Médicos de várias especialidades vão deslocar-se para dar consultas às ilhas sem hospital

 Todas as ilhas do arquipélago sem hospital – São Jorge, Santa Maria, Graciosa, Pico, Flores e Corvo -  deverão beneficiar este ano de um aumento de consultas com profissionais de saúde deslocados, comparativamente ao ano anterior. Das 22 especialidades de que os açorianos residentes em ilhas sem hospital poderão beneficiar sem saírem da sua ilha, constam sete especialidades que não fizeram parte da oferta em 2019, nomeadamente Cirurgia Geral, Estomatologia, Ginecologia, Hematologia, Ortopedia, Pneumologia e Urologia. A programação tem como base o levantamento da capacidade de resposta dos três hospitais da Região e as necessidades das Unidades de Saúde das ilhas sem hospital tendo Teresa Machado Luciano salientado que “foi um trabalho conjunto, articulado, como o nosso Serviço Regional de Saúde merece, como os nossos utentes – que são a razão da nossa existência – assim merecem”.
As deslocações de especialistas, segundo a Secretária Regional, serão ajustadas ao longo do ano, sempre que necessário, de acordo com a evolução das necessidades dos Açorianos.
Nas Velas de São Jorge, a Secretária Regional da Saúde anunciou que estão previstas 10.335 consultas este ano, no âmbito da deslocação de profissionais de saúde, nas ilhas sem hospital.
Para Teresa Machado Luciano, como refere uma nota do GaCS, o aumento estimado de 62% nas consultas, que representa um acréscimo de 3.973 consultas, reflecte a aposta do Governo Regional na proximidade de cuidados de saúde para todos os Açorianos e traduz aquele que é o compromisso do Serviço Regional de Saúde com os valores da “proximidade, integração, complementaridade, cooperação e qualidade”, destacando que “é o Serviço Regional de Saúde a ganhar força, com “uma estrutura diferente e cooperação entre profissionais”, para “ir a mais ilhas e dar cobertura nas várias áreas”.
Para a ilha de São Jorge, conforme revelou, está previsto o crescimento de 32% no número de consultas, isto é, mais 603 consultas este ano, ascendendo a um total de 2.506 consultas dadas por profissionais de 13 especialidades, provenientes do Hospital da Horta, do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira e do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada.
Das 13 especialidades de que irão beneficiar os jorgenses, cinco são novas, uma vez que não constaram da oferta em 2019.
Deste modo, os residentes em São Jorge terão acesso a 80 consultas de Endocrinologia, 100 de Nefrologia, 150 de Ortopedia, 180 de Pneumologia e 150 de Urologia.
Na especialidade de Cardiologia, o número de consultas sobe para 190 este ano, contrastando com as 15 consultas realizadas no ano passado. 
Também as consultas de Medicina Interna deverão registar um significativo aumento, em 128 consultas, correspondendo a um acréscimo de 178%.
As consultas de Neurologia deverão ascender a 200, numa subida de 7%, isto é, 13 consultas.
Nas especialidades de Gastrenterologia e de Fisiatria, é estimado  que o número de consultas deverá manter-se em 340 e 200, respectivamente, enquanto em Oftalmologia deverão ser realizadas 326 consultas, tal como em 2019.
Por seu turno, também em São Jorge, na inauguração das obras de remodelação e ampliação do Centro de Saúde da Calheta, 
 o Presidente do Governo garantiu que o Serviço Regional de Saúde está cada vez mais completo para responder às necessidades dos Açorianos, devido ao investimento em infraestruturas, ao reforço de recursos humanos, à dedicação dos seus profissionais e ao financiamento adequado para cumprir a sua função.
“Estamos perante um dos mais importantes activos da nossa Região que, apesar dos desafios que sempre enfrentará, deverá sempre ser motivo de orgulho para os Açorianos”, afirmou, garantindo que muitos desafios que o Serviço Regional de Saúde enfrenta devem-se ao facto de “estar mais completo do que nunca, de disponibilizar mais cuidados aos Açorianos, o que, naturalmente, induz uma maior pressão”.
“Se mais Açorianos têm acesso a mais cuidados do Serviço Regional de Saúde, por exemplo, através do crescimento do número de consultas, é natural que mais açorianos sejam referenciados para cirurgia”, referiu, sublinhando ser “essa pressão, que surge por termos um Serviço Regional de Saúde cada vez mais completo, que estamos determinados e empenhados a dar resposta, seja através do investimento em infraestruturas, seja através de mais recursos humanos, ou ainda com o financiamento adequado para cumprir a sua função”. 
O chefe do Executivo açoriano defendeu que o Governo dos Açores tem vindo a fazer um investimento significativo na acessibilidade de toda a população aos cuidados de saúde, apontando o exemplo das obras de remodelação do Hospital da Horta e de construção do edifício da Unidade de Saúde de Ilha do Faial, no valor de sete milhões de euros, que deverão estar concluídas ainda este ano, bem como da remodelação do Serviço de Urgência do Hospital de Ponta Delgada, que representa um investimento, este ano, próximo de dois milhões de euros.
Na ilha das Flores, ficarão concluídas, também este ano, as obras de beneficiação do Centro de Saúde de Santa Cruz, orçadas em 1,5 milhões de euros.
Vão avançar também as obras de adaptação do espaço para instalação de um equipamento de ressonância magnética, dotado de tecnologia de ponta, para melhores diagnósticos e terapêuticas ainda mais eficazes no Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, que vai servir toda a população das nove ilhas.
Relativamente aos recursos humanos, Vasco Cordeiro salientou que, no final de 2019, o Serviço Regional de Saúde era composto por 5.250 profissionais, mais cerca de 180 do que no final de 2018, entre os quais mais 21 médicos e mais 47 enfermeiros. “Naturalmente que este reforço de meios humanos se traduziu em resultados na prestação de cuidados, bastando referir que, no total da Região, os últimos números consolidados apontam para um crescimento de 9% no número de consultas, entre Janeiro e Outubro de 2019, comparativamente aos primeiros 10 meses de 2018”. E, segundo disse, citado pelo GaCS, foram feitas 8.679 cirurgias através do Serviço Regional de Saúde no último ano, o que representa um aumento de 8,5% relativamente a 2018, isto é, mais 735 doentes operados.                     

N.C.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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