12 de janeiro de 2020

Entre o passado e o futuro

Se queres a paz, prepara-te para a guerra!

 O ano começou com ameaças de grave instabilidade internacional que, não obstante, rapidamente se amenizaram, por isso, escolhi para título do presente trabalho um tão afamado quanto antigo provérbio romano. Contudo, o caráter dos protagonistas, o seu procedimento errático e a virulência da sua narrativa ou até a sua infantilidade – as minhas armas são novas em folha e bonitas, disse Trump - deixavam prever o pior.
Também, no plano nacional, alguma incerteza marcou os primeiros dias. Em causa a aprovação do Orçamento de Estado para 2020.Porém quando escrevo estas linhas está já bastante reduzida, porquanto, hoje, embora a votação ainda não sido efetuada, o abstencionismo da esquerda evitará a reprovação do orçamento. Razão tinha o Presidente da República quando declarou não estar preocupado com a matéria.  Todavia, não se trata de escrutínio definitivo. Faltam as votações na especialidade e a global final. Ainda há muito caminho a percorrer. Estando todos preparados para a guerra, permanecerá a paz e, provavelmente, não será necessário o recurso anunciado ao uso da “arma emprestada”, ou seja, os votos favoráveis dos deputados da Madeira pelo PSD. 
Admito, convictamente, que o PSD tenha procedido inteligentemente em relação ao orçamento. O tempo que demorou a clarificar o seu sentido de voto, certamente, não foi para o ler de fio a pavio, mas para determinar corretamente o valor da sua decisão negativa relativamente na hipótese de “chumbo” do orçamento.  O PSD só tem um interesse: que o orçamento seja aprovado com o seu voto contra. O PSD não arrecadaria qualquer vantagem política no chumbo do orçamento, mas poderia acumular as maiores consequências negativas de uma crise política grave que lhe fosse politicamente imputada. Caindo o governo e seguindo-se novas eleições, o PS, muito provavelmente, obteria maioria absoluta. É o que diz a experiência do passado, não muito longínquo, condimentada com os sabores acidulados do presente e emergentes do procedimento eleitoral em que o PSD se encontra.
No plano internacional, a guerra entre as grandes potências, aquela que conduziria à extinção de parte significativa da humanidade não está na agenda de nenhum dos Estados com arsenais atómicos. Não está na agenda secreta de nenhuma das potências nucleares a tarefa que consista em andar a lançar bombas atómicas contra um inimigo que também as possua. 
A preparação nuclear de muitos Estados e a verdade sobre o armazenamento das terríveis bombas, que ninguém conhece com rigor, é, em si mesmo, um fator dissuasor de um conflito baseado na utilização de tais instrumentos de destruição massiva.
O Irão, Israel, os Estados Unidos, desde há algum tempo também a Coreia do Norte, tradicionalmente a Rússia e a China preparam-se para a guerra e, em conveniente e subjetiva conformidade, informam o Mundo de que são os maiores… os maiores destruidores, os vencedores.
O primeiro Ministro israelita, na semana passada, numa conferência de imprensa terá cometido uma “gaffe” ao afirmar que Israel também era uma potência nuclear. Aparentemente arrependido do deslize, logo corrigiu, dizendo que apenas era uma “potência estratégica (?)”. Também não resistiu ao uso da bravata. A principal caraterística dos novos Presidentes autoritários e nacionalistas.
Veja-se como terminou o confronto militar entre iranianos e americanos. Na declaração do governo do Irão. A “chapada que dera nos Estados Unidos”, referindo-se aos ataques de duas embaixadas previamente preparadas para os receber, era a resposta adequada ao homicídio do seu principal e mais querido cabo de guerra. Acabava a “série televisiva”. Satisfeito com a “bofetada” que levou e anunciada pelos próprios iranianos para evitar vítimas, Trump rodeado de militares afirmou que quer a paz. Porém a Câmara dos Representantes não confia no que ele diz e, prontamente, aprovou uma deliberação que o impede de atacar outros Estados sem o consentimento do Congresso. Não existem jogos reais de guerra… nem guerra a fingir! A “brincadeira” poderá ter custado a vida aos quase 200 passageiros que estavam no avião da Ucrânia e que segundo o governo canadiano terá sido abatido por um míssil perdido. Quem pode  perdoar os autores?


 

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Categorias: Opinião

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