21 de janeiro de 2020

Cinco milhões e duzentos mil à hora

Neste meu regresso, após umas férias fora da ilha, começo por desejar a todos os meus hipotéticos leitores um Feliz Ano Novo.
O título deste trabalho não é uma medida de velocidade de qualquer OVNI que tivesse passado sobre esta nossa terra, ou sobre o rectângulo português.
Também não se trata de qualquer distância divulgada pela NASA sobre qualquer corpo celeste descoberto recentemente.
Trata-se, pura e simplesmente, do montante que o Fisco português cobrou (e continua cobrando) aos cidadãos deste malfadado país, por cada hora que passou (e passa) nas nossas vidas.
Fazendo as contas e admitindo que a população portuguesa se situa nos 10 milhões de habitantes, isto dá 0,52 € que cada português paga de imposto por hora, mesmo que esteja a dormir.
Assim, chega-se à conclusão que, para se ser português de lei, custa à pessoa qualquer coisa como 12,48€ por dia.
Já não bastavam as más políticas seguidas pelos sucessivos governos, que transformaram este país numa espécie de república das bananas, onde a justiça, que deveria ser rápida, escorreita e eficaz, não funciona como deveria; onde a corrupção alastra nos vários sectores da sociedade, nomeadamente na função pública, para agora termos de suportar esta elevada carga fiscal como a que venho fazendo referência.
Pessoalmente, e como nestas contas os Açores estão incluídos, julgo que, também aos açorianos, o Fisco português é um “assaltante legalizado” ao bolso do povo.
É evidente que para sustentar um governo de 80 elementos como o que agora temos, não levando em linha de conta as múltiplas assessorias, e outros tachos para os boys e girls do partido, há que ir buscar dinheiro onde ele estiver, e que custe o menos possível. E o que é mais fácil a um governo para sacar dinheiro sem pagar um cêntimo de juro? Decretar impostos, sejam eles directos, indirectos, ou por vias travessas, o que é preciso é sacar. Nem que se tenha de penhorar ao contribuinte, o cavalo, o cachorro, ou o gato.
De realçar que a Alemanha, com uma população cerca de cinco vezes superior à nossa, tem cerca de 50 governantes e vão para o trabalho (entenda-se ministérios, ou outros) nas suas próprias viaturas e fazendo uma vida de governante bastante regrada no que às despesas públicas concerne.
Na Holanda, segundo fui informado, na administração pública, passa-se algo de semelhante à Alemanha, para além do uso da bicicleta por parte de alguns governantes, até por uma questão de qualidade de ambiente, porque não é poluente como o automóvel.
É por estas, e por outras, que o antigo Ministro das Finanças holandês disse que Portugal era muito dado em gastar dinheiro em vinho e ….!
É evidente que o homem não tinha razão quanto ao exemplo que deu, mas tinha carradas de razão em considerar os dinheiros provenientes dos fundos europeus muito mal gastos no nosso país.
Porém, o que mais chateia é o facto de, apesar desta elevada taxa de impostos, os serviços públicos estarem constantemente em greves e reivindicações, com os inerentes incómodos para a vida das pessoas.
Pergunta-se:- para onde vão tão avultadas verbas?
Que responda quem souber, mas com verdade!

P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
19 de Janeiro de 2020

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Categorias: Opinião

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