meu pai conhecedor do romantismo com que a esquerda contagiava a juventude  portuguesa, no dia antes de eu embarcar a bordo do velho navio Lima, pediu-me para eu tomar em atenção, que o romantismo esquerdista que nascia nos jovens estudantes portugueses, era isso, e apenas isso mesmo: romantismo. 
Por essa razão, o romantismo incutido pelas raposas comunistas nas mentes sãs dos estudantes, dos cantores, artistas, escritores, e poetas portugueses,   não era mais do que um discurso mentiroso que escondia uma doutrina oportunista de esquerda assente numa filosofia, qual terrorismo, dos pontas de lança do comunismo russo, construído por Lenin, e Stalin. 
Por essas mesmas razões,  palmilhávamos na nossa ingenuidade, grandes perigos, e falsos caminhos, armadilhados por mentes perigosas e distorcidas pela avidez da constituição  de uma ditadura do proletariado, que eliminaria todas as pessoas que se lhes opusessem.
Por outras palavras, meu pai, embora conhecendo empiricamente os meandros da política nacional, tinha a noção dos custos que acarretariam às pessoas que, ingenuamente, assentassem a sua vida na ingenuidade , na poesia, ou no romantismo que a juventude fomenta. 
Essa juventude que, acabando de sair da casca protetora da família, quase abruptamente, ficava desprotegida  do resguardo familiar para passar a administrar o seu tempo e os desígnios que se lhe iam deparando a cada dia que passava.
Mal cheguei a Lisboa, fiquei ciente que estava entregue a mim próprio, fora da protecção da familia, sujeito a um mundo cheio de perigosos predadores, sempre prontos a caçarem as presas desprevenidas que se lhes deparavam pela frente, emporcalhando  a sua pureza, abusando da sua fragilidade, e devorando a sua personalidade.
Com a chegada do 25 de Abril, criou-se espontaneamente, como um rastilho diga-se, o mito de que a ditadura de Salazar tinha feito Portugal viver um pesadelo na sua história, durante mais de 40 anos, e que, finalmente, os cravos de Abril se tinham aberto, trazendo numa bandeja, o perfume da liberdade.
Assim, o país começou a viver sob uma verdadeira avalanche de contradições, e de tentativas de se amordaçar a liberdade sob a égide de Alvaro Cunhal na sua cega tentativa de conquistar o controlo político de Portugal, criando uma ditadura de esquerda, apadrinhada por Moscovo.
Por isso, logo após o 25 de Abril, aqui nos Açores, conscientes de que não queríamos abraçar uma ditadura comunista, com todos os seus enormes perigos, juntamo-nos, revoltamo-nos, e gritamos, dizendo não, expulsando dos Açores muitos dos energúmenos que se preparavam para ocupar o poder entre nós.
Era incrível a movimentação da esquerda portuguesa pelo domínio político nacional, assim como as mentiras que diziam para confundir o povo de que  quem não era esquerdista, era implicitamente fascista.
Recordo-me de meu irmão, residindo em Lisboa, quando sucedeu o 25 de Abril, me ter telefonado acusando-me de eu por ter seguido a FLA ter enveredado por uma forma  fascista de ser.
Aí, com um empurrão de meu pai, viajei com ele pela Europa, e por alguns países comunistas na altura, como a Checoslováquia, e a Federação Jugoslávia de Tito. O retrato comunista daqueles países, cheios de contradições, foi tão nítido que meu irmão ao regressar aos Açores, era muito mais anti comunista do que eu. Eu que sofri na carne a injustiça dos esquerdistas locais, prendendo-me injustamente a seguir à manifestação do 6 de Junho, como fascista, depois de ter sido  denunciado em primeira  página do Diário de Notícias, como um perigoso latifundiário, quando o meu latifúndio eram 600 m2 de terreno que meu pai me ofereceu para construir a minha casa.
A história, por mais que os comunistas e partidos de extrema esquerda queiram, não pode ser apagada, ou sofrer modificações ao gosto de cada qual. Por isso Salazar, um homem sério, escreveu a sua história, com alguns erros é certo, mas  que lhe fez dar a volta ao nosso país credibilizando-o a nível internacional.
Salazar, como Primeiro Ministro, herdou um país completamente falido, perdido no seu rumo; herdou um país de analfabetos construindo sob aquilo que chamou de Plano do Centenário,  até ao final da década de 1950, 7 mil  edifícios escolares novos, com um total de 12 mil salas de aula, continuando a construir  escolas em larga escala até meados da década de 60; quase todas as cidades, vilas e aldeias passaram a ter uma ou mais escolas do centenário, passando o ensino obrigatório para 4 anos em 1960 e 6 anos em 1967; a partir da sua  política de contenção, e de austeridade, Salazar conseguiu em poucos  anos equilibrar as finanças nacionais e fazer guindar o escudo para uma das moedas mais estáveis da Europa e do mundo, sem agir como os políticos de agora com orçamentos do estado baseados na sobrecarga de impostos a todos os portugueses para se  suster a vida faustosa dos políticos e das instituições nacionais; melhorou imenso as obras públicas e com a construção da ponte sobre o Tejo, à qual lhe foi dada  o seu nome, ele melhorou as acessibilidades entre Lisboa, a margem sul, assim como a todo o país de uma forma extraordinária; com a sua política internacional, conseguiu que Portugal ficasse à margem da carnificina e destruição verificada entre os países que combateram na segunda guerra mundial; Salazar reprimiu de uma forma firme a corrupção; assim como dignificou o trabalho público sem usurpação para proveito próprio; no tempo de Salazar, não existiam incêndios florestais de monta, nem tão pouco o número de incendiários ateando fogos atrás de fogos em todo o país.     
Que mais se poderá dizer de Salazar? A sua obra é pública pelo que aquilo que se tem que  fazer é humildemente imitá-lo sem se adulterar aquela que foi a vida exemplar de um homem que governou mais de 40 anos morrendo  pobre.
O resto são cantigas.             
          
 

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Categorias: Opinião

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