15 de janeiro de 2020

Do meu olhar

Tudo cai pela base

1.  Depois desta época natalícia carregada de recordações e de memórias que nos elevam o coração e nos lavam a alma , cá estamos nós para partilhar mais um  olhar ainda com resquícios a ano novo . Por isso mesmo, iniciamos com breves referências à magnífica Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz que abre com esta significativa frase : “ A Paz é um bem precioso, objeto da nossa esperança; por ela aspira toda  a humanidade .”
  É um bem tão precioso que só damos pela sua falta quando ele falha em nós mesmos e no nosso  meio familiar e social e, claro, no mundo que nos rodeia. O Papa , na sua Mensagem, que merece leitura atenta, refere-se aos principais obstáculos, barreiras e sinais que atormentam a sociedade e que afastam a Paz, como são as guerras e os conflitos, que infelizmente por aí andam, e muitos de nós a pensar que são cenas de filmes de capítulos de ficção que só causam destruição e morte . Diz o Santo Padre que a guerra  nasce no coração do homem “ a partir do egoísmo e do orgulho, do ódio que induz a destruir, com as ambições hegemónicas e os abusos de poder.”
  Estes sentimentos negativos e destrutivos que bailam nos corredores do poder e que por vezes se estendem às famílias  envenenam a relação entre os povos e impedem o diálogo , sem o qual não há a mínima possibilidade de encontrar o entendimento e a Paz. O Papa Francisco incentiva -nos  “ à fraternidade baseada no diálogo e na confiança mútua “ , afirmando que a Paz alcança-se no mais fundo do coração humano, indicando como meta  “ o caminho da reconciliação , que requer paciência e confiança “ . Mas o caminho da Paz, como todos sabemos e sentimos,  começa sempre no nosso coração e nas nossas casas, dentro de portas, quando enfrentamos, com serenidade, bom senso e com tolerância e diálogo, os azedumes, os egoísmos, as agressividades e as falsidades . Ou quando fora de portas,  na rua e nas empresas, mas principalmente  nos gabinetes oficiais onde ainda se digladia o poder, onde se procura a qualquer preço  o sucesso , com desmedida  ganância e, porventura, se descobrem  alegados  fumos de corrupção, a Paz aí não passa  de uma visão sem horizonte e sem esperança . E assim tudo pode cair pela base! 

  2. Ora, como sabemos as religiões também podem originar querelas, divisões, fanatismos, extremismos , como infelizmente se observam em muitos países deste mundo, com realce para o Médio Oriente, com estranhos interesses de países de outras latitudes que, por vezes, fazem questão de mostrar o seu poder e ganância, o armamento moderno e sofisticado capaz de atingir posições distantes, atravessando mares e continentes. O poder bélico é também um grande inimigo da Paz entre as nações. Mas as religiões que servem, ou deveriam servir, para a boa convivência entre os homens, independentemente da crença, da seita e da militância, que deveriam pautar a sua ação pela liberdade, pela reconciliação, pela tolerância e pelo respeito fraterno pelo semelhante , nem sempre dão o seu leal contributo para a Paz . O Papa Francisco e a Igreja Católica, neste capítulo, têm sido exemplo de ação e de devoção, que os caminhos da Paz não dispensam ninguém. Os líderes fanáticos, extremistas e radicais,  geralmente são fundamentalistas, nunca deveriam atingir o poder de decidir o futuro dos povos. Nunca !

                                       

A treze de Janeiro de 2020
 

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Categorias: Opinião

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