17 de janeiro de 2020

Normalidade com o porto das Flores destruído?

O porto das Flores ficou destruído na madrugada de 2 de outubro, o que interrompeu um circuito logístico de abastecimento de cerca de três décadas, exigindo respostas alternativas.
A destruição do porto traz a inevitabilidade de haver constrangimentos durante os próximos anos, restando uma acostagem num cais que necessitou de ser dragado - trabalhos que demoraram mais de dois meses -, para poder, por estes dias, receber, em segurança, o navio “Malena”, mediante contratualização extraordinária. O porto terá de ser reconstruído conforme as oportunidades meteorológicas, o que demorará anos.
Até à passagem do “Lorenzo”, a carga transportada era quinzenal e com capacidade para cerca de 60 contentores. A partir de 2 outubro, mais concretamente nas oito viagens realizadas a 11 e 16 de outubro; 2, 7, 13 e 26 de novembro; 8 e 12 de dezembro de 2019, foram transportados mais de 205 contentores. Em condições normais teriam sido cerca de 480. Todavia, as condições normais foram eliminadas pelo “Lorenzo”.
A partir de 12 de dezembro, as condições atmosféricas pioraram consideravelmente. Mesmo em plena época natalícia e a enfrentar (mais) uma greve da SATA, foram transportados, entre 12 de dezembro de 2019 e 7 de janeiro de 2020, 6081 quilos de bens alimentares.
A 7 de janeiro de 2020, as Forças Armadas Portuguesas disponibilizaram um avião com capacidade para transportar cinco toneladas de mercadoria e um navio de guerra da Marinha que fez um transporte de 25 toneladas de mercadoria – que, como foi público e face à impossibilidade de atracar, foram descarregadas por transbordo. 
É compreensível que, face ao passado, haja descontentamento perante a carga recebida, que foi reduzida em cerca de 50% e logo, por coincidência, durante a época natalícia. Estas circunstâncias alarmaram a população que sempre que possível recorreram a um consumo anormal. Devemos estar solidários com os florentinos, que são pessoas preventivas. 
Durante três meses ocorreram condicionamentos? Sim. Há um porto destruído. Nos dias em que foram divulgadas imagens de prateleiras vazias, havia outras imagens de prateleiras cheias? Sim. O “Malena” poderia ter chegado mais cedo? Não. Só a 3 de dezembro foi autorizada pela Autoridade Marítima a utilização do cais, altura em que a empresa já tinha compromissos assumidos. Contudo, o “Malena” está nas Flores desde esta terça-feira, com operação semanal e transporte até 100 contentores.
Perante uma catástrofe natural, o Governo tudo fez para minimizar os impactos e já se comprometeu a ressarcir os prejuízos, devidamente comprovados pelos empresários, e a criar um regime de incentivos. Assim, a situação está a normalizar desde o dia 14 de janeiro. Poder-se-ia ter feito ainda mais? Pode-se sempre mais. Mas este “sempre” não pode lançar a mínima dúvida quanto à preocupação e atenção do Governo em lançar mãos aos instrumentos possíveis, num quadro climatérico imprevisível e perante u, porto destruído.  
O porto das Flores ficou destruído e condicionou a normalidade vivida pelos Corvinos e Florentinos. Todavia, esta gente é gente dura, que sabe bem o que é viver no ponto ocidental dos Açores, onde, em anos anteriores, sem o porto destruído, mas devido a condições atmosféricas, ficaram mais de três semanas sem abastecimento marítimo. 
 

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Categorias: Opinião

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