12 de janeiro de 2020

Crónica da Madeira

O maravilhoso Concerto de Ano Novo da Orquestra Clássica da Madeira

 

Hoje, quando se fala da Orquestra Clássica da Madeira, temos logo que associar o nome do talentoso concertista madeirense Norberto Gomes, o seu diretor artístico. A ela tem imposto, com a sua experiência e conhecimentos, rigor e uma qualidade musical extraordinária. Aliás, devo sublinhar que todos os elementos da Orquestra primam pela qualidade artística, disciplina e entusiasmo pelo projeto, o que permite que esta instituição musical disfrute, a nível nacional e regional, de muito prestígio, o que constitui, para o seu diretor artístico, razão de orgulho.
O diretor Norberto Gomes descende de uma família de músicos. Depois de ter estudado no Conservatório de Música da Madeira, foi para a Rússia, onde fez vários cursos dentro da sua área. Aluno exemplar, cujos dotes artísticos são unanimemente exaltados pelos seus Mestres, permitir-lhe-iam permanecer no estrangeiro. Isso nunca foi o seu objetivo. O regresso à Madeira era o seu grande sonho: dar um contributo para o enriquecimento da cultura da sua terra. A uma carreira de sucesso que certamente se lhe adivinhava, ele preferiu a sua ilha e assim aconteceu, primeiro como professor da Escolas das Artes (Conservatório) e depois como concertista e diretor artístico da Orquestra Clássica da Madeira.
Os madeirenses estão-lhe gratos pelo seu regresso à ilha, onde a sua ação constitui um exemplo: se fogem os que estão preparados, têm conhecimentos e experiência, nunca mais se atingem os níveis de desenvolvimento que se deseja, em todas as áreas. 
Tudo isto vem a propósito do belíssimo concerto do primeiro dia do ano, levado a efeito pela Orquestra Clássica da Madeira, no centenário Teatro Baltazar Dias, no Funchal. Com a sala completamente cheia, madeirenses e turistas puderam, durante uma hora e meia, ouvir as músicas de grandes compositores. Um concerto alegre que possibilitou ao público ouvir e embrenhar-se nas valsas de Strauss e outros trechos que deram aos espetadores o ambiente propício para iniciar o ano 2020, com alegria e esperança.
A Orquestra Clássica da Madeira nasceu da Orquestra de Câmara, em 1995. Era eu, ao tempo, Secretário de Turismo e Cultura. Quando levei a proposta para apoiá-la ao Presidente Jardim, logo este aceitou, expressando-me a sua satisfação pela iniciativa que enriquecia a cultura local. Na verdade, esta Orquestra é, também, uma das conquistas da autonomia. 
Este ano, o Maestro convidado para dirigir o Concerto de Ano Novo foi um dos seus elementos, Francisco Loreto, cujo currículo faz jus à sua competência e talento. É, desde 1998, professor de Análise e Técnicas de Composição e Acústica no Conservatório da Madeira. Dirigiu a Orquestra com o profissionalismo que lhe é caraterístico, introduzindo-lhe alguns momentos de humor, conquistando a simpatia do público que aderiu às suas solicitações.
O programa escolhido não podia ter sido o mais atraente para se iniciar o novo ano:
Franz von Suppé [1819-1895] – Leichte Kavallerie Ouvertüre [1866];Johann Strauss [1804-1849] - Kaiser Walzer, Op. 437 [1889];Johann Strauss II [1825 – 1899] - Stürmisch in lieb und tanz, Polka schnell op. 393;Hervé-Godfrey/Augusto Miguéis, Quadrilla Chilpéric [1873];C. D. Vasconcelos, Roza Polka;Johann Strauss II [1825 – 1899, Eine Nacht in Venedig Ouvertüre [1883];Johann Strauss II [1825 – 1899], Im Krapfenwald’l op. 336 [1869];Johann Strauss [1804-1849], Freikugeln Polka schnell op. 326 [1868];César Nascimento [orq. Francisco Loreto], Polca «Um passeio a Cascais» [1912];Tradicional [orq. Francisco Loreto], Amazing Grace;Otto Nicolai [1810-1849], Die lustigen Weiber von Windsor Ouvertüre [1849].
No final do espetáculo, todo o público em pé gritava sucessivos “bravo”, atribuindo à Orquestra calorosos aplausos, testemunhando-lhe da sua satisfação pelos momentos agradáveis que passou e pela alegria do pensamento que lhe criou. 
A Região Autónoma da Madeira bem pode orgulhar-se da Orquestra Clássica que possui, a mais antiga do país, e que há anos vem proporcionando aos funchalenses e turistas concertos admiráveis. Pelo seu nível musical, pela qualidade dos seus músicos, é uma instituição que merece todos os apoios.
Ao seu diretor artístico, Norberto Gomes, deixo-lhe, como madeirense, o preito da minha admiração e gratidão e, na sua pessoa, felicito todos os músicos pelo trabalho que vêm realizando em prol do enriquecimento do panorama musical da Madeira.

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Categorias: Opinião

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