19 de janeiro de 2020

Coisas do Corisco

Descuidos vergonhosos deste nosso Governo

É do conhecimento geral, o desleixo com que este Governo tem tratado ecologicamente os Açores, assim como também é do conhecimento público, a incompetência com que desde as estpidas medidas de Cavaco, os sucessivos governos socialistas têm olhado para a nossa fragilidade ambiental, descurado tudo aquilo que poria termo a uma série de erros que têm proporcionado uma invasão, sem nexo, da fauna e da flora açoriana.
Começo pela cegueira de Cordeiro em relação à invasão  terrível que tem havido no nosso equilíbrio ecológico, a nossa galinha dos ovos de ouro.   E, abordo este assunto pelo deplorável erro que, ano após ano, se vai paulatinamente cometendo nos Açores, como se fosse possível tamanha perigosa  azelhice suceder à vista de todos, inclusivamente da tenebrosa ASAE ou dos nossos governantes, que fecham os olhos a tais aberrações.  Certamente por  os nossos governantes, por exemplo,  gostarem  imenso de petiscarem caracóis com uma fresca “bejeca”, têm-se registado aquilo que passo a enumerar.
Vamos aos factos:
 A esmagadora maioria dos caracóis importados para os Açores, são provenientes de Marrocos, pelo que se constata, importados sem qualquer controlo sanitário, pois vêm vivos, e misturados com toda a espécie de porcaria, sementes, pequenos rizomas, pedaços  de plantas e, pior do que tudo, polvilhados com imensas crisálidas de diferentes borboletas que desconhecemos se são ou não espécies invasoras do nosso ecossistema.
Por isso, é gravíssimo aquilo que se está a passar com a importação dos ditos caracóis, pois os mesmos ao serem embalados não sofrem uma selecção que os separe tudo aquilo que se lhes junta incluindo, como já aqui disse, as crisálidas. 
A tudo isso há que se denunciar o facto de nada nos informar se aqueles caracóis se alimentaram em Marrocos, no seu ambiente, com plantas com muito ou pouco grau de toxicidade, que possa prejudicar quem os coma sem se submeterem a um jejum, durante alguns dias, para perderem essa eventual toxicidade.
Por esta e outras razões, ambientalmente falando, somos, de facto, uma Região governada   por gente  que não se preocupa minimamente em saber aquilo  que lhes seria obrigatório saber, para não se destruir muito daquilo que a mãe-natureza generosamente nos ofereceu, e que teríamos a obrigação de deixar saudável para as gerações vindouras.
É, por via disso, confrangedora  a forma descuidada  como a nossa Região abre as suas fronteiras a todas as pessoas que  buscam os Açores, como turistas ou de outra forma qualquer, sem que nada lhes seja obrigatoriamente imposto para nos salvaguardar dos inúmeros perigos que a globalização nos faz correr.
Como já neste jornal disse, teríamos que imitar aquilo que foi feito em outras regiões do globo, dando o exemplo do Hawaii.
Conhecendo muito bem a ilha de Oahu, naquele arquipélago, eles travaram com mão de ferro, muitos abusos ambientais,  salvando ainda a tempo,  parte dos seus ricos bancos de coral, só não conseguindo travar a invasão, já sucedida, de animais altamente prejudiciais como os javalis e de muitas plantas, como por exemplo a nossa faia.
Hoje não se entra de avião ou de barco no Hawaii, sem se preencher obrigatoriamente, sob compromisso de honra, que o seu preenchimento é correcto, para não lhe ser proibida a entrada no Hawaii e a imediata repatriação.   
Por aqui, as pessoas entram e saem dos Açores com toda a espécie   plantas vivas, sementes, raízes, caules, e flores, assim como uma panóplia de animais, aves, e peixes, que nos poderá sair muito caro.
Por isso, não me admira nada a expansão assustadora que existiu  de muitas espécies vegetais que invadiram o espaço de muitas plantas importantes da nossa flora. 
Começamos, já há muitos anos, com a introdução, sem nexo, do pardal, na ilha Terceira, hoje introduzido nas restantes ilhas à excepção do Corvo e das Flores, onde, milagrosamente, ainda não chegou.
Mas o que mais nos deverá preocupar é aquilo que poderá existir, proliferando sem controlo entre nós.
Por tudo o que foi dito poder-se-á, portanto, perguntar se já não teremos cobras, venenosas, ou não, a crescer entre nós?  Não teremos já aranhas perigosas, a procriarem por cá , assim como, não existirão  plantas altamente  invasoras que nos poderão trazer grandes amargos de boca pelo perigo de prejudicarem paraísos ecológicos regionais que poderão eventualmente desaparecer?
Contudo, para além dessas pragas invasoras, existem aquelas que não se vêem como são as doenças viróticas das plantas, as doenças disseminadas por muitos insectos, enfim um exército de inimigos que nos poderão entrar pela porta adentro, por falta de brio, eficácia, e a obrigação de se defender a nossa Região, como o deveríamos, numa altura em que  a globalização não se compadece do amadorismo com que temos  tratado destes importantes problemas.
Foi assim que nos entrou o escaravelho japonês através dos americanos na base das Lages na ilha Terceira; foi a entrada da Gunneria tinctoria; da erva da abelha, da mosca branca, e da lagarta mineira nos citrinos; de viroses várias nas nossas plantas; e também foi assim que vimos fugir, de ao pé de nós, para as terras altas, as nossas lindas e pequenas aves, fugidas dos temíveis pardais. 
Invadimos as nossas lagoas nas Sete Cidades, com os destruidores lagostins e, não me custa admitir que tenhamos já os javalis a começarem, não tardará, a tomar conta de tudo, lavrando com os seus temíveis focinhos toda a espécie de terrenos, causando prejuízos imensos na nossa agricultura. Por isso atenção: sendo bonito governar, é necessário saber governar!

Print

Categorias: Opinião

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima