12 de janeiro de 2020

Recados com Amor

A Universidade dos Açores celebrou os seus quarenta e quatro anos de existência com a devida pompa e circunstância. Como sou uma mulher que reconheço a importância que essa instituição de ensino superior teve na construção da nossa Autonomia, tenho por ela um carinho especial. Ontem li com toda a atenção o artigo do antigo Reitor e colaborador residente do Jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, Professor Vasco Garcia, que retratava de forma magistral a evolução da Universidade e apontava as maleitas causadas pela incompreensão do Governo de Lisboa para os custos da insularidade que afectam a nossa Universidade. Na mesma linha, li com muita atenção o magnífico discurso do Reitor João Luís Gaspar, que pôs as feridas à mostra e culpou os políticos de cá e de lá pelas omissões e indecisões. Pior ainda foi o retrato feito pela Presidente do Conselho Geral da Universidade, a minha querida Maria José Gil, que rematou dizendo que “a incerteza e a imprevisibilidade do financiamento que têm caracterizado o quotidiano da universidade nos últimos anos poderão, a prazo, pôr em causa o seu normal funcionamento”. Juro que não percebo a passividade do responsável da pasta da Educação perante o seu congénere nacional, pois o meu querido Secretário Avelino Meneses conhece como ninguém os meandros que afectam a Universidade Açoreana, porque foi seu Reitor durante muito tempo.
Se nada se fizer para mudar o que precisa ser mudado, daqui a um ano vamos chegar aos 45 anos de existência com as mesmas dores que tolhem o crescimento e afirmação da Universidade que merece ser defendida e acarinhada por toda a sociedade Açoreana. Parabéns à nossa Universidade pelo importante contributo que tem dado para a formação de quadros superiores tão necessários e importantes para a Região.  
 

Meus queridos! Ainda há dias, mais precisamente na passagem do ano, um trágico atropelamento vitimou uma jovem na estrada de São Gonçalo, ao atravessar uma passadeira e, segundo me contou a minha prima da Rua do Poço, que ali foi esta semana fazer umas comprinhas ao Hiper Solmar, outro atropelamento ia acontecendo porque os condutores que vão na segunda faixa não reparam ou não fazem caso dos popós que param na outra faixa para dar passagem ao peão. O mesmo acontecia na Avenida D. João III onde chegou a haver muitas mortes por atropelamento. Desde que lhe puseram lombas, nunca mais houve nenhuma. Não será que está na hora de fazer o mesmo nos “pontos negros” da estrada de São Gonçalo? Podem também colocar passadeiras aéreas como ou semáforos para os peões. Como diz a minha prima, as lombas, também têm inconvenientes… mas esses vão direitos ao bolso do condutor com uma ida ao mecânico, para repor molas, suspensões ou pára-choques…  Mas a verdade é que é preciso olhar para aquela importante via que, pelas autorizações que foram sendo dadas pelo município para a construção e instalação de serviços…, já deixou de ser uma via rápida para ser uma via citadina, com todo o movimento que tem…


Ricos! E a propósito de acidentes, contou-me a minha comadre Felisberta que na passada Quinta-feira, por volta das 20h30 ia havendo um brutal atropelamento na passadeira colocada junto aos semáforos do inicio da Avenida D. Manuel I que liga à rotunda do Hospital do Divino, porque a escuridão não deixa visibilidade aos condutores que têm sinal verde… para verem se há peões a atravessar inadvertidamente a passadeira que ali existe... Já alertei aqui nos meus recadinhos várias vezes para o problema e apesar de não saber quem é o responsável pela manutenção da iluminação daquela importante artéria, volto a dizer que é uma vergonha a falta de manutenção dos vários postos de iluminação pública que estão às escuras e tornam desse modo a via… numa passagem deveras perigosa… Não há palavras para tanto desmezelo!


Ricos! A minha prima Maria dos Flamengos telefonou-me logo a seguir ao triste incêndio que devorou a sacristia e parte da Capela-Mor da Igreja de Sant’Ana, da paróquia da Santíssima Trindade, do Capelo, lá na Ilha Azul. Diz ela que foi uma dor de alma ver aquelas chamas e não se cansa de repetir a forma como os bombeiros da Horta souberam responder a tão grande fogo, fazendo com que não se alastrasse ao resto do velho templo. O que ela não conseguiu entender foram as declarações do meu querido Bispo Lavrador, que logo na sua primeira reacção falou em provocação aos sentimentos religiosos das pessoas. A gente sabe que por essa Europa dentro e por esse mundo fora sucedem-se os incêndios a templos cristãos… mas no caso concreto, pelo menos naquilo que disse o pároco, o novel sacerdote aqui da minha cidade-norte, Fábio Carvalho, e mais as autoridades intervenientes,… as causas do fogo eram desconhecidas e iam ser investigadas. Então como é que o Bispo diocesano deu logo a entender que teria sido fogo-posto? A minha prima não entende, e muito menos eu. Sempre ouvi dizer que cautela e caldos de galinha não fazem mal a ninguém, ou será que Sua Reverendíssima sabe algo que o comum dos mortais desconhece?


Ricos! Como sabem, sou uma mulher livre e gosto de falar verdade, mesmo que ela seja incómoda, e por isso vou directa ao assunto: Tenho visto por aí o esforço publicitário feito pela Secretaria da Energia alertando para a alteração de hábitos de consumo… e desse modo poupar energia para cumprir objectivos de combate às alterações climáticas… Até aí tudo bem, mas tratando-se de publicidade institucional, ela devia evitar descriminações quanto aos critérios da sua publicitação… para depois não se dizer que uns são bafejados pela sorte e os outros ficam a olhar para as estrelas… Pior do que isso é dizer-se depois que os governantes usam os dinheiros públicos nessas campanhas de promoção de acordo com as suas preferências pessoais ou partidárias, ou então para castigar quem informa e noticia factos verdadeiros mas que não bajulam quem gostaria de ser bajulado! 


Ricos! Na abertura do novo Ano Judicial, o meu querido Presidente Marcelo disse que a justiça humana tem de ser mais célere que a justiça divina. Não sei o que terão pensado todos os que neste país já se horrorizam quando alguém fala nalguma coisa que exista para além da morte e se essa coisa tiver cheiro a cristianismo, pior ainda, mas eu até gostei na comparação porque ainda sou daquelas que acreditam que a justiça divina pode tardar, mas não falha… E ao ouvir o Presidente dos afectos falar de coisas lá do Alto, até me lembrei de Cavaco Silva há uns anos, quando Portugal passou num daqueles célebres exames que a Troika cá vinha fazer e que todo satisfeito, disse que passar naquele teste tinha sido um milagre e uma inspiração de Nossa Senhora de Fátima… Afinal, nem todos os presidentes são tão laicos assim… Valha-nos Nossa senhora de Belém…


Meus queridos! Tenho andado a parafusar e estou inquieta para saber se o irreverente deputado corvino Paulo Estevão vai ou não levar o Presidente da Câmara da “ilha-menina” a tribunal, por via das acusações e das contra-acusações que se seguiram à visita relâmpago de Marcelo que ali fez o seu discurso de Passagem do Ano e deu o seu mergulho de ano novo. A minha prima Angelina do Corvo acha que é mais uma guerra de alecrim e manjerona, mas a ver vamos. O que eu não sei é o que vai dizer o rico sobre a questão das refeições para os alunos da escola do Corvo depois do Secretário Avelino ter dito esta semana que  “neste momento“, já não há “qualquer razão para ressuscitar um problema velho”, como seja o da construção de um refeitório escolar na Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira, no Corvo… Será que vem por aí abaixo mais uma greve de fome?


Ricos! Passado que é o Natal e o Ano Novo, já começam as preparações para as romarias quaresmais, um momento sempre diferente tanto para quem participa como para quem acompanha nas famílias e no acolhimento. A minha prima Teresinha, que gosta de acompanhar tudo o que às romarias diz respeito disse-me que leu esta semana uma notícia que vinha no sítio da Diocese, Igreja Açores, a falar de romarias e romeiros e que para quem lê, até parece que as romarias são tradição da Ilha de Jesus que também se fazem em São Miguel. Diz a minha prima que da forma como a notícia está feita é mesmo isto que dá impressão, pois que tudo se diz sobre os romeiros da Conceição de Angra e depois lá mais para baixo vem o “já os romeiros de São Miguel”… Não é que venha mal ao mundo, mas imaginem que pela Ilha do Arcanjo aparecesse uma notícia a falar de carnaval, em que aparecesse em rodapé uma passagem dizendo… “já os bailinhos da Terceira”… É caso para dizer: estamos entregues à bicharada!


Meus queridos! Fiquei para Deus me levar quando esta semana ouvi o Ministro Cabrita dizer que médicos e enfermeiros vão começar a ter noções de defesa pessoal para casos de agressão de que estão a ser vítimas ultimamente e quase sempre pelos mesmos protagonistas. Quer dizer que uma pessoa para trabalhar ainda tem de aprender a defender-se desses energúmenos que não têm outro nome? O rico deve estar enganado. Os médicos sabem muito bem defender-se, mas o que acontece é que se eles o tentarem ainda são processados e têm a carreira destruída porque a lei está sempre pelo lado dos agressores e coitado de quem tenta defender-se… Ou será que tendo um diploma do tal curso de defesa, este vai contar para a decisão dos juízes? O que está mal é a corda toda que se dá a quem não merece. E depois quem se defende é que é racista e xenófobo. Passa fora!

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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