Nova empresa Trust quer uma maior valorização da actividade de segurança privada

Em 2014, Rita Couto concluiu uma especialização em Direcção de Segurança, um curso averbado pela Direcção Nacional da Polícia de Segurança Pública. “E a partir dali, tive um outro contacto com uma área da segurança que não tinha. Porque antes, o contacto que tinha era o contacto de secretária. A Direcção de Segurança fez com que pudesse partilhar a segurança, mas no terreno: ter já um contacto directo com as equipas, com a liderança destas, com o contacto com os clientes e com mais diversas formas de trabalharmos a segurança.”
A equipa avançou com a ideia no auge do Verão, em Agosto: “traçamos as primeiras linhas do nosso projecto e em Setembro, preparamos todo o processo desta certificação que passa pela Direcção Nacional da Polícia de Segurança Pública e em Outubro é que podemos dizer que avançamos mesmo. A 12 de Dezembro de 2019, após a verificação de todos os requisitos, recebemos o nosso alvará.” Consideram um projecto ambicioso, “mas com uma ambição controlada”. Relativamente ao objectivo de atingir 100 postos de trabalho neste primeiro ano de actividade, “é possível obter este número. Parece que é muito, mas numa área como a nossa é muito fácil de se atingir”. De momento, a empresa conta com 10 trabalhadores e a partir do dia 1 de Fevereiro o número irá aumentar para 21 devido a um contrato anualizado já efectuado com um cliente. “Fazer as coisas com muito bom senso, com calma e cautela e ter a certeza do que se estar a fazer é o rumo a tomar. É preferível começarmos com poucos clientes e irmos crescendo gradualmente”, refere Rita Couto.    
A nível de serviços, não irão centrar-se somente aos eventos. “Estes são uma outra área do negócio. Obviamente que é um mercado em que queremos trabalhar e alcançar. Mas também queremos ir para aquele mercado de contrato anualizado. Queremos mesmo fazer segurança em todas as vertentes. O nosso alvará permite-nos a parte da vigilância humana, a chamada vigilância estática na vigilância de pessoas e bens, e queremos chegar a toda esta área porque há muita coisa para fazer. Agora vai ser o tempo, os clientes e os próprios trabalhadores.” Para o Verão, já têm contratos fechados. “Esta actividade também tem épocas altas e épocas baixas e entre os meses de Março e Setembro, há um auge de procura de serviços de segurança.”
O objectivo da Trust é unicamente trabalhar na Região Autónoma dos Açores até porque, segundo diz Pedro Faria e Castro, existem clientes de São Miguel que recorrerem aos serviços da empresa se a mesma tiver disponibilidade de ir para as outras ilhas. “Temos vários contactos já em Santa Maria, Terceira, Faial, clientes que têm falado connosco. O nosso espaço é cá e daí valorizarmos o facto de sermos açorianos. Não há interferências de interesses de fora. O nosso mercado é este e o facto de sermos os 4 residentes cá nos Açores faz-nos a tal ligação àquilo que é a ligação que temos de ter com os colaboradores, que estamos juntos deles, que percebemos os problemas deles, que conhecemos o mercado e face a isso, podemos ter uma maior ligação e desenvolvermos melhor a nossa actividade.” 
O nome atribuído à empresa reforça ainda mais no que a mesma quer trabalhar. Como explicou Pedro Faria e Castro, “as pessoas ou confiam ou não vale a pena. Companhia Insular de Segurança é a marca que somos efectivamente insulares. Foi um dos aspectos falado, e temos noção de que o nosso mercado é este.” O termo “Companhia” já não se usava, como refere Rita Couto. “Deixou-se usar, mas a companhia é o quê? As pessoas, os grupos, as uniões”, pegando assim pelo espírito da equipa.

Mais valorização e reconhecimento 
da actividade de segurança privada

A nova empresa quer marcar a diferença trazendo mais valor à actividade de segurança privada: “vamos trabalhar na motivação directa dos nossos trabalhadores. É uma área da prestação de serviços. E essa faz-se através de pessoas. Se as pessoas estiverem devidamente motivadas na entidade que estão a representar, quem ganha com isso é o nosso cliente final. Porquê? Porque através dessa motivação [dos trabalhadores], ele vai obter uma excelência no desempenho desse profissional no seu dia a dia” explica Rita Couto.
Para além de aumentarem o número de trabalhadores da empresa ao longo do ano, trazer estabilidade à actividade e valor às pessoas são outros dos objectivos dos sócios: “se as pessoas estiverem devidamente motivadas e enquadradas na organização onde estão inseridas, sentindo-se parte integrante de um projecto, quem ganha com isso é o nosso cliente. A parte emocional é de extrema importância para quem está a fazer esse tipo de prestação de serviço”, acrescenta. O que vai diferenciar a Trust no mercado, segundo Rita Couto, são os trabalhadores e a forma como irão trabalhar com eles. “Quem vai decidir: os clientes e o mercado. E a melhor publicidade que se pode ter é à antiga: a publicidade de boca em boca. Se tivermos referências e essas se forem de valor, maior será a nossa projecção e mais, facilmente, iremos atingir os nossos objectivos”
Para os sócios, houve uma evolução nos Açores. “Cada vez mais, a profissão é reconhecida. Além disso, ser segurança já não é assim tão fácil quanto isso. As pessoas são sujeitas a formações específicas em que uma tem a ver com a sua formação base e depois dentro desta que lhe dá acesso à especialidade de vigilante, há depois uma série de formações que lhe dão acesso às especialidades de acordo com a prestação ou serviço que eles vão prestar. Podemos falar de assistentes de recintos desportivos ou de assistentes de recintos de espectáculos” explicou Rita Couto. Os requisitos legais também determinam as funções. A lei determina que espectáculos com mais de 3 mil espectadores obrigam a ter um vigilante com uma determinação formação, o assistente de recinto de espectáculo. Pedro Faria e Castro acrescenta que “não é uma profissão que seja vista como antigamente era, ou seja, como algo desvalorizado. Cada vez mais, há uma exigência das próprias pessoas e estas sentem-se valorizadas por isso.” Conforme os serviços e os pedidos dos clientes, é determinado o perfil do profissional de segurança que irá prestar funções. “Há casos em que é mesmo obrigatório o recurso à segurança privada. E agora dentro dessas especialidades não é só pensar que é preciso segurança. Temos que perceber que tipo de serviço, qual o objectivo, qual a finalidade, para assim aferirmos qual o profissional e com que especialidade vamos colocar nesse evento” conforme explica Rita Couto.
A partir do próximo mês, a empresa terá 5 senhoras num universo de 21 pessoas. “Já há um equilíbrio e todos os que compõem a empresa têm experiência com a segurança privada. Uns com 20 anos, 15, 14 ou 10 anos de serviços. Todos muitos diferentes, mas com experiência”. Para Pedro Faria e Castro, a segurança privada “é uma actividade que se adapta a várias circunstâncias. As pessoas têm que ter alguns requisitos e esses requisitos fazem parte da atribuição do cartão de vigilante que é a formação base para exercer a actividade. A partir daí, sendo senhora ou sendo homem, é praticamente indiferente. Tem a ver mais com a dedicação individual de cada um. A tal valorização que a pessoa pode dar ao seu trabalho.” Rita Couto afirma que nunca se sentiu desvalorizada ou inferior: “nunca me impediu de realizar o meu trabalho ou estar no terreno. O trabalho que se faz nesta área específica é desempenhado tanto por uma senhora como por um homem”.
Apesar de inaugurar as suas instalações ao final da tarde de hoje, a empresa Trust já realizou alguns serviços. “Foram serviços pontuais, mas são clientes. Por isso, tivemos já a oportunidade nos lançar. Fizemos serviço no dia 1 de Janeiro para o Réveillon no Coliseu Micaelense e também iremos prestar serviço nos bailes de Carnaval e no próximo dia 1 de Fevereiro, aí sim é o primeiro cliente de contrato anualizado”. Segundo Rita Couto, o dia de hoje será uma “data simbólica para poder haver um marco na história da empresa. A sede é um espaço pequeno e acolhedor. O objectivo é para que quando a pessoa abrir a porta, veja quem são as pessoas que lá estão. Nós queremos que ela se sinta em casa. Isto é acolhimento. Não queremos aquela ideia de empresa fechada. Os trabalhadores é que fazem a empresa”, concluí.

 

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Autor: Rita Frias

Categorias: Regional

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